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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
vu118319
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Assinale a alternativa correta com relação ao tratamento de dislipidemias, conforme a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025.
  1. ARecomenda-se a associação de CoQ10 às estatinas porque essa classe de medicamentos inibe a enzima HMG-CoA redutase, que participa da produção da CoQ10.
  2. BA genfibrozila demonstra um perfil de segurança superior ao fenofibrato, sendo sua associação com qualquer estatina considerada razoável quando houver indicação clínica.
  3. CA sinvastatina deve ser evitada em portadores de HIV usuários de inibidores de protease.
  4. DNenhum ajuste de dose é necessário para atorvastatina, rosuvastatina, sinvastatina e pitavastatina quando administrados concomitantemente com amiodarona.
  5. EO FDA recomenda que as doses de sinvastatina não devem exceder 40 mg por dia quando prescrita em combinação com qualquer dose de amlodipina.
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GabaritoC — A sinvastatina deve ser evitada em portadores de HIV usuários de inibidores de protease.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tratamento de dislipidemias: interações medicamentosas com estatinas

Gabarito: letra C. A sinvastatina deve ser evitada em portadores de HIV em uso de inibidores de protease, pois esses fármacos inibem o CYP3A4, elevando a concentração sérica da estatina e aumentando o risco de miotoxicidade — conforme a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. As demais alternativas contêm erros conceituais ou dados incorretos sobre interações medicamentosas.

A questão cobra um dos pontos mais relevantes na prática clínica com estatinas: as interações medicamentosas. As estatinas são metabolizadas principalmente pelo citocromo P450, e fármacos que inibem ou induzem essas enzimas podem alterar drasticamente sua concentração sérica, elevando o risco de efeitos adversos, especialmente miopatia e rabdomiólise. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 dedica uma seção específica a esse tema, listando os principais inibidores e indutores enzimáticos e as estatinas afetadas.

A sinvastatina e a lovastatina são as estatinas mais suscetíveis a interações, pois são metabolizadas pelo CYP3A4. Os inibidores de protease (ritonavir, nelfinavir, atazanavir, indinavir, entre outros) são potentes inibidores dessa enzima, o que pode aumentar a concentração sérica da sinvastatina em várias vezes, elevando o risco de rabdomiólise. Por isso, a diretriz recomenda evitar a associação. Já a atorvastatina, embora também seja metabolizada pelo CYP3A4, tem menor risco de interação clínica relevante, mas ainda assim exige cautela. As estatinas hidrofílicas (rosuvastatina, pravastatina, fluvastatina) são menos afetadas por essas interações, pois não dependem do CYP3A4 para sua metabolização.

Outro ponto importante é a diferença entre os fibratos. A genfibrozila inibe a glucuronidação das estatinas, aumentando sua concentração sérica e o risco de miopatia, sendo contraindicada com várias delas. O fenofibrato, por outro lado, tem perfil de interação mais seguro, sendo sua associação com qualquer estatina considerada razoável quando clinicamente indicada. Essa distinção é clássica em provas e na prática clínica.

A amiodarona é um inibidor do CYP2C9, afetando principalmente fluvastatina, pravastatina e rosuvastatina, e não as estatinas metabolizadas pelo CYP3A4. Portanto, a afirmação de que não há necessidade de ajuste de dose para atorvastatina, rosuvastatina, sinvastatina e pitavastatina com amiodarona está incorreta, pois a sinvastatina e a atorvastatina são metabolizadas pelo CYP3A4 e a amiodarona pode inibir essa via, exigindo cautela.

A amlodipina é um bloqueador do canal de cálcio que inibe o CYP3A4, mas de forma mais fraca que outros fármacos. A recomendação do FDA é que a dose de sinvastatina não exceda 20 mg/dia quando usada com amlodipina, e não 40 mg como afirma a alternativa E. Essa é uma pegadinha clássica, pois o valor correto é 20 mg.

