Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
vu118323
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Assinale a alternativa correta conforme as recomendações da diretriz da Endocrine Society sobre vitamina D.
AA triagem de rotina para o nível de 25 (OH) D é recomendada rotineiramente inclusive para adultos sem comorbidades com o objetivo de prevenção de doenças osteoarticulares.
BEm situações específicas nas quais a suplementação empírica está indicada, a administração de doses mais altas administradas ocasionalmente é preferível em relação a doses diárias mais baixas.
CEm crianças e adolescentes de 1 a 18 anos, sugere- -se a suplementação empírica de vitamina D para prevenir o raquitismo nutricional e potencialmente reduzir o risco de infecções do trato respiratório.
DA suplementação empírica de vitamina D durante a gravidez é contraindicada devido ao risco de hipercalcemia.
ESugere-se a suplementação empírica de vitamina D em adultos com diabetes, o que não se aplica aos adultos com pré-diabetes.
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GabaritoE — Sugere-se a suplementação empírica de vitamina D em adultos com diabetes, o que não se aplica aos adultos com pré-diabetes.
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Vitamina D: diretrizes da Endocrine Society
Gabarito: letra E. A diretriz da Endocrine Society sobre vitamina D sugere a suplementação empírica em adultos com diabetes, mas não estende essa recomendação aos adultos com pré-diabetes — exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas distorcem as recomendações da diretriz, seja invertendo a lógica da triagem, preferindo doses altas ocasionais, generalizando a suplementação para todas as crianças ou contraindicando-a na gravidez.
A diretriz da Endocrine Society de 2011, publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, estabelece recomendações baseadas em evidências para a avaliação, prevenção e tratamento da deficiência de vitamina D. O documento diferencia claramente entre triagem (dosagem de 25(OH)D) e suplementação empírica (administração de vitamina D sem dosagem prévia). A triagem de rotina é desencorajada em adultos saudáveis sem fatores de risco, pois não há evidências de benefício na prevenção de doenças osteoarticulares — a recomendação é direcionada apenas a grupos de risco específicos, como pacientes com osteoporose, doença renal crônica, síndromes de má-absorção ou uso de medicamentos que interferem no metabolismo da vitamina D.
Quando a suplementação empírica é indicada, a diretriz recomenda doses diárias de vitamina D, pois são mais fisiológicas e apresentam menor risco de toxicidade. Doses altas administradas ocasionalmente (como 50.000 UI semanais ou mensais) são reservadas para o tratamento da deficiência já diagnosticada, não para a suplementação empírica preventiva. Essa distinção é crucial: a suplementação empírica visa manter níveis adequados, enquanto o tratamento visa corrigir uma deficiência estabelecida.
Em relação às populações especiais, a diretriz faz recomendações específicas:
Crianças e adolescentes (1-18 anos): a suplementação empírica é sugerida para prevenir o raquitismo nutricional, mas a diretriz não menciona a redução do risco de infecções do trato respiratório como justificativa — essa associação não é suportada pelas evidências disponíveis na época da publicação.
Gestantes: a suplementação empírica é recomendada, não contraindicada. A dose sugerida é de 600 UI/dia, com segurança estabelecida. A contraindicação não existe; o risco de hipercalcemia é baixo com doses adequadas.
Adultos com diabetes: a diretriz sugere a suplementação empírica, pois há evidências de que a deficiência de vitamina D é comum nessa população e pode estar associada a piores desfechos metabólicos. Para adultos com pré-diabetes, a recomendação não é feita — as evidências são insuficientes para justificar a suplementação empírica nesse grupo.
A pegadinha central desta questão é a inversão de recomendações: a banca troca o que é recomendado pelo que não é, e vice-versa. O candidato que memoriza as recomendações de forma superficial pode facilmente confundir os grupos populacionais e as condutas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre triagem e suplementação empírica, e entre os grupos populacionais recomendados. A alternativa A inverte a lógica da triagem (recomenda o que a diretriz desencoraja); a B troca a via de administração (doses altas ocasionais vs. diárias); a C adiciona uma justificativa não suportada (infecções respiratórias); a D inverte a recomendação para gestantes (contraindica o que é recomendado). A única que espelha fielmente a diretriz é a E.
Vitamina D (Endocrine Society)
1Triagem (25(OH)D)
Rotina em adultos saudáveis
Grupos de risco (osteoporose, DRC, má-absorção)
2Suplementação empírica
Dose diária (fisiológica)
Dose alta ocasional (só tratamento)
Crianças/adolescentes
Previne raquitismo
Reduz infecções respiratórias
Gestantes
Recomendada (600 UI/dia)
Adultos
Diabetes
Pré-diabetes
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A diretriz não recomenda a triagem de rotina para 25(OH)D em adultos sem comorbidades. A triagem é reservada para grupos de risco (osteoporose, DRC, má-absorção, obesidade, uso de anticonvulsivantes, etc.). A alternativa inverte a recomendação, sugerindo triagem universal para prevenção de doenças osteoarticulares — o que não é suportado pelas evidências.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A diretriz prefere doses diárias mais baixas para suplementação empírica, pois são mais fisiológicas e seguras. Doses altas ocasionais (como 50.000 UI) são reservadas para o tratamento da deficiência diagnosticada, não para suplementação preventiva. A alternativa inverte a preferência da diretriz.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A diretriz sugere suplementação empírica em crianças e adolescentes de 1 a 18 anos para prevenir o raquitismo nutricional, mas não menciona a redução do risco de infecções do trato respiratório como justificativa. Essa associação não é suportada pelas evidências da diretriz. A alternativa adiciona uma justificativa não respaldada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A suplementação empírica de vitamina D durante a gravidez é recomendada pela diretriz (dose de 600 UI/dia), não contraindicada. O risco de hipercalcemia é baixo com doses adequadas. A alternativa inverte completamente a recomendação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A diretriz sugere a suplementação empírica de vitamina D em adultos com diabetes, pois há evidências de deficiência comum e potencial benefício metabólico. Para adultos com pré-diabetes, a recomendação não se aplica — as evidências são insuficientes. A alternativa espelha fielmente a recomendação da diretriz.