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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2026

MedicinaNeurologia
Código
vu118461
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Neurologista
Assinale a alternativa correta sobre morte encefálica (ME).
  1. AHipernatremia grave sempre inviabiliza a determinação de morte encefálica.
  2. BPressão arterial sistólica maior ou igual a 80 mmHg é um pré-requisito.
  3. CDoppler transcraniano pode constatar presença de inatividade elétrica.
  4. DTemperatura corporal (esofagiana, vesical ou retal) maior que 37 ºC.
  5. EA presença de reflexos tendinosos profundos não invalida a determinação de ME.
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GabaritoE — A presença de reflexos tendinosos profundos não invalida a determinação de ME.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Morte encefálica: critérios e armadilhas

Gabarito: letra E. A presença de reflexos tendinosos profundos não invalida a determinação de morte encefálica (ME), pois o diagnóstico se baseia na ausência de funções corticais e de tronco encefálico — os reflexos espinhais (como os tendinosos) podem persistir mesmo com morte encefálica confirmada. As demais alternativas apresentam erros: hipernatremia grave não é contraindicação absoluta, a PAS mínima exigida é ≥ 100 mmHg (não 80), o Doppler transcraniano avalia fluxo sanguíneo (não atividade elétrica) e a temperatura deve ser > 35°C (não > 37°C).

A morte encefálica é definida como a interrupção completa e irreversível das funções encefálicas, mesmo na presença de atividade cardíaca. No Brasil, o diagnóstico segue a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece pré-requisitos rigorosos: causa conhecida do coma compatível com ME, exclusão de fatores de confusão (como sedativos, hipotermia, distúrbios metabólicos), tempo de observação mínimo de 6 horas (24 horas em encefalopatia hipóxico-isquêmica) e estabilidade hemodinâmica e ventilatória. O exame clínico deve demonstrar coma não responsivo, ausência de reflexos de tronco (fotomotor, oculocefálico, vestíbulo-coclear, corneano, de tosse) e apneia persistente, confirmada pelo teste de apneia. Exames complementares (EEG, Doppler transcraniano, arteriografia, cintilografia) são obrigatórios e devem ser realizados por profissionais habilitados.

A distinção crucial que a questão explora é entre reflexos espinhais e reflexos de tronco encefálico. Os reflexos tendinosos profundos (como o patelar) são mediados por arcos reflexos na medula espinhal, que podem permanecer íntegros mesmo após a morte encefálica. Por isso, sua presença não exclui o diagnóstico de ME. Já os reflexos de tronco (fotomotor, oculocefálico, vestíbulo-coclear, corneano, de tosse) devem estar ausentes, pois sua presença indica atividade do tronco encefálico, incompatível com ME. Essa é uma pegadinha clássica: o candidato confunde reflexos espinhais com reflexos de tronco e marca a alternativa como incorreta.

Outro ponto que merece destaque é a temperatura corporal. O protocolo exige temperatura > 35°C (medida por via esofagiana, vesical ou retal) antes da determinação de ME, pois a hipotermia (< 35°C) pode simular ausência de reflexos e confundir o diagnóstico. A alternativa D afirma que a temperatura deve ser > 37°C, o que está errado — o valor correto é > 35°C. A banca troca o limiar de temperatura para induzir o erro.

A pressão arterial também é um pré-requisito: o protocolo recomenda manter PAS ≥ 100 mmHg e PAM ≥ 65 mmHg, preferencialmente com monitorização invasiva. A alternativa B afirma que PAS ≥ 80 mmHg é suficiente, o que está incorreto — o valor mínimo é 100 mmHg. Já a hipernatremia grave (alternativa A) não é contraindicação absoluta para a determinação de ME; o que se exige é a exclusão de distúrbios metabólicos que possam confundir o diagnóstico, mas a hipernatremia isolada não inviabiliza o procedimento. Por fim, o Doppler transcraniano (alternativa C) avalia o fluxo sanguíneo cerebral, não a atividade elétrica — a inatividade elétrica é avaliada pelo EEG. O Doppler mostra padrões de alta resistência vascular (pequenos picos sistólicos sem fluxo diastólico ou fluxo reverberante), que apoiam o diagnóstico de ME.

