Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
vu118324
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Mulher, 62 anos, solicita avaliação de massa óssea após episódio de queda durante o treino de corrida. Refere episódio de infarto de miocárdio há 6 meses e litíase renal há 10 anos. Menopausa aos 50 anos. Não se submeteu a terapia hormonal por ter tido câncer de mama. Densitometria atual com T- escore em coluna –3,5 DP, em colo de fêmur –1,2 DP, e em fêmur total –2,0 DP. Usa diariamente: 1g de carbonato de cálcio e 2.000 UI de vitamina D. Dentre os exames, apresenta: cálcio, fósforo, cálcio urinário e PTH normais; 25 (OH) vitamina D: 50 ng/mL.Qual é a conduta adequada para esse caso?
AIntrodução de romozosumabe devido à ação antirreabsortiva e osteoformadora e substituição do carbonato pelo citrato de cálcio.
BIntrodução de bisfosfonato venoso, a ser mantido durante 10 anos ininterruptos pelo risco de perda óssea, e substituição do carbonato pelo citrato de cálcio.
CAvaliação de C-telopeptídeo C-terminal de colágeno tipo I (CTX) e de pró-peptídeo aminoterminal do colágeno tipo 1 (P1NP) para determinar a escolha da terapia anti-osteoporótica. Manutenção de cálcio e vitamina D.
DIntrodução de denosumabe, um anticorpo monoclonal que inibe o RANKL, e substituição do carbonato pelo citrato de cálcio.
EElevação da dose de vitamina D como objetivo de aumentar os níveis séricos para 70 ng/mL em associação a um bisfosfonato oral ou injetável. Manutenção de carbonato de cálcio.
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GabaritoD — Introdução de denosumabe, um anticorpo monoclonal que inibe o RANKL, e substituição do carbonato pelo citrato de cálcio.
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Gabarito: letra D. A paciente tem osteoporose estabelecida (T-escore −3,5 DP em coluna) e contraindicação ao uso de bisfosfonatos orais pela história de litíase renal e ao uso de terapia hormonal pelo câncer de mama prévio. O denosumabe é um anticorpo monoclonal anti-RANKL, indicado no tratamento da osteoporose, e a substituição do carbonato de cálcio pelo citrato de cálcio é recomendada em pacientes com litíase renal, pois o citrato reduz o risco de formação de novos cálculos. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta.
A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada pela redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura, aumentando a fragilidade e o risco de fraturas. O diagnóstico é feito pela densitometria (DEXA), com T-escore ≤ −2,5 DP na coluna, quadril total ou colo do fêmur. A paciente apresenta T-escore de −3,5 DP na coluna, configurando osteoporose grave, e já teve uma fratura por fragilidade (queda durante corrida, embora não especificada como fratura, o contexto sugere risco). Além disso, tem história de litíase renal, o que contraindica o uso de bisfosfonatos orais (risco de nefrolitíase) e orienta a troca do carbonato de cálcio pelo citrato de cálcio, que tem efeito protetor contra cálculos renais.
O tratamento da osteoporose pós-menopausa inclui medidas não farmacológicas (suplementação de cálcio e vitamina D, exercícios de sustentação de peso, prevenção de quedas) e farmacológicas. Entre os fármacos, destacam-se os bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ácido zoledrônico), o denosumabe, o teriparatida (PTH 1-34), o romosozumabe e o raloxifeno. A escolha depende de fatores como gravidade, contraindicações e risco de fratura.
A paciente já usa carbonato de cálcio 1g/dia e vitamina D 2000 UI/dia, com 25(OH)D de 50 ng/mL (adequado, alvo >30 ng/mL). A conduta adequada é iniciar terapia farmacológica específica. O denosumabe é uma opção eficaz, especialmente em pacientes com contraindicação a bisfosfonatos orais (como litíase renal) e com alto risco de fratura. Ele é administrado por via subcutânea a cada 6 meses e não é excretado pelos rins, sendo seguro em doença renal. A substituição do carbonato de cálcio pelo citrato de cálcio é recomendada na litíase renal, pois o citrato aumenta o pH urinário e inibe a formação de cálculos de oxalato de cálcio.
