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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu117183
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista Plantonista
Em um paciente portador de lesão neurológica, a disfunção vesical associada apresenta correlação com o nível da lesão.Nesse caso, é correto afirmar que as lesões
  1. Asuprapontinas se apresentam com detrusor hiperativo e esfíncter hiperativo.
  2. Bmedulares (infrapontina suprassacrais) se apresentam com detrusor hipoativo e esfíncter hiperativo.
  3. Cinfrassacrais se apresentam com detrusor normoativo e esfíncter hiperativo.
  4. Dagudas se apresentam com choque medular, que se caracteriza por retenção urinária à custa de dissinergia vésico-esfincteriana.
  5. Emedulares infrapontinas apresentam maior risco para o trato urinário superior por apresentarem elevadas pressões intravesicais durante o armazenamento e o esvaziamento.
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GabaritoE — medulares infrapontinas apresentam maior risco para o trato urinário superior por apresentarem elevadas pressões intravesicais durante o armazenamento e o esvaziamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfunção vesical neurogênica e nível da lesão neurológica

Gabarito: letra E. As lesões medulares infrapontinas (suprassacrais) cursam com dissinergia vésico-esfincteriana, gerando elevadas pressões intravesicais tanto no armazenamento quanto no esvaziamento, o que confere maior risco ao trato urinário superior. Essa é a correlação fisiopatológica clássica entre o nível da lesão neurológica e o padrão de disfunção vesical.

A disfunção vesical neurogênica é uma alteração do funcionamento da bexiga e do esfíncter uretral decorrente de uma lesão em algum ponto do sistema nervoso que controla a micção. O controle neurológico da micção envolve uma complexa integração entre o sistema nervoso central (cérebro e tronco encefálico), a medula espinhal e os nervos periféricos. O centro pontino da micção, localizado no tronco encefálico, coordena a contração do detrusor (músculo da bexiga) com o relaxamento do esfíncter uretral, permitindo o esvaziamento eficiente. A medula espinhal, por sua vez, transmite os comandos entre o centro pontino e a bexiga, e também abriga os centros espinhais da micção (simpático e parassimpático).

A correlação entre o nível da lesão e o padrão de disfunção vesical é um dos pilares da urologia funcional. Lesões acima do centro pontino (suprapontinas) interrompem a inibição cortical sobre o reflexo de micção, resultando em detrusor hiperativo, mas com esfíncter coordenado (sem dissinergia), pois o centro pontino permanece íntegro. Lesões entre o centro pontino e a medula sacral (infrapontinas suprassacrais) interrompem a coordenação pontina, gerando dissinergia vésico-esfincteriana — o detrusor contrai contra um esfíncter que não relaxa, elevando as pressões intravesicais. Lesões na medula sacral ou nos nervos periféricos (infrassacrais) interrompem o arco reflexo, resultando em detrusor hipoativo ou arreflexo, com esfíncter geralmente hipoativo.

A distinção crucial é entre lesões suprassacrais e infrassacrais: nas primeiras, o arco reflexo está preservado, mas a coordenação central está perdida, gerando hiperatividade e dissinergia; nas segundas, o arco reflexo está interrompido, gerando hipoatividade. Essa diferença explica por que as lesões suprassacrais são mais deletérias para o trato urinário superior: as altas pressões intravesicais durante o armazenamento e o esvaziamento podem causar refluxo vesicoureteral, hidronefrose e deterioração da função renal.

A pegadinha da banca está em inverter os padrões de atividade do detrusor e do esfíncter, ou em atribuir a lesões agudas um mecanismo que não corresponde. O choque medular, por exemplo, é uma fase transitória de arreflexia que ocorre logo após a lesão, caracterizada por retenção urinária com detrusor hipoativo, e não por dissinergia. Guarde a fronteira entre os níveis de lesão e seus padrões urodinâmicos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Nível da Lesão

Detrusor

Esfíncter

Padrão Urodinâmico

Suprapontino

Hiperativo

Coordenado (sem dissinergia)

Hiperatividade sem dissinergia

Infrapontino Suprassacral

Hiperativo

Hiperativo (dissinergia)

