Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
vu118320
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Assinale a alternativa que indica, corretamente, o co-agonista dos receptores GIP e GLP-1.
ALinagliptina.
BSemaglutida.
CLiraglutida.
DDulaglutida.
ETirzepatida.
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GabaritoE — Tirzepatida.
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Farmacologia dos agonistas de incretinas: GIP e GLP-1
Gabarito: letra E. A tirzepatida é o único fármaco entre as opções que atua como co-agonista dos receptores de GIP (peptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1). As demais alternativas são agonistas isolados do receptor de GLP-1 (semaglutida, liraglutida, dulaglutida) ou um inibidor da DPP-4 (linagliptina), que apenas amplifica a ação das incretinas endógenas.
A tirzepatida é um fármaco relativamente novo, aprovado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, que se destaca por ser um agonista duplo dos receptores de GIP e GLP-1. Enquanto os agonistas tradicionais do receptor de GLP-1 (como semaglutida, liraglutida e dulaglutida) atuam apenas em um alvo, a tirzepatida foi desenhada para ativar simultaneamente as duas vias incretínicas, o que potencializa os efeitos sobre a secreção de insulina, o esvaziamento gástrico e a saciedade. Essa dupla ação resulta em redução mais expressiva da HbA1c e do peso corporal em comparação com os agonistas isolados de GLP-1.
Para entender a questão, é preciso diferenciar as classes de fármacos antidiabéticos que modulam o sistema das incretinas. As incretinas são hormônios produzidos no intestino delgado em resposta à ingestão de alimentos, sendo o GLP-1 e o GIP os principais representantes. O GLP-1 estimula a secreção de insulina dependente de glicose, suprime a produção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade. O GIP também estimula a secreção de insulina, mas tem menor efeito sobre o glucagon e o esvaziamento gástrico. Os fármacos que atuam nesse sistema podem ser:
Agonistas do receptor de GLP-1: moléculas que se ligam diretamente ao receptor de GLP-1, mimetizando a ação do hormônio endógeno. Exemplos: dulaglutida, exenatida, liraglutida, lixisenatida e semaglutida.
Inibidores da DPP-4: bloqueiam a enzima que degrada o GLP-1 e o GIP endógenos, aumentando suas concentrações. Exemplos: alogliptina, linagliptina, saxagliptina e sitagliptina.
Co-agonistas GIP/GLP-1: ativam simultaneamente os receptores de GIP e GLP-1. O único representante atualmente é a tirzepatida.
A distinção crucial é que os agonistas de GLP-1 e os inibidores de DPP-4 não são co-agonistas. Os primeiros atuam apenas no receptor de GLP-1; os segundos apenas aumentam a meia-vida das incretinas endógenas, sem ativar diretamente nenhum receptor. A tirzepatida, por sua vez, é um peptídeo sintético que se liga com alta afinidade tanto ao receptor de GIP quanto ao de GLP-1, configurando o co-agonismo.
A banca explora a confusão entre as classes de fármacos incretinomiméticos. O candidato que conhece apenas os agonistas de GLP-1 pode marcar semaglutida, liraglutida ou dulaglutida, mas todas essas são agonistas isolados. A linagliptina, por ser um inibidor da DPP-4, também não se encaixa. A tirzepatida é a única que se destaca por ser um co-agonista, um conceito que ganhou destaque na literatura médica recente e que vem sendo cobrado em provas de residência e concursos.
Guarde a fronteira entre as classes: agonista isolado de GLP-1 (semaglutida, liraglutida, dulaglutida), inibidor da DPP-4 (linagliptina) e co-agonista GIP/GLP-1 (tirzepatida). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
A linagliptina é um inibidor da DPP-4, não um agonista de receptores. Ela age bloqueando a enzima dipeptidil peptidase 4, responsável pela degradação do GLP-1 e do GIP endógenos, aumentando assim a concentração desses hormônios. Não se liga diretamente aos receptores de GIP ou GLP-1, portanto não é um co-agonista.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A semaglutida é um agonista do receptor de GLP-1, atuando apenas nesse receptor. Embora seja um fármaco eficaz para diabetes e obesidade, não possui atividade sobre o receptor de GIP. Portanto, não é um co-agonista.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A liraglutida também é um agonista do receptor de GLP-1, com ação isolada nesse receptor. Não ativa o receptor de GIP, logo não se qualifica como co-agonista.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dulaglutida é mais um agonista do receptor de GLP-1, sem atividade sobre o receptor de GIP. Assim como as anteriores, não é um co-agonista.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tirzepatida é um co-agonista dos receptores de GIP e GLP-1, ou seja, ativa simultaneamente ambos os receptores. Essa característica a distingue dos demais fármacos da classe, proporcionando benefícios adicionais no controle glicêmico e na perda de peso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as classes de fármacos incretinomiméticos. O candidato que conhece apenas os agonistas de GLP-1 pode marcar semaglutida, liraglutida ou dulaglutida, mas todas essas são agonistas isolados. A linagliptina, por ser um inibidor da DPP-4, também não se encaixa. A tirzepatida é a única que se destaca por ser um co-agonista, um conceito que ganhou destaque na literatura médica recente e que vem sendo cobrado em provas de residência e concursos.