Análise do valor da locução “iríamos falar”
Gabarito: letra C. A locução “iríamos falar” expressa uma ação considerada possível, mas que não se realizou, podendo ser substituída por “falaríamos” sem alteração essencial de sentido. O trecho original – “Pensei que iríamos falar dos meus problemas” – mostra que o falante nutria uma expectativa (futura em relação ao momento de “pensei”) que, pelo contexto implícito da tira, não se concretizou.
A forma “iríamos” é o futuro do pretérito do verbo “ir”, que, combinado com o infinitivo “falar”, forma uma locução de futuro do pretérito composto. Esse tempo verbal, no português brasileiro, pode indicar um fato futuro em relação a um momento passado, com um matiz de incerteza ou não realização. A substituição por “falaríamos” (futuro do pretérito simples) mantém exatamente esse valor: ação projetada no passado, mas não consumada.
Alternativa | Valor Expresso pela Locução “iríamos falar” | Substituição Proposta | Análise |
|---|
A | Ação concluída no passado | “tínhamos falado” | ❌ Incorreta. “Iríamos falar” não indica conclusão, e sim projeção futura em relação a um momento passado. A substituição altera o tempo verbal (pretérito mais-que-perfeito composto). |
B | Ação futura em relação ao momento da fala | “falaremos” | ❌ Incorreta. O marco temporal é passado (“Pensei”), não presente. “Falaremos” expressa certeza, enquanto “iríamos falar” carrega incerteza ou não realização. |
C | Ação considerada possível, mas que não se realizou | “falaríamos” | ✅ Correta. Ambos expressam futuro do pretérito com valor de irrealidade ou expectativa frustrada. A estrutura “Pensei que...” sugere que a conversa não ocorreu. |
D | Ação habitual no passado | “falávamos” | ❌ Incorreta. “Iríamos falar” não indica habitualidade, e sim uma ação pontual projetada no passado. |
E | Ação ocorrida anteriormente | “teríamos falado” | ❌ Incorreta. “Teríamos falado” é futuro do pretérito composto, que indica ação hipotética anterior a outra no passado, enquanto “iríamos falar” é ação futura em relação ao passado. |
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Concluída no passado” é próprio do pretérito perfeito ou mais-que-perfeito (ex.: “falamos”, “tínhamos falado”). A locução “iríamos falar” não indica conclusão, e sim uma projeção futura. A substituição por “tínhamos falado” altera completamente o sentido (pretérito mais-que-perfeito composto). Erro de troca de tempo verbal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Futura em relação ao momento da fala” seria o futuro do presente (ex.: “falaremos”). O momento da fala (“Pensei”) é passado; “iríamos falar” é futuro desse passado, não do presente. Além disso, “falaremos” é uma ação certa, enquanto “iríamos falar” carrega ideia de possibilidade não realizada. Erro de generalização: desconsidera o marco temporal e o aspecto modal.
Alternativa C — ✅ Correta
Conforme explicado, a ação é considerada possível, mas não realizada. A substituição por “falaríamos” é perfeita, pois ambos expressam futuro do pretérito com valor de irrealidade ou expectativa frustrada. O texto não afirma que a conversa ocorreu; pelo contrário, a estrutura “Pensei que...” sugere que a expectativa foi quebrada. Gabarito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Habitual no passado” é próprio do pretérito imperfeito (ex.: “falávamos”). “Iríamos falar” não indica habitualidade, e sim um evento pontual projetado. Erro de troca de aspecto (pontual vs. habitual).
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Ocorrida anteriormente” seria um fato passado concluído antes de outro. “Teríamos falado” é futuro do pretérito composto, mas indica uma ação que teria ocorrido antes de outra, não uma projeção futura. Erro de troca de tempo/aspecto.
Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente o valor da locução “iríamos falar” no contexto dado é a letra C, que reconhece o sentido de possibilidade não realizada e a equivalência com “falaríamos”.