Em 2021 o câncer de mama tornou-se o câncer mais frequentemente diagnosticado no mundo.De acordo com as recomendações para o rastreamento do câncer de mama no Brasil, do Colégio Brasileiro de Radiologia, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, assinale a alternativa correta.
ARecomenda-se que a tomossíntese, quando disponível, seja realizada com a mamografia, mesmo nas mulheres de risco populacional usual.
BRecomenda-se o rastreamento bianual com mamografia para as mulheres a partir dos 50 anos.
CNão se recomenda ultrassonografia como rastreamento suplementar em mulheres com risco habitual, incluindo as com mamas densas.
DPara mulheres com estimativa de risco alto para o câncer de mama, a ultrassonografia deve ser priorizada em relação à ressonância magnética.
EMulheres com mutação patogênica do gene BRCA1 devem realizar a ressonância magnética anualmente, a partir da idade em que o parente de 1o grau desenvolveu a doença.
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GabaritoA — Recomenda-se que a tomossíntese, quando disponível, seja realizada com a mamografia, mesmo nas mulheres de risco populacional usual.
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Rastreamento do câncer de mama: recomendações das sociedades brasileiras
Gabarito: letra A. A recomendação conjunta do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é que a tomossíntese, quando disponível, seja realizada em conjunto com a mamografia, inclusive para mulheres de risco populacional usual. As demais alternativas distorcem as recomendações oficiais sobre faixa etária, periodicidade, métodos suplementares e rastreamento de alto risco.
O rastreamento do câncer de mama é uma das estratégias mais importantes da oncologia preventiva, e o Brasil adota diretrizes específicas que diferem de outras sociedades internacionais. A recomendação vigente no país, alinhada ao INCA, é a mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos, com risco habitual. Essa faixa etária e periodicidade foram definidas com base em evidências de redução de mortalidade, equilibrando benefícios e danos como sobrediagnóstico e resultados falso-positivos.
A tomossíntese, também chamada de mamografia 3D, é uma evolução tecnológica que permite a reconstrução tridimensional da mama, reduzindo a sobreposição de tecidos e aumentando a acurácia diagnóstica, especialmente em mamas densas. A recomendação das sociedades brasileiras é que, quando disponível, ela seja realizada em conjunto com a mamografia convencional (2D), e não como substituta. Isso vale inclusive para mulheres de risco usual, pois a técnica melhora a detecção de lesões e diminui a taxa de reconvocação.
Para mulheres de alto risco, como as portadoras de mutação BRCA1/2, a recomendação é o rastreamento com ressonância magnética anual, geralmente a partir dos 25-30 anos, e não a partir da idade em que o parente de primeiro grau desenvolveu a doença. A ultrassonografia é um método complementar útil em situações específicas, como mamas densas, mas não substitui a ressonância magnética no alto risco, que tem maior sensibilidade.
A distinção central que separa as alternativas é o público-alvo (risco habitual × alto risco) e o método de rastreamento indicado para cada um. A banca explora exatamente essa fronteira: confundir as recomendações para risco habitual com as de alto risco, e inverter a hierarquia dos métodos de imagem.
Critério
Risco habitual
Alto risco (BRCA1/2)
Método principal
Mamografia (bienal)
Ressonância magnética (anual)
Faixa etária
50–69 anos
A partir de 25–30 anos
Complemento
Tomossíntese (quando disponível)
Ultrassonografia (não substitui a RM)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a tomossíntese, quando disponível, deve ser realizada com a mamografia, mesmo em mulheres de risco populacional usual. Essa é a recomendação expressa do CBR, SBM e Febrasgo: a tomossíntese é um complemento à mamografia 2D, e não um exame isolado. A combinação das duas técnicas aumenta a sensibilidade e a especificidade do rastreamento, reduzindo a necessidade de exames adicionais e biópsias desnecessárias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o rastreamento bianual com mamografia é recomendado a partir dos 50 anos. A recomendação brasileira é para mulheres de 50 a 69 anos, ou seja, há um limite superior de idade. A banca omite o teto de 69 anos, o que torna a afirmação incompleta e, portanto, incorreta. Além disso, a periodicidade bienal está correta, mas a faixa etária precisa ser completa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que não se recomenda ultrassonografia como rastreamento suplementar em mulheres com risco habitual, incluindo as com mamas densas. Na prática, a ultrassonografia é um método complementar útil em mamas densas, pois a mamografia tem sensibilidade reduzida nesse grupo. A recomendação não é de uso rotineiro, mas a afirmação de que "não se recomenda" é categórica demais e contraria a prática clínica, que admite a US como complemento em situações específicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que, para mulheres com risco alto, a ultrassonografia deve ser priorizada em relação à ressonância magnética. A hierarquia é inversa: a ressonância magnética é o método de escolha para rastreamento de alto risco, por sua maior sensibilidade. A ultrassonografia é um complemento, mas não substitui a RM. A banca inverte a ordem de prioridade dos métodos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que mulheres com mutação BRCA1 devem realizar ressonância magnética anualmente a partir da idade em que o parente de primeiro grau desenvolveu a doença. A recomendação é iniciar o rastreamento com RM anual a partir dos 25-30 anos, independentemente da idade do familiar afetado. A banca troca o critério de início do rastreamento, que é baseado na idade da paciente, e não na idade do parente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as recomendações para risco habitual e alto risco. Na alternativa E, por exemplo, o candidato pode lembrar que o rastreamento de alto risco começa "10 anos antes da idade do familiar mais jovem", mas a regra para BRCA1/2 é diferente: começa aos 25-30 anos, independentemente da idade do parente. Fique atento a essa distinção.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental: risco habitual → mamografia bienal 50-69 anos; alto risco (BRCA1/2) → RM anual a partir de 25-30 anos; mamas densas → US como complemento. A tomossíntese, quando disponível, é sempre adicionada à mamografia 2D.