Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2026

MedicinaNeurologia
Código
vu118468
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Neurologista
Em relação à cefaleia na infância, assinale a alternativa correta.
  1. AFotofobia e fonofobia não estão nos critérios diagnósticos.
  2. BTemporalidade pode ser um critério para considerar possíveis causas e investigação complementar.
  3. CGeralmente os ataques têm duração de 30 segundos.
  4. DA migrânea é mais prevalente no sexo feminino.
  5. EEm serviços terciários especializados em cefaleia na infância, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Temporalidade pode ser um critério para considerar possíveis causas e investigação complementar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cefaleia na infância: abordagem diagnóstica e epidemiológica

Gabarito: letra B. A temporalidade da cefaleia — ou seja, o padrão temporal (aguda, aguda recorrente, crônica progressiva, crônica não progressiva) — é um critério fundamental na abordagem diagnóstica da cefaleia na infância, pois orienta a suspeita de causas secundárias e a necessidade de investigação complementar. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou epidemiológicos, como veremos a seguir.

A cefaleia é um sintoma extremamente frequente em crianças e adolescentes, com prevalência anual que pode variar de 40,7% a 82,9%. As cefaleias primárias mais comuns nessa faixa etária são a cefaleia do tipo tensão e a migrânea. As cefaleias secundárias, embora sejam a principal preocupação de médicos e familiares, são causas raras. A classificação da cefaleia em primária ou secundária é o primeiro passo, e a história clínica é a principal ferramenta diagnóstica. Nesse contexto, a temporalidade — ou seja, o padrão de evolução da dor ao longo do tempo — é um dos critérios mais importantes para guiar a investigação. Por exemplo, uma cefaleia aguda e de início súbito pode sugerir uma causa secundária grave, como hemorragia subaracnóidea, enquanto uma cefaleia crônica e progressiva pode indicar hipertensão intracraniana ou lesão expansiva. Por outro lado, uma cefaleia crônica não progressiva, com padrão recorrente, é mais sugestiva de cefaleia primária, como migrânea ou cefaleia do tipo tensão.

A avaliação da criança com cefaleia envolve a obtenção de informações detalhadas sobre a dor, incluindo horário preferencial de ocorrência, fatores desencadeantes, comorbidades e uso de medicamentos. O diário de dor é uma ferramenta útil para o diagnóstico e acompanhamento. Em crianças pequenas, a obtenção de dados pode ser difícil, sendo frequente o uso de informações indiretas, como a inferência de fotofobia ou fonofobia quando a criança procura um lugar escuro e silencioso. A intensidade da dor pode ser avaliada pelo comportamento da criança: leve quando continua brincando, moderada quando mantém atividades mas reclama, e forte quando para de brincar.

A migrânea, uma das principais cefaleias primárias, tem critérios diagnósticos bem definidos pela ICHD-3 (International Classification of Headache Disorders, 3ª edição). A migrânea sem aura é o subtipo mais comum e caracteriza-se por crises de cefaleia com duração de 4 a 72 horas, com pelo menos duas das seguintes características: localização unilateral, caráter pulsátil, intensidade moderada ou forte, e exacerbação por atividades físicas rotineiras. Durante a cefaleia, deve haver pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômitos, ou fotofobia e fonofobia. A migrânea com aura, por sua vez, apresenta sintomas neurológicos focais reversíveis que precedem ou acompanham a cefaleia. A cefaleia do tipo tensão, por outro lado, tem critérios distintos, com duração de 30 minutos a 7 dias, localização bilateral, caráter em pressão/aperto, intensidade fraca ou moderada, e ausência de náusea ou vômito, podendo haver fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas).

A epidemiologia das cefaleias na infância é um ponto frequentemente cobrado. Em estudos populacionais, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente, com prevalência de 20-25%, seguida pela migrânea, com prevalência de 8%. No entanto, em serviços terciários especializados em cefaleia, a migrânea é a mais prevalente, pois é a que mais leva à procura de atendimento especializado. Quanto ao sexo, na infância a prevalência de migrânea é igual entre os sexos, mas a partir da adolescência há predomínio no sexo feminino. Já a cefaleia do tipo tensão tem prevalência igual entre os sexos na infância, com discreto predomínio feminino a partir da adolescência (5:4).

