Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
vu118328
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Endocrinologista
Assinale a alternativa correta com relação ao diagnóstico de diabetes mellitus (DM).
APara a utilização do TTGO, deve ser feita alimentação nos 2 dias anteriores ao teste, com ingesta de, pelo menos, 100 g de carboidratos, por dia.
BNo teste de tolerância realizado 1 hora após a sobrecarga de 75 gramas de glicose por via oral (TTGO-1h), recomenda-se a utilização como ponto de corte para diagnóstico de diabetes tipo 2 (DM2), a glicemia maior ou igual a 207 mg/dL e, para detecção de pré-diabetes, glicemia maior ou igual a 155 mg/dL.
CA hemoglobina glicada (HbA1c) não leva em conta a variabilidade individual no fenômeno de glicação proteica, mas apresenta maior sensibilidade diagnóstica do que os outros métodos (glicemia de jejum e TTGO).
DRecomenda-se a triagem de DM2 em crianças e adolescentes a partir de 8 anos de idade, com sobrepeso/obesidade e pelo menos um fator de risco para DM2.
EInsuficiência renal crônica, hipertrigliceridemia e hipotiroidismo podem elevar falsamente a HbA1c.
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GabaritoE — Insuficiência renal crônica, hipertrigliceridemia e hipotiroidismo podem elevar falsamente a HbA1c.
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Diagnóstico de Diabetes Mellitus: critérios e armadilhas
Gabarito: letra E. A insuficiência renal crônica, a hipertrigliceridemia e o hipotireoidismo são condições que podem elevar falsamente a hemoglobina glicada (HbA1c), conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). As demais alternativas apresentam erros conceituais ou valores incorretos, como veremos a seguir.
O diagnóstico de diabetes mellitus (DM) e de pré-diabetes é estabelecido por critérios laboratoriais bem definidos, que incluem a glicemia de jejum, a glicemia 2 horas após sobrecarga oral de 75g de glicose (TTGO-2h), a glicemia 1 hora após sobrecarga (TTGO-1h) e a hemoglobina glicada (HbA1c). Cada um desses exames tem suas particularidades, vantagens e limitações, e é fundamental que o médico conheça os pontos de corte e as situações que podem interferir na interpretação dos resultados.
A hemoglobina glicada reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses e é um exame prático, que não exige jejum. No entanto, sua interpretação pode ser comprometida em diversas situações clínicas que alteram a relação entre a glicemia real e o valor medido. Condições que reduzem a sobrevida das hemácias (como anemias hemolíticas, hemorragias, transfusões) tendem a diminuir falsamente a HbA1c, enquanto condições que aumentam a sobrevida das hemácias ou interferem na glicação da hemoglobina (como insuficiência renal crônica, hipertrigliceridemia, hipotireoidismo, deficiência de ferro) tendem a elevar falsamente a HbA1c. Essa distinção é crucial para a prática clínica e para a interpretação correta dos exames.
O TTGO-1h é um teste mais recente, recomendado pela SBD como superior ao TTGO-2h para diagnóstico de DM2 e detecção de pré-diabetes, por ser mais prático e detectar mais precocemente as alterações. Os pontos de corte são: glicemia ≥ 209 mg/dL para DM2 e ≥ 155 mg/dL para pré-diabetes. O preparo para o TTGO envolve a ingestão de pelo menos 150 gramas de carboidratos por dia, nos três dias prévios ao exame, e não 100 gramas em dois dias, como afirma a alternativa A.
A triagem de DM2 em crianças e adolescentes é recomendada a partir dos 10 anos de idade (ou início da puberdade, se ocorrer antes), e não a partir de 8 anos, como afirma a alternativa D. Além disso, a triagem é indicada para aqueles com sobrepeso/obesidade e pelo menos um fator de risco adicional para DM2.
A HbA1c, apesar de prática e menos afetada por variações diárias, é menos sensível para o diagnóstico em comparação à glicemia de jejum e ao TTGO, e não mais sensível, como afirma a alternativa C. Além disso, ela não considera a variabilidade individual de glicação proteica, o que é uma limitação importante.
