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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2026

MedicinaNeurologia
Código
vu118358
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Fisiatra
São características eletromiográficas das neuropatias agudas desmielinizantes e axonais, respectivamente:
  1. Aprolongamento da latência distal motora (>110% do limite superior da normalidade) e ausência ou redução da persistência das ondas F.
  2. Bfibrilações e ondas agudas positivas e bloqueio de condução e dispersão temporal.
  3. Cbloqueio de condução e dispersão temporal e ausência ou redução da persistência das ondas F.
  4. Dprolongamento da latência distal motora (>110% do limite superior da normalidade) e redução significativa da velocidade de condução motora (<90% do limite inferior da normalidade).
  5. Ebloqueio de condução (redução da amplitude dos potenciais de ação muscular compostos/CMAP proximal ≥ 50% em relação ao distal, com dispersão temporal) e redução das amplitudes dos CMAP e potenciais de ação sensoriais/SNAP com latências e velocidades preservadas.
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GabaritoE — bloqueio de condução (redução da amplitude dos potenciais de ação muscular compostos/CMAP proximal ≥ 50% em relação ao distal, com dispersão temporal) e redução das amplitudes dos CMAP e potenciais de ação sensoriais/SNAP com latências e velocidades preservadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Eletroneuromiografia nas neuropatias agudas: desmielinizante × axonal

Gabarito: letra E. A neuropatia desmielinizante aguda caracteriza-se por bloqueio de condução (redução da amplitude do CMAP proximal ≥ 50% em relação ao distal, com dispersão temporal), enquanto a neuropatia axonal aguda apresenta redução das amplitudes dos CMAP e SNAP com latências e velocidades preservadas — exatamente o que a alternativa E descreve. Essa distinção é o núcleo da eletroneuromiografia (ENMG) na avaliação das polineuropatias agudas.

A eletroneuromiografia é o exame que avalia a integridade funcional do nervo periférico, separando o comprometimento da bainha de mielina (desmielinização) do comprometimento do axônio (degeneração axonal). Essa distinção é fundamental porque define o diagnóstico etiológico, o prognóstico e a conduta. Nas neuropatias desmielinizantes, como a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) e a Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda (PDIA), o ataque autoimune à mielina causa bloqueio de condução e dispersão temporal: a condução do impulso é interrompida ou atrasada em segmentos específicos do nervo, mas o axônio permanece íntegro. Já nas neuropatias axonais, como as tóxicas, metabólicas (diabetes, alcoolismo) e vasculíticas, há degeneração do axônio com perda de fibras nervosas, resultando em redução das amplitudes dos potenciais, mas com velocidades de condução e latências relativamente preservadas — pois as fibras remanescentes conduzem normalmente.

Na prática, o eletroneuromiografista analisa vários parâmetros: latência distal motora (tempo de condução do estímulo até o músculo), velocidade de condução motora e sensitiva, amplitude do CMAP (potencial de ação muscular composto) e do SNAP (potencial de ação sensitivo), ondas F (respostas tardias que avaliam a condução proximal) e a presença de atividade espontânea (fibrilações e ondas agudas positivas) na agulha. Na desmielinização, o achado clássico é o bloqueio de condução: a amplitude do CMAP obtido com estímulo proximal é significativamente menor (≥ 50%) que a obtida com estímulo distal, indicando que parte das fibras não conduz o impulso através do segmento desmielinizado. A dispersão temporal é o alargamento e desdobramento do CMAP proximal, consequência da condução em velocidades diferentes nas fibras afetadas. Na degeneração axonal, o achado predominante é a redução das amplitudes dos CMAP e SNAP, com latências e velocidades preservadas — porque as fibras que sobrevivem conduzem normalmente, mas há menos fibras para gerar potencial. A atividade espontânea (fibrilações e ondas agudas positivas) aparece na agulha após 2-3 semanas da lesão axonal, indicando denervação muscular.