A alternativa B é a correta porque a temporalidade é, de fato, um critério essencial na abordagem diagnóstica. A classificação temporal da cefaleia em aguda, aguda recorrente, crônica progressiva e crônica não progressiva é fundamental para direcionar a investigação. Por exemplo, uma cefaleia crônica progressiva, que piora ao longo do tempo, é um sinal de alerta para causas secundárias, como tumores ou hipertensão intracraniana, exigindo investigação com neuroimagem. Já uma cefaleia aguda recorrente, com crises que se repetem, é mais sugestiva de cefaleia primária, como migrânea. Portanto, a temporalidade é um critério que ajuda a distinguir entre causas primárias e secundárias e a decidir sobre a necessidade de exames complementares.

Cefaleia na infância
  • 1Classificação temporal
    • Aguda
    • Aguda recorrente
    • Crônica progressiva
    • Crônica não progressiva
  • 2Cefaleias primárias
    • Migrânea
      • Duração: 4 a 72h
      • Fotofobia e fonofobia
      • Náusea e/ou vômitos
    • Tensão
      • Duração: 30min a 7 dias
      • Fotofobia ou fonofobia (uma)
  • 3Epidemiologia
    • Populacional: tensão mais prevalente
    • Terciário: migrânea mais prevalente
    • Infância: igual entre sexos
    • Adolescência: predomínio feminino
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que fotofobia e fonofobia não estão nos critérios diagnósticos. Isso é falso. Tanto na migrânea quanto na cefaleia do tipo tensão, fotofobia e fonofobia são sintomas que fazem parte dos critérios diagnósticos. Na migrânea sem aura, a presença de fotofobia e fonofobia é um dos critérios (durante a cefaleia, pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômitos, ou fotofobia e fonofobia). Na cefaleia do tipo tensão, a presença de fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas) é um critério, desde que não haja náusea ou vômito. Portanto, a alternativa está incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a temporalidade pode ser um critério para considerar possíveis causas e investigação complementar. Isso está correto. A temporalidade da cefaleia — ou seja, o padrão de evolução da dor ao longo do tempo — é um dos critérios mais importantes na abordagem diagnóstica. A classificação temporal da cefaleia em aguda, aguda recorrente, crônica progressiva e crônica não progressiva é fundamental para direcionar a investigação. Por exemplo, uma cefaleia crônica progressiva, que piora ao longo do tempo, é um sinal de alerta para causas secundárias, como tumores ou hipertensão intracraniana, exigindo investigação com neuroimagem. Já uma cefaleia aguda recorrente, com crises que se repetem, é mais sugestiva de cefaleia primária, como migrânea. Portanto, a temporalidade é um critério que ajuda a distinguir entre causas primárias e secundárias e a decidir sobre a necessidade de exames complementares.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que geralmente os ataques têm duração de 30 segundos. Isso é falso. A duração dos ataques varia conforme o tipo de cefaleia. Na migrânea, a duração é de 4 a 72 horas. Na cefaleia do tipo tensão, a duração é de 30 minutos a 7 dias. Não há cefaleia primária comum na infância com ataques de 30 segundos. Essa duração é mais característica de neuralgias cranianas, como a neuralgia do trigêmeo, que é rara na infância. Portanto, a alternativa está incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a migrânea é mais prevalente no sexo feminino. Isso é uma generalização incorreta. Na infância, a prevalência de migrânea é igual entre os sexos. A partir da adolescência, há um predomínio no sexo feminino. Portanto, a afirmação de que a migrânea é mais prevalente no sexo feminino, sem especificar a faixa etária, é incorreta. Na infância, a prevalência é igual entre meninos e meninas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que em serviços terciários especializados em cefaleia na infância, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente. Isso é falso. Em estudos populacionais, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente. No entanto, em serviços terciários especializados, a migrânea é a mais prevalente, pois é a que mais leva à procura de atendimento especializado. A migrânea é mais incapacitante e causa maior impacto na qualidade de vida, o que leva os pacientes a buscarem atendimento em serviços de referência. Portanto, a alternativa está incorreta.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu118468