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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
vu118327
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Qual é o tipo de diabetes que cursa com anticorpo anti-GAD positivo e ausência de necessidade de insulina por pelo menos 6 meses após o diagnóstico em indivíduos portadores de IMC < 23 kg/m² com mais de 30 anos de idade?
  1. ADiabetes tipo 1A.
  2. BMODY-GCK.
  3. CDiabetes autoimune latente do adulto (Latent Autoimmune Diabetes in Adults – LADA).
  4. DMODY-HNF1A.
  5. EMODY-HNF4A.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Diabetes autoimune latente do adulto (Latent Autoimmune Diabetes in Adults – LADA).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes autoimune latente do adulto (LADA)

Gabarito: letra C. O quadro descrito — anticorpo anti-GAD positivo, ausência de necessidade de insulina por pelo menos 6 meses após o diagnóstico, IMC < 23 kg/m² e idade > 30 anos — é a definição clássica de diabetes autoimune latente do adulto (LADA), uma forma de diabetes tipo 1 de progressão lenta que se apresenta em adultos e mimetiza o diabetes tipo 2. A alternativa C é a única que reúne todos esses critérios.

O LADA é uma entidade que fica na fronteira entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2. Imagine um paciente de 45 anos, magro (IMC 22 kg/m²), que chega com glicemia de jejum de 180 mg/dL, sem sintomas exuberantes. Ele não precisa de insulina de imediato — responde bem a metformina ou até a dieta por um tempo. Mas, ao investigar, você encontra anticorpo anti-GAD positivo. Esse é o retrato do LADA: uma destruição autoimune das células beta do pâncreas, porém muito mais lenta que no diabetes tipo 1 clássico da criança. A OMS o classifica como uma "forma híbrida" de diabetes, justamente por essa apresentação atípica. Os três critérios que fecham o diagnóstico são: (1) positividade para autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-ZnT8, anti-insulina); (2) idade > 35 anos ao diagnóstico; e (3) não necessidade de insulinoterapia nos primeiros 6 a 12 meses após o diagnóstico. A banca cobrou exatamente esses três pilares, com pequenas variações numéricas (30 anos no enunciado, 35 na literatura — ambas aceitas como faixa adulta).

O que diferencia o LADA do diabetes tipo 1 clássico é a velocidade da destruição das células beta. No DM1 da criança e do adolescente, a destruição é rapidamente progressiva, levando à dependência total de insulina em semanas ou meses. No LADA, a destruição é lenta, e o paciente mantém secreção residual de insulina por anos — por isso não precisa de insulina nos primeiros 6 a 12 meses. Essa lentidão faz com que o LADA seja frequentemente confundido com diabetes tipo 2, especialmente porque aparece em adultos e tem progressão indolente. A presença de autoanticorpos, porém, é a chave: no DM2 eles são negativos, enquanto no LADA são positivos (anti-GAD é o mais comum).

A distinção entre LADA e MODY também é crucial. O MODY (maturity-onset diabetes of the young) é uma forma monogênica de diabetes, com herança autossômica dominante, que geralmente se manifesta antes dos 25 anos e NÃO apresenta autoanticorpos. O LADA, por sua vez, é autoimune e aparece em adultos. Essa é a fronteira que separa as alternativas: a presença de anti-GAD positivo exclui o MODY e aponta para o LADA.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são formas de diabetes que também podem cursar com hiperglicemia em adultos, mas que não têm o perfil autoimune descrito. O candidato que não domina os critérios diagnósticos do LADA pode facilmente cair na armadilha de escolher um MODY, especialmente porque o enunciado menciona IMC baixo e idade adulta — características que também aparecem no MODY. A diferença é o anticorpo positivo, que só o LADA apresenta.

Guarde o critério decisivo: autoanticorpo positivo + ausência de insulina por 6-12 meses + adulto magro = LADA. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O diabetes tipo 1A (imunomediado) clássico cursa com destruição rapidamente progressiva das células beta, levando à dependência de insulina em semanas ou meses após o diagnóstico. O paciente descrito no enunciado não precisa de insulina por pelo menos 6 meses, o que é incompatível com o DM1A típico. Além disso, o DM1A clássico é mais comum em crianças e adolescentes, embora possa ocorrer em adultos. A presença de anti-GAD positivo é compatível, mas a ausência de necessidade imediata de insulina e a idade > 30 anos apontam para o LADA, não para o DM1A clássico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O MODY-GCK (maturity-onset diabetes of the young por mutação no gene da glicoquinase) é uma forma monogênica de diabetes, com herança autossômica dominante, que cursa com hiperglicemia leve e estável, geralmente sem complicações. Caracteriza-se pela AUSÊNCIA de autoanticorpos — o anti-GAD positivo no enunciado exclui essa possibilidade. Além disso, o MODY-GCK costuma se manifestar antes dos 25 anos, não em adultos com mais de 30. O IMC baixo pode aparecer, mas a presença de autoimunidade é o divisor de águas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O LADA é exatamente o que o enunciado descreve: diabetes autoimune de progressão lenta em adultos, com anticorpo anti-GAD positivo, ausência de necessidade de insulina por pelo menos 6 meses após o diagnóstico, IMC < 23 kg/m² e idade > 30 anos. A OMS o classifica como forma híbrida de diabetes, e os critérios diagnósticos são: positividade para autoanticorpos, idade > 35 anos ao diagnóstico e não necessidade de insulinoterapia nos primeiros 6 a 12 meses. O paciente do enunciado se encaixa perfeitamente nesse perfil.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O MODY-HNF1A é a forma mais comum de MODY, causada por mutação no gene HNF1A, e cursa com hiperglicemia progressiva, geralmente diagnosticada antes dos 25 anos. É uma forma monogênica, NÃO autoimune — portanto, o anti-GAD positivo no enunciado exclui essa alternativa. Além disso, pacientes com MODY-HNF1A costumam ser sensíveis a sulfonilureias, e a necessidade de insulina pode surgir com o tempo, mas não é a característica definidora. A ausência de autoanticorpos é o ponto-chave que separa o MODY do LADA.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O MODY-HNF4A é outra forma monogênica de diabetes, causada por mutação no gene HNF4A, também com herança autossômica dominante e início antes dos 25 anos. Assim como o MODY-HNF1A, é uma forma NÃO autoimune, sem anticorpos positivos. O anti-GAD positivo no enunciado exclui essa alternativa. Além disso, o MODY-HNF4A pode cursar com macrossomia neonatal e hiperinsulinemia transitória, mas não se apresenta com autoimunidade. A presença de anticorpos é o critério que define o LADA e afasta todas as formas de MODY.

Gabarito: letra C — o LADA é a única alternativa que reúne todos os critérios do enunciado: anticorpo anti-GAD positivo, ausência de necessidade de insulina por 6 meses, IMC < 23 kg/m² e idade > 30 anos.

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