Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu117178
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista Plantonista
Um jovem de 24 anos, múltiplas parceiras, chega ao pronto-atendimento com queixa de dor em articulações, febre e caroço na virilha esquerda. Refere que, há 3 semanas, apareceu uma pequena lesão peniana verrucosa que sumiu em poucos dias. Ao exame físico, apresenta múltiplos, grandes e dolorosos linfonodos em virilha esquerda.Considerando o exposto, assinale a alternativa que apresenta o correto agente etiológico desse caso.
  1. ATreponema pallidum
  2. BNeisseria gonorrhoeae
  3. CHaemophilus ducreyi
  4. DKlebsiella granulomatis
  5. EChlamydia trachomatis
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Chlamydia trachomatis

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linfogranuloma venéreo (LGV) e úlceras genitais

Gabarito: letra E. O quadro clínico — jovem sexualmente ativo, lesão genital transitória, linfadenopatia inguinal dolorosa e unilateral, com febre e artralgia — é clássico do linfogranuloma venéreo (LGV), causado pela Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3. A lesão inicial é uma pápula/úlcera pequena e indolor que regride espontaneamente, seguida, semanas depois, pela fase de linfadenopatia regional (bubão), que é a manifestação dominante. O diagnóstico diferencial com as demais IST ulcerativas (sífilis, cancroide, donovanose, herpes) é o ponto central da questão.

O linfogranuloma venéreo é uma infecção sexualmente transmissível causada pela Chlamydia trachomatis, especificamente pelos sorovares L1, L2 e L3. Diferentemente dos sorovares D-K (que causam uretrite/cervicite), os sorovares L são invasivos e têm tropismo pelo tecido linfoide, o que explica a linfadenopatia regional proeminente. A doença evolui em três fases: (1) fase primária — pápula, pústula ou úlcera pequena e indolor no local de inoculação, que desaparece espontaneamente em poucos dias, muitas vezes despercebida; (2) fase secundária — 2 a 6 semanas após a lesão inicial, surge a linfadenopatia inguinal, geralmente unilateral, com linfonodos aumentados, dolorosos e que podem coalescer e formar o bubão (que pode fistulizar); pode haver febre, mal-estar, mialgia e artralgia; (3) fase terciária — complicações tardias como estenoses, fístulas e elefantíase genital (mais comum em mulheres, por comprometimento anorretal).

O caso clínico apresentado encaixa-se perfeitamente nessa sequência: lesão peniana verrucosa (fase primária) que sumiu em poucos dias, seguida de linfonodos múltiplos, grandes e dolorosos em virilha esquerda (fase secundária), acompanhados de febre e dor articular. A unilateralidade da linfadenopatia é um dado importante, pois ajuda a diferenciar o LGV de outras causas de linfadenopatia inguinal.

O diagnóstico diferencial das úlceras genitais é um tema recorrente em provas de residência e concursos médicos. Os principais agentes e suas características distintivas são:

Agente

Doença

Características da lesão

Linfonodos

Treponema pallidum

Sífilis primária

Úlcera única, indolor, base endurecida (cancro duro), fundo limpo

Adenopatia bilateral, indolor, não supurativa

Haemophilus ducreyi

Cancroide

Úlcera múltipla, dolorosa, bordas irregulares, fundo sujo, base não endurecida (cancro mole)

Adenopatia unilateral, dolorosa, pode fistulizar (bubão)

Chlamydia trachomatis (L1-L3)

LGV

Pápula/úlcera pequena, indolor, transitória

Adenopatia unilateral, dolorosa, pode fistulizar (bubão)

Klebsiella granulomatis

Donovanose

Úlcera crônica, progressiva, de bordas elevadas, friável, com aspecto "carne vermelha"