Guarde a fronteira entre reflexos espinhais e reflexos de tronco, e os valores exatos de temperatura e pressão arterial: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Critério

Exigência correta

Erro da alternativa

Reflexos tendinosos profundos

Podem estar presentes (não invalidam ME)

— (alternativa E, correta)

Pressão arterial sistólica (PAS)

≥ 100 mmHg

≥ 80 mmHg (alternativa B)

Temperatura corporal

> 35 °C

> 37 °C (alternativa D)

Hipernatremia grave

Não é contraindicação absoluta

Inviabiliza sempre (alternativa A)

Doppler transcraniano

Avalia fluxo sanguíneo cerebral

Avalia inatividade elétrica (alternativa C)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipernatremia grave não é contraindicação absoluta para a determinação de ME. O que se exige é a exclusão de fatores de confusão, como distúrbios metabólicos graves, mas a hipernatremia isolada não inviabiliza o diagnóstico. A banca tenta fazer o candidato acreditar que qualquer alteração metabólica impede o procedimento, mas o protocolo permite a determinação após correção ou estabilização do distúrbio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O pré-requisito de pressão arterial é PAS ≥ 100 mmHg (e PAM ≥ 65 mmHg), não ≥ 80 mmHg. O valor de 80 mmHg é insuficiente para garantir perfusão cerebral adequada durante os testes, especialmente o teste de apneia, que pode causar instabilidade hemodinâmica. A banca troca o valor mínimo de PAS para confundir.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Doppler transcraniano avalia o fluxo sanguíneo cerebral, não a atividade elétrica. A inatividade elétrica (silêncio elétrico cerebral) é detectada pelo eletroencefalograma (EEG). O Doppler mostra padrões de alta resistência vascular (pequenos picos sistólicos sem fluxo diastólico ou fluxo reverberante), que indicam ausência de perfusão cerebral e apoiam o diagnóstico de ME. A alternativa confunde o método de avaliação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A temperatura corporal mínima exigida é > 35°C (medida por via esofagiana, vesical ou retal), não > 37°C. A hipotermia (< 35°C) pode simular ausência de reflexos e confundir o diagnóstico, por isso é um fator de exclusão. O valor de 37°C é a temperatura normal, mas o protocolo exige apenas > 35°C para prosseguir com a determinação. A banca troca o limiar de temperatura.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença de reflexos tendinosos profundos (como o patelar) não invalida a determinação de ME, pois esses reflexos são mediados pela medula espinhal, que pode permanecer funcional mesmo após a morte encefálica. O diagnóstico de ME exige ausência de reflexos de tronco encefálico (fotomotor, oculocefálico, vestíbulo-coclear, corneano, de tosse) e apneia persistente, mas reflexos espinhais podem estar presentes. Essa é a alternativa correta, pois reflete a distinção entre reflexos espinhais e de tronco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre reflexos espinhais e reflexos de tronco encefálico. O candidato pode achar que qualquer reflexo presente exclui ME, mas apenas os reflexos de tronco devem estar ausentes. Reflexos tendinosos profundos (patelar, aquileu) são espinhais e podem persistir. Fique atento: a presença de reflexos espinhais não contraindica o diagnóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os valores-chave do protocolo de ME, lembre-se: temperatura > 35°C, PAS ≥ 100 mmHg, PAM ≥ 65 mmHg, SpO2 > 94%, PaCO2 > 55 mmHg no teste de apneia. E distinga: EEG avalia atividade elétrica; Doppler e arteriografia avaliam fluxo sanguíneo. Reflexos espinhais ≠ reflexos de tronco.

Gabarito: letra E

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