Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
vu118309
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Com relação ao diabetes insipidus na gravidez, pode-se afirmar corretamente que
Atem caráter transitório, com remissão em 4 a 6 semanas pós-parto.
Bo quadro clínico é mais prevalente no primeiro ou no segundo trimestre da gestação.
Cé menos prevalente na gravidez múltipla.
Ddecorre do excesso de atividade da enzima vasopressinase materna.
Eé mais prevalente em gestantes com doença hepática com menor atividade da vasopressinase.
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GabaritoA — tem caráter transitório, com remissão em 4 a 6 semanas pós-parto.
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Diabetes insipidus na gestação
Gabarito: letra A. O diabetes insipidus (DI) gestacional é uma condição transitória, que se manifesta tipicamente no terceiro trimestre e remite espontaneamente em 4 a 6 semanas após o parto, quando os níveis da enzima vasopressinase (cisteína aminopeptidase), produzida pela placenta, voltam ao normal. A alternativa correta é a única que descreve com precisão o curso clínico dessa entidade.
O diabetes insipidus é uma síndrome caracterizada pela incapacidade de concentrar a urina, resultando em poliúria (volume urinário aumentado) e polidipsia (sede excessiva). Na gestação, três mecanismos fisiopatológicos distintos podem levar ao quadro: (1) o DI gestacional propriamente dito, causado pela degradação da vasopressina (ADH) pela enzima vasopressinase, produzida em excesso pela placenta; (2) o DI central, que pode se manifestar ou piorar na gravidez devido ao aumento da depuração metabólica do hormônio; e (3) o DI nefrogênico, geralmente pré-existente e agravado pela gestação. O DI gestacional é uma condição rara, mas bem caracterizada, e sua compreensão exige o conhecimento do papel da vasopressinase.
A vasopressinase é uma enzima que degrada a arginina vasopressina (AVP), o hormônio antidiurético. Durante a gravidez, a placenta produz grandes quantidades dessa enzima, que inativa a AVP materna. Em condições normais, o aumento da produção de AVP pela neuro-hipófise compensa essa degradação. No entanto, em algumas gestantes, essa compensação é insuficiente, levando ao DI gestacional. O quadro clínico é caracterizado por poliúria e polidipsia de início agudo, geralmente no terceiro trimestre, quando os níveis de vasopressinase atingem seu pico. O diagnóstico é confirmado pela ausência de resposta à administração de vasopressina exógena, mas com resposta adequada à desmopressina (DDAVP), um análogo sintético da AVP que não é degradado pela vasopressinase.
A distinção crucial para a prova é entre o DI gestacional (transitório, por excesso de vasopressinase) e o diabetes mellitus gestacional (que envolve hiperglicemia e não poliúria por deficiência de ADH). A banca explora a confusão entre esses dois quadros, além de inverter o papel da vasopressinase (excesso vs. deficiência) e a época de apresentação (terceiro trimestre vs. primeiro/segundo).
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato de duas formas principais. Primeiro, ao afirmar que o DI gestacional é mais prevalente no primeiro ou segundo trimestre, quando na verdade o pico de incidência é no terceiro trimestre, coincidindo com o pico de produção da vasopressinase placentária. Segundo, ao inverter o papel da enzima: o DI gestacional decorre do excesso de atividade da vasopressinase, não da sua deficiência. A alternativa E ainda adiciona uma camada de erro ao associar a doença hepática com menor atividade da enzima, quando o raciocínio correto seria o oposto — embora a doença hepática possa reduzir a degradação da vasopressinase, o DI gestacional está ligado ao excesso de produção placentária, não à função hepática.
13º trimestre (pico de vasopressinase)
2Poliúria e polidipsia
3Parto (cessa produção placentária)
4Remissão em 4–6 semanas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o curso clínico do DI gestacional: é uma condição transitória, que se resolve espontaneamente em 4 a 6 semanas após o parto. Isso ocorre porque, com a eliminação da placenta, cessa a produção da vasopressinase, e os níveis de AVP voltam ao normal. O tratamento durante a gestação é feito com desmopressina (DDAVP), que não é degradada pela enzima, e pode ser suspenso após o parto, quando a condição remite.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o quadro clínico é mais prevalente no primeiro ou segundo trimestre. Na realidade, o DI gestacional se manifesta tipicamente no terceiro trimestre, quando a produção placentária de vasopressinase atinge seu pico e a degradação da AVP é máxima. A banca troca o trimestre de apresentação para testar o conhecimento da fisiopatologia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o DI é menos prevalente na gravidez múltipla. Na verdade, a gravidez múltipla (gemelar, por exemplo) está associada a uma maior prevalência de DI gestacional, pois há maior massa placentária e, consequentemente, maior produção de vasopressinase. A alternativa inverte a relação entre o número de fetos/placentas e o risco de desenvolver a condição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o DI gestacional decorre do excesso de atividade da enzima vasopressinase materna. Essa afirmação está correta em sua essência — o DI gestacional é causado pelo excesso de vasopressinase placentária que degrada a AVP. No entanto, a alternativa é considerada incorreta porque o enunciado pede a afirmação correta sobre o DI na gravidez, e a alternativa A é a mais completa e precisa. A alternativa D, embora verdadeira, não aborda o caráter transitório da condição, que é a característica mais distintiva e relevante para o manejo clínico. A banca pode ter considerado a alternativa D incorreta por não mencionar que o excesso é de origem placentária (e não materna), ou por ser uma afirmação incompleta. Na dúvida, a alternativa A é a mais abrangente e correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o DI é mais prevalente em gestantes com doença hepática com menor atividade da vasopressinase. Essa afirmação é duplamente errada. Primeiro, o DI gestacional está associado ao excesso de atividade da vasopressinase, não à sua deficiência. Segundo, a doença hepática não é um fator de risco para o DI gestacional; na verdade, a doença hepática pode reduzir a degradação da vasopressinase, mas isso não está relacionado ao desenvolvimento do DI gestacional, que é causado pela produção placentária excessiva da enzima. A alternativa mistura conceitos de forma incorreta.