A pegadinha desta questão está em associar corretamente cada achado ao tipo de lesão. A banca mistura parâmetros que são característicos de cada grupo, exigindo que o candidato saiba exatamente o que define o bloqueio de condução (desmielinização) e o que define a redução de amplitude com velocidades preservadas (axonal). Guarde a fronteira: desmielinização = bloqueio de condução + dispersão temporal + lentificação; axonal = redução de amplitude + velocidades/latências preservadas. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Neuropatia Desmielinizante Aguda

Neuropatia Axonal Aguda

Achado eletromiográfico principal

Bloqueio de condução (redução da amplitude do CMAP proximal ≥ 50% em relação ao distal, com dispersão temporal)

Redução das amplitudes dos CMAP e SNAP, com latências e velocidades preservadas

Mecanismo fisiopatológico

Ataque autoimune à bainha de mielina (ex.: SGB/PDIA)

Degeneração do axônio (ex.: tóxicas, metabólicas, vasculíticas)

Velocidade de condução

Lentificada (reduzida)

Preservada ou levemente reduzida

Atividade espontânea na agulha (fibrilações/ondas agudas positivas)

Ausente (ou tardia, se houver lesão axonal secundária)

Presente após 2–3 semanas (denervação muscular)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O prolongamento da latência distal motora (>110% do limite superior da normalidade) é um critério de desmielinização, não de neuropatia axonal. A ausência ou redução da persistência das ondas F é um achado inespecífico, presente em ambos os tipos, mas não é a característica definidora da neuropatia axonal. A alternativa inverte os achados: o prolongamento da latência distal é típico da desmielinização, e a redução das amplitudes com velocidades preservadas é o achado axonal clássico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Fibrilações e ondas agudas positivas são achados de denervação muscular, que aparecem na agulha após 2-3 semanas de lesão axonal — são características de neuropatia axonal, não de desmielinização. Já o bloqueio de condução e dispersão temporal são achados de desmielinização. A alternativa inverte os grupos: fibrilações e ondas agudas positivas são achados axonais, e bloqueio de condução/dispersão temporal são achados desmielinizantes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O bloqueio de condução e dispersão temporal são, de fato, características da neuropatia desmielinizante — corretos para o primeiro grupo. Porém, a ausência ou redução da persistência das ondas F não é a característica definidora da neuropatia axonal. A redução das ondas F pode ocorrer em ambos os tipos, mas o achado axonal clássico é a redução das amplitudes dos CMAP e SNAP com latências e velocidades preservadas. A alternativa acerta o primeiro grupo, mas erra o segundo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O prolongamento da latência distal motora (>110% do limite superior da normalidade) é um critério de desmielinização, correto para o primeiro grupo. Porém, a redução significativa da velocidade de condução motora (<90% do limite inferior da normalidade) também é um critério de desmielinização, não de neuropatia axonal. A alternativa apresenta dois achados desmielinizantes, quando deveria apresentar um achado desmielinizante e um axonal. Na neuropatia axonal, a velocidade de condução é preservada ou apenas levemente reduzida, não significativamente reduzida.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente os achados eletromiográficos de cada tipo. Para a neuropatia desmielinizante aguda, o bloqueio de condução (redução da amplitude do CMAP proximal ≥ 50% em relação ao distal, com dispersão temporal) é o achado característico — a interrupção da condução em segmentos desmielinizados. Para a neuropatia axonal aguda, a redução das amplitudes dos CMAP e SNAP com latências e velocidades preservadas é o achado clássico — a perda de fibras nervosas reduz a amplitude, mas as fibras remanescentes conduzem normalmente. A alternativa espelha exatamente a distinção fisiopatológica entre os dois tipos de lesão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os achados de desmielinização e axonal. O candidato que memoriza "desmielinização = lentificação" e "axonal = redução de amplitude" acerta. Mas a banca troca os grupos: coloca o prolongamento da latência distal (desmielinizante) como se fosse axonal, e a redução de amplitude com velocidades preservadas (axonal) como se fosse desmielinizante. Fique atento: bloqueio de condução e dispersão temporal são desmielinizantes; redução de amplitude com velocidades preservadas é axonal.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental: na desmielinização, o problema é a "capa" do nervo (mielina), então o impulso demora ou não passa — daí a lentificação, o bloqueio de condução e a dispersão temporal. Na axonal, o problema é o "fio" (axônio), então há menos fibras — daí a redução de amplitude, mas as fibras que restam conduzem normal. Na prova, leia a alternativa e pergunte: "o que está errado com o nervo? A capa ou o fio?"

Gabarito: letra E

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