Geralmente ausente

HSV-1/HSV-2

Herpes genital

Vesículas que evoluem para úlceras múltiplas, dolorosas, superficiais

Adenopatia bilateral, dolorosa

A pegadinha da questão está em distinguir o LGV do cancroide e da sífilis. O cancroide (Haemophilus ducreyi) também causa linfadenopatia inguinal dolorosa unilateral, mas a lesão primária é uma úlcera dolorosa, de bordas irregulares e fundo purulento — diferente da lesão pequena e indolor do LGV. A sífilis primária (Treponema pallidum) causa úlcera indolor, mas a adenopatia costuma ser bilateral e indolor, e a lesão é mais proeminente (cancro duro). A donovanose (Klebsiella granulomatis) cursa com úlcera crônica e progressiva, sem linfadenopatia significativa. A gonorreia (Neisseria gonorrhoeae) não causa úlcera genital nem linfadenopatia inguinal — manifesta-se como uretrite com corrimento purulento.

Guarde a tríade que decide a questão: lesão genital pequena e transitória + linfadenopatia inguinal dolorosa unilateral + febre/artralgia = LGV. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Úlceras genitais (diagnóstico diferencial)
  • 1Lesão indolor
    • Sífilis (cancro duro)
      • adenopatia bilateral indolor
    • LGV (lesão transitória)
      • adenopatia unilateral dolorosa
  • 2Lesão dolorosa
    • Cancroide (cancro mole)
      • adenopatia unilateral dolorosa
    • Herpes (vesículas)
      • adenopatia bilateral dolorosa
  • 3Lesão crônica
    • Donovanose
      • sem linfadenopatia
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O Treponema pallidum causa sífilis primária, cuja lesão é o cancro duro: úlcera única, indolor, com base endurecida e fundo limpo. A adenopatia na sífilis é geralmente bilateral, indolor e não supurativa. No caso, a lesão foi descrita como "verrucosa" e transitória, e a linfadenopatia é unilateral e dolorosa — mais compatível com LGV. Além disso, a febre e a artralgia são menos proeminentes na sífilis primária.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Neisseria gonorrhoeae causa gonorreia, que se manifesta como uretrite com corrimento purulento (ou cervicite), não como úlcera genital. Não causa linfadenopatia inguinal significativa. O quadro descrito — lesão genital + linfonodos inguinais dolorosos — não se encaixa na gonorreia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Haemophilus ducreyi causa cancroide (cancro mole), que também pode cursar com linfadenopatia inguinal dolorosa unilateral (bubão). No entanto, a lesão primária do cancroide é uma úlcera dolorosa, múltipla, de bordas irregulares e fundo purulento — bem diferente da lesão pequena, indolor e transitória descrita no caso. A lesão "verrucosa" que some em poucos dias é típica da fase primária do LGV, não do cancroide.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A Klebsiella granulomatis causa donovanose, que se caracteriza por úlcera crônica, progressiva e friável, com bordas elevadas e aspecto de "carne vermelha", geralmente sem linfadenopatia significativa. A evolução é lenta e indolente, não compatível com o quadro agudo de linfonodos dolorosos e febre apresentado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3 é o agente do linfogranuloma venéreo (LGV). A doença tem fase primária com lesão genital pequena, indolor e transitória (pápula, pústula ou úlcera), seguida de fase secundária com linfadenopatia inguinal unilateral, dolorosa, que pode formar bubão, acompanhada de febre, mal-estar e artralgia. Todos os elementos do caso — jovem com múltiplas parceiras, lesão peniana que sumiu, linfonodos inguinais dolorosos, febre e dor articular — são típicos do LGV.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre LGV e cancroide, pois ambos causam linfadenopatia inguinal dolorosa unilateral. A diferença está na lesão primária: no LGV, é pequena, indolor e transitória (como no caso); no cancroide, é uma úlcera dolorosa, de bordas irregulares e fundo purulento. Outra pegadinha é a sífilis, que também tem lesão indolor, mas com adenopatia bilateral e não dolorosa. Fique atento a esses detalhes para não errar na prova!

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as IST ulcerativas, monte um quadro mental com as características da lesão (única/múltipla, dolorosa/indolor, base endurecida/mole) e dos linfonodos (unilateral/bilateral, doloroso/indolor, supurativo/não supurativo). Essa é a chave para resolver questões de úlcera genital. Treine com questões de provas anteriores para fixar o padrão.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu117178