Guarde a fronteira entre as condições que elevam e as que diminuem falsamente a HbA1c: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Condição Clínica
Efeito sobre a HbA1c
Mecanismo/Exemplo
Insuficiência renal crônica
Elevação falsa
Aumento da sobrevida das hemácias ou carbamilação da hemoglobina
Hipertrigliceridemia
Elevação falsa
Interferência na dosagem laboratorial
Hipotireoidismo
Elevação falsa
Alteração na glicação proteica
Anemias hemolíticas, hemorragias, transfusões
Redução falsa
Redução da sobrevida das hemácias
Deficiência de ferro, anemia megaloblástica, esplenectomia
Elevação falsa
Aumento da sobrevida das hemácias ou interferência na glicação
HbA1c: interferências
1Elevam falsamente
Insuficiência renal crônica
Hipertrigliceridemia
Hipotireoidismo
Deficiência de ferro
Esplenectomia
2Diminuem falsamente
Anemias hemolíticas
Hemorragias
Transfusões
Eritropoetina
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que, para o TTGO, deve ser feita alimentação nos 2 dias anteriores com pelo menos 100 g de carboidratos por dia. O correto é a ingestão de pelo menos 150 gramas de carboidratos por dia, nos três dias prévios ao exame, para conferir confiabilidade na interpretação do resultado. A restrição de carboidratos pode ocasionar resposta falsamente aumentada à sobrecarga de glicose no TTGO. A alternativa erra tanto no número de dias (2 vs. 3) quanto na quantidade de carboidratos (100 g vs. 150 g).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o ponto de corte para diagnóstico de DM2 no TTGO-1h é glicemia ≥ 207 mg/dL e para pré-diabetes ≥ 155 mg/dL. O valor correto para DM2 é ≥ 209 mg/dL, e não 207 mg/dL. O ponto de corte para pré-diabetes (≥ 155 mg/dL) está correto, mas o erro no valor de DM2 torna a alternativa incorreta. A banca troca o número 209 por 207, uma pegadinha clássica de valor próximo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a HbA1c não leva em conta a variabilidade individual no fenômeno de glicação proteica, mas apresenta maior sensibilidade diagnóstica do que os outros métodos (glicemia de jejum e TTGO). A primeira parte está correta: a HbA1c não considera a variabilidade individual de glicação proteica. No entanto, a segunda parte está errada: a HbA1c é menos sensível para o diagnóstico, e não mais sensível. A glicemia de jejum e o TTGO têm maior sensibilidade para detectar DM2. A alternativa inverte a relação de sensibilidade entre os métodos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Recomenda a triagem de DM2 em crianças e adolescentes a partir de 8 anos de idade, com sobrepeso/obesidade e pelo menos um fator de risco para DM2. O correto é a partir de 10 anos de idade (ou início da puberdade, se ocorrer antes). A triagem é indicada para crianças e adolescentes com sobrepeso/obesidade e pelo menos um fator de risco adicional para DM2, mas a idade mínima é 10 anos, não 8. A alternativa erra a idade mínima para início da triagem.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que insuficiência renal crônica, hipertrigliceridemia e hipotireoidismo podem elevar falsamente a HbA1c. Isso está correto. Essas condições interferem na correlação entre os valores da HbA1c e os níveis reais de glicemia, elevando-a falsamente. A insuficiência renal crônica pode aumentar a sobrevida das hemácias ou causar carbamilação da hemoglobina, interferindo na dosagem. A hipertrigliceridemia pode interferir na dosagem laboratorial, e o hipotireoidismo pode alterar a glicação proteica. Essas situações estão listadas no Quadro 3 das diretrizes da SBD como suscetíveis à alteração da correspondência entre hemoglobina glicada e o verdadeiro valor de glicemia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a sensibilidade da HbA1c (diz que é maior, quando é menor) e trocar valores de corte (207 vs. 209 mg/dL) e idades (8 vs. 10 anos). Fique atento a esses detalhes numéricos e conceituais — eles são os distratores mais comuns nesse tema. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as condições que elevam falsamente a HbA1c, lembre-se de situações que aumentam a sobrevida das hemácias ou interferem na glicação: insuficiência renal crônica, hipertrigliceridemia, hipotireoidismo, deficiência de ferro, anemia megaloblástica, esplenectomia. Já as condições que diminuem falsamente a HbA1c são aquelas que reduzem a sobrevida das hemácias: anemias hemolíticas, hemorragias, transfusões, uso de eritropoetina. Monte uma tabela mental com esses dois grupos e revise antes da prova.