Dissinergia vésico-esfincteriana

Infracrassacral

Hipoativo/Arreflexo

Hipoativo

Arreflexia/Hipoatividade

Choque Medular (agudo)

Hipoativo

Hipoativo

Retenção por arreflexia (sem dissinergia)

1Suprapontina
Detrusor hiperativo
Esfíncter coordenado
2Infrapontina suprassacral
Detrusor hiperativo
Esfíncter hiperativo (dissinergia)
Alto risco ao trato urinário superior
3Infrassacral
Detrusor hipoativo
Esfíncter hipoativo
4Choque medular (agudo)
Detrusor arreflexo
Retenção por ausência de contração
Disfunção vesical neurogênica
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Disfunção vesical neurogênica: Suprapontina (Detrusor hiperativo, Esfíncter coordenado); Infrapontina suprassacral (Detrusor hiperativo, Esfíncter hiperativo (dissinergia), Alto risco ao trato urinário superior); Infrassacral (Detrusor hipoativo, Esfíncter hipoativo); Choque medular (agudo) (Detrusor arreflexo, Retenção por ausência de contração)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que lesões suprapontinas cursam com detrusor hiperativo e esfíncter hiperativo. O erro está no esfíncter: nas lesões suprapontinas, o centro pontino da micção está íntegro, portanto a coordenação entre detrusor e esfíncter é preservada. O padrão é detrusor hiperativo com esfíncter coordenado (sem dissinergia). A banca troca o esfíncter coordenado por hiperativo, confundindo o padrão suprapontino com o suprassacral.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que lesões medulares infrapontinas suprassacrais cursam com detrusor hipoativo e esfíncter hiperativo. O erro está no detrusor: lesões suprassacrais preservam o arco reflexo sacral, portanto o detrusor é hiperativo, não hipoativo. O padrão correto é detrusor hiperativo com esfíncter hiperativo (dissinergia vésico-esfincteriana). A banca inverte o comportamento do detrusor, atribuindo-lhe hipoatividade, que é característica das lesões infrassacrais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que lesões infrassacrais cursam com detrusor normoativo e esfíncter hiperativo. O erro está no detrusor: lesões infrassacrais interrompem o arco reflexo sacral, resultando em detrusor hipoativo ou arreflexo, não normoativo. Além disso, o esfíncter tende a ser hipoativo, não hiperativo, pois a denervação afeta ambos. A banca atribui normoatividade ao detrusor, o que não corresponde à fisiopatologia das lesões infrassacrais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que lesões agudas se apresentam com choque medular, caracterizado por retenção urinária à custa de dissinergia vésico-esfincteriana. O erro está no mecanismo: o choque medular é uma fase de arreflexia transitória, com detrusor hipoativo e esfíncter hipoativo, resultando em retenção urinária por ausência de contração, não por dissinergia. A dissinergia é característica das lesões suprassacrais estabelecidas, não da fase aguda do choque medular. A banca troca o mecanismo da retenção no choque medular.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que lesões medulares infrapontinas apresentam maior risco para o trato urinário superior por elevadas pressões intravesicais durante o armazenamento e o esvaziamento. Isso está correto: lesões suprassacrais cursam com dissinergia vésico-esfincteriana, em que o detrusor contrai contra um esfíncter que não relaxa, gerando altas pressões intravesicais tanto na fase de armazenamento quanto na de esvaziamento. Essas altas pressões podem causar refluxo vesicoureteral, hidronefrose e deterioração da função renal, conferindo maior risco ao trato urinário superior. A alternativa espelha exatamente a fisiopatologia clássica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os padrões de atividade do detrusor e do esfíncter entre os níveis de lesão. Nas suprapontinas, o esfíncter é coordenado; nas suprassacrais, o detrusor é hiperativo; nas infrassacrais, ambos são hipoativos. E o choque medular é arreflexia, não dissinergia. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com os três níveis e seus padrões: suprapontino (detrusor hiperativo, esfíncter coordenado), suprassacral (detrusor hiperativo, esfíncter hiperativo — dissinergia), infrassacral (detrusor hipoativo, esfíncter hipoativo). O choque medular é a exceção aguda com arreflexia. Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra E

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