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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2026

MedicinaNeurologia
Código
vu118464
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Neurologista
Em relação à distrofia miotônica ou doença de Steinert, assinale alternativa correta.
  1. ADiagnóstico definitivo apenas com biópsia muscular.
  2. BAssociação com endocrinopatias.
  3. CMutação no cromossomo 21.
  4. DForma mais comum de distrofia da infância.
  5. EFraqueza muscular de predomínio proximal dos membros.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Associação com endocrinopatias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distrofia Miotônica (Doença de Steinert)

Gabarito: letra B. A distrofia miotônica tipo 1 (DM1), ou doença de Steinert, é uma doença multissistêmica autossômica dominante que cursa com manifestações endócrinas frequentes, como hipogonadismo, diabetes mellitus, resistência insulínica, disfunção tireoidiana e alterações da paratireoide. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o diagnóstico é genético (não apenas por biópsia), a mutação está no cromossomo 19 (não no 21), não é a forma mais comum de distrofia da infância (essa é a distrofia muscular de Duchenne) e a fraqueza tem predomínio distal (não proximal).

A distrofia miotônica é a distrofia muscular mais comum no adulto, com prevalência estimada em 1:8.000 a 1:20.000. É causada por uma expansão de repetições CTG na região 3' não traduzida do gene DMPK, localizado no cromossomo 19q13.3. Essa expansão leva a um RNA tóxico que interfere no splicing de diversos genes, explicando o caráter multissistêmico da doença. O padrão de herança é autossômico dominante, com fenômeno de antecipação: as repetições tendem a aumentar ao longo das gerações, tornando as manifestações mais precoces e graves nos descendentes.

Clinicamente, a DM1 caracteriza-se por miotonia (dificuldade de relaxamento muscular após contração), fraqueza muscular de predomínio distal (atingindo principalmente músculos da face, pescoço e extremidades), catarata precoce, calvície frontal, distúrbios de condução cardíaca (bloqueios atrioventriculares, arritmias) e, como destaca a alternativa correta, uma ampla gama de endocrinopatias. Entre as alterações endócrinas mais comuns estão o hipogonadismo hipergonadotrófico (com atrofia testicular e infertilidade), a resistência insulínica e o diabetes mellitus tipo 2, o hipotireoidismo ou disfunção tireoidiana subclínica, a hiperparatireoidismo e a deficiência de hormônio do crescimento. Essas manifestações endócrinas são tão frequentes que fazem parte dos critérios diagnósticos e devem ser rastreadas em todo paciente com DM1.

O diagnóstico da DM1 é essencialmente clínico e genético. A biópsia muscular pode mostrar alterações inespecíficas (como fibras angulares, núcleos centrais e predomínio de fibras tipo 1), mas não é necessária para a confirmação, que é feita pelo teste genético molecular que detecta a expansão de repetições CTG. A eletroneuromiografia (ENMG) demonstra miotonia (descargas repetitivas) e miopatia, auxiliando na suspeita. Portanto, a alternativa A está incorreta ao afirmar que o diagnóstico definitivo é apenas por biópsia.

A forma mais comum de distrofia muscular na infância é a distrofia muscular de Duchenne (ligada ao X, mutação no gene da distrofina no cromossomo X), e não a distrofia miotônica. A DM1 pode ter forma congênita (grave, com hipotonia neonatal e insuficiência respiratória), mas essa é rara e não representa a forma mais comum de distrofia da infância. A fraqueza muscular na DM1 tem predomínio distal, acometendo inicialmente músculos da face (fácies miopática, ptose), pescoço (esternocleidomastóideo) e extremidades (mãos e pés), com dificuldade para soltar objetos e andar sobre os calcanhares. A fraqueza proximal é característica de outras miopatias, como as distrofias de cinturas.

A banca explora a confusão entre a distrofia miotônica e outras doenças neuromusculares, especialmente no que diz respeito ao padrão de fraqueza (distal vs. proximal) e à localização cromossômica. É fundamental memorizar que a DM1 é uma doença do cromossomo 19, enquanto a DM2 (proximal) está no cromossomo 3, e que a fraqueza distal é um marco da DM1.

Característica

Distrofia Miotônica (DM1)

Distrofia Muscular de Duchenne (DMD)

Cromossomo afetado

19 (gene DMPK)

X (gene da distrofina)

Padrão de fraqueza

Distal (face, pescoço, extremidades)

Proximal (cinturas pélvica e escapular)

Faixa etária mais comum

Adulto

Infância (3–5 anos)

Diagnóstico definitivo

Teste genético molecular (expansão CTG)

Teste genético (mutação no gene da distrofina)

Manifestações sistêmicas

Multissistêmica (endocrinopatias, catarata, cardíacas)

Principalmente muscular (pseudohipertrofia de panturrilhas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O diagnóstico definitivo da distrofia miotônica é feito por teste genético molecular (detecção da expansão de repetições CTG no gene DMPK), e não apenas por biópsia muscular. A biópsia pode mostrar alterações inespecíficas e não é necessária para confirmar o diagnóstico. A banca tenta induzir o candidato a pensar que a biópsia é o padrão-ouro, mas na prática clínica o teste genético é o exame confirmatório.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A distrofia miotônica é uma doença multissistêmica e as endocrinopatias são manifestações frequentes e bem documentadas. Entre elas, destacam-se o hipogonadismo hipergonadotrófico (atrofia testicular, infertilidade), a resistência insulínica e o diabetes mellitus tipo 2, o hipotireoidismo, a disfunção da paratireoide e a deficiência de GH. Essas alterações endócrinas fazem parte do espectro clínico da doença e devem ser rastreadas, pois impactam diretamente no manejo e na qualidade de vida do paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A mutação causadora da distrofia miotônica tipo 1 está localizada no cromossomo 19 (gene DMPK, região 19q13.3), e não no cromossomo 21. A banca troca o cromossomo para confundir o candidato. Vale lembrar que a trissomia do 21 é a síndrome de Down, e que outras doenças neuromusculares têm outras localizações cromossômicas (ex.: Duchenne no X).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A forma mais comum de distrofia muscular na infância é a distrofia muscular de Duchenne (DMD), que se manifesta por volta dos 3-5 anos com fraqueza proximal, pseudohipertrofia de panturrilhas e elevação de CK. A distrofia miotônica, embora possa ter forma congênita, é mais comum no adulto. A banca inverte a epidemiologia para testar o conhecimento do candidato sobre as distrofias da infância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fraqueza muscular na distrofia miotônica tem predomínio distal, acometendo inicialmente músculos da face, pescoço e extremidades (mãos e pés). A fraqueza proximal é característica de outras miopatias, como as distrofias de cinturas (LGMD) e a polimiosite. A banca troca o padrão de distribuição da fraqueza, um dos pontos mais cobrados em neurologia.

Gabarito: letra B

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