A alternativa A menciona o romosozumabe, que é um anticorpo monoclonal anti-esclerostina, com ação dupla (anabólica e antirreabsortiva), mas não é a primeira escolha neste caso, e a substituição do carbonato pelo citrato é correta, mas a indicação do romosozumabe não é a mais adequada (geralmente reservado para casos de risco muito alto, e o denosumabe é mais comum). A alternativa B propõe bisfosfonato venoso por 10 anos ininterruptos, o que é incorreto: o uso prolongado de bisfosfonatos está associado a riscos (fratura atípica, osteonecrose de mandíbula) e recomenda-se "férias" após 3-5 anos em pacientes de baixo risco. Além disso, a substituição do carbonato pelo citrato é correta, mas a duração de 10 anos é exagerada. A alternativa C sugere avaliar marcadores de remodelação óssea (CTX e P1NP) para escolher a terapia, mas isso não é necessário para a decisão inicial; a terapia é indicada com base na densitometria e fatores de risco. A alternativa E propõe elevar a vitamina D para 70 ng/mL, o que não é necessário (o alvo é >30 ng/mL) e associa a um bisfosfonato, que é contraindicado pela litíase renal.
Portanto, a conduta mais adequada é introduzir denosumabe e substituir o carbonato de cálcio pelo citrato de cálcio, conforme a alternativa D.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O romosozumabe é um anticorpo monoclonal anti-esclerostina, com ação anabólica e antirreabsortiva, indicado para pacientes com risco muito alto de fratura, mas não é a primeira escolha neste caso. A paciente tem osteoporose grave, mas o denosumabe é uma opção mais comum e igualmente eficaz. Além disso, a substituição do carbonato pelo citrato de cálcio é correta, mas a indicação do romosozumabe não é a mais adequada, pois não há contraindicação a bisfosfonatos que justifique preferência pelo romosozumabe, e o denosumabe é mais acessível e amplamente utilizado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O bisfosfonato venoso (ácido zoledrônico) é uma opção, mas mantê-lo por 10 anos ininterruptos é incorreto. O uso prolongado de bisfosfonatos está associado a riscos como fratura atípica de fêmur e osteonecrose de mandíbula, e recomenda-se reavaliação após 3-5 anos, com possível "férias" do medicamento. Além disso, a paciente tem litíase renal, o que contraindica bisfosfonatos orais, mas o venoso pode ser usado com cautela, porém a duração de 10 anos é exagerada. A substituição do carbonato pelo citrato é correta, mas a conduta como um todo está errada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A avaliação de marcadores de remodelação óssea (CTX e P1NP) não é necessária para a escolha inicial da terapia anti-osteoporótica. A decisão de tratar é baseada na densitometria e nos fatores de risco clínicos. Os marcadores podem ser úteis para monitorar a resposta ao tratamento, mas não são obrigatórios antes de iniciar. A manutenção de cálcio e vitamina D é correta, mas a conduta de avaliar marcadores antes de decidir é desnecessária e atrasa o tratamento.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O denosumabe é um anticorpo monoclonal humano que se liga ao RANKL, inibindo a formação, função e sobrevivência dos osteoclastos, reduzindo a reabsorção óssea. É indicado para o tratamento da osteoporose em mulheres pós-menopausa com alto risco de fratura, especialmente quando há contraindicação a bisfosfonatos orais, como no caso de litíase renal. A substituição do carbonato de cálcio pelo citrato de cálcio é recomendada em pacientes com litíase renal, pois o citrato reduz a supersaturação urinária de oxalato de cálcio e fosfato de cálcio, prevenindo a formação de novos cálculos. Portanto, a conduta é adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Elevar a vitamina D para 70 ng/mL não é necessário, pois o alvo é manter níveis adequados (>30 ng/mL), e a paciente já está com 50 ng/mL, considerado suficiente. Além disso, associar um bisfosfonato oral ou injetável é contraindicado pela história de litíase renal (bisfosfonatos orais aumentam o risco de nefrolitíase). A manutenção do carbonato de cálcio também é inadequada, pois o citrato é preferível na litíase renal. Portanto, a conduta está errada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as opções de tratamento e as contraindicações. O candidato pode pensar que o bisfosfonato é sempre a primeira escolha, mas a litíase renal contraindica os orais, e o denosumabe é uma alternativa segura. Além disso, a troca do carbonato pelo citrato de cálcio é um detalhe que muitos desconhecem, mas é fundamental na litíase renal. Fique atento a essas nuances!
PEGA ESSA DICA!
Na osteoporose, lembre-se: 1) T-escore ≤ −2,5 indica osteoporose; 2) bisfosfonatos orais são contraindicados em disfunção esofágica e litíase renal; 3) denosumabe é opção em contraindicação a bisfosfonatos; 4) citrato de cálcio é preferível em litíase renal. Monte uma tabela comparativa dos fármacos para fixar.