Guarde a fronteira entre as estatinas metabolizadas pelo CYP3A4 (sinvastatina, lovastatina, atorvastatina) e as que não dependem dessa via (rosuvastatina, pravastatina, fluvastatina, pitavastatina): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Estatina

Metabolizada pelo CYP3A4

Interação com inibidores de protease (HIV)

Interação com amiodarona

Interação com amlodipina (dose máx. sinvastatina)

Sinvastatina

Sim

Evitar (risco de miotoxicidade)

Cautela (inibição do CYP3A4)

Não exceder 20 mg/dia

Lovastatina

Sim

Evitar

Cautela

—

Atorvastatina

Sim

Cautela

Cautela

—

Rosuvastatina

Não

Menor risco

Ajuste (inibição do CYP2C9)

—

Pravastatina

Não

Menor risco

Ajuste (inibição do CYP2C9)

—

Fluvastatina

Não

Menor risco

Ajuste (inibição do CYP2C9)

—

Pitavastatina

Não

Menor risco

—

—

1Metabolizadas pelo CYP3A4
Sinvastatina
Lovastatina
Atorvastatina
2Não dependem do CYP3A4
Rosuvastatina
Pravastatina
Fluvastatina
Pitavastatina
3Interações relevantes
Inibidores de protease (HIV) → evitar sinvastatina
Amiodarona → cautela com sinvastatina/atorvastatina
Amlodipina → sinvastatina máx. 20 mg/dia
Estatinas e CYP3A4
LEVELsoulevel.com.br
Estatinas e CYP3A4: Metabolizadas pelo CYP3A4 (Sinvastatina, Lovastatina, Atorvastatina); Não dependem do CYP3A4 (Rosuvastatina, Pravastatina, Fluvastatina, Pitavastatina); Interações relevantes (Inibidores de protease (HIV) → evitar sinvastatina, Amiodarona → cautela com sinvastatina/atorvastatina, Amlodipina → sinvastatina máx. 20 mg/dia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A associação de CoQ10 às estatinas não é recomendada rotineiramente pela diretriz. Embora as estatinas inibam a HMG-CoA redutase, que participa da produção de CoQ10, a suplementação não é indicada de forma sistemática para todos os pacientes. A diretriz não faz essa recomendação, e a alternativa apresenta uma justificativa teórica que não se traduz em recomendação prática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A genfibrozila não demonstra perfil de segurança superior ao fenofibrato; na verdade, é o oposto. A genfibrozila inibe a glucuronidação das estatinas, aumentando sua concentração sérica e o risco de miopatia, sendo contraindicada com lovastatina, pravastatina e sinvastatina, e devendo ser usada com cautela com atorvastatina, pitavastatina e rosuvastatina. O fenofibrato tem perfil de interação mais seguro, sendo sua associação com qualquer estatina considerada razoável quando clinicamente indicada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sinvastatina deve ser evitada em portadores de HIV usuários de inibidores de protease, pois esses fármacos são potentes inibidores do CYP3A4, enzima responsável pela metabolização da sinvastatina. Isso eleva a concentração sérica da estatina, aumentando o risco de miopatia e rabdomiólise. A diretriz recomenda evitar essa associação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A amiodarona é um inibidor do CYP2C9, afetando principalmente fluvastatina, pravastatina e rosuvastatina. No entanto, a sinvastatina e a atorvastatina são metabolizadas pelo CYP3A4, e a amiodarona também pode inibir essa via, embora de forma menos potente. Portanto, não é correto afirmar que nenhum ajuste de dose é necessário para essas quatro estatinas com amiodarona. A diretriz recomenda cautela e monitoramento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A recomendação do FDA é que a dose de sinvastatina não exceda 20 mg/dia quando usada com amlodipina, e não 40 mg. A amlodipina é um inibidor fraco do CYP3A4, mas ainda assim pode aumentar a concentração da sinvastatina, exigindo limitação da dose. O valor de 40 mg é um distrator, pois corresponde à dose máxima usual da sinvastatina em monoterapia, mas não quando associada à amlodipina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o valor correto da dose máxima de sinvastatina com amlodipina (20 mg/dia) por 40 mg/dia, que é a dose máxima em monoterapia. Além disso, inverte o perfil de segurança dos fibratos, apresentando a genfibrozila como mais segura que o fenofibrato, quando na verdade é o contrário. Fique atento a esses detalhes numéricos e conceituais.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de interação com estatinas, memorize as estatinas metabolizadas pelo CYP3A4 (sinvastatina, lovastatina, atorvastatina) e as que não dependem dessa via (rosuvastatina, pravastatina, fluvastatina, pitavastatina). Isso resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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