Em relação à cefaleia na infância, assinale a alternativa correta.
AFotofobia e fonofobia não estão nos critérios diagnósticos.
BTemporalidade pode ser um critério para considerar possíveis causas e investigação complementar.
CGeralmente os ataques têm duração de 30 segundos.
DA migrânea é mais prevalente no sexo feminino.
EEm serviços terciários especializados em cefaleia na infância, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente.
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GabaritoB — Temporalidade pode ser um critério para considerar possíveis causas e investigação complementar.
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Cefaleia na infância: abordagem diagnóstica e epidemiológica
Gabarito: letra B. A temporalidade da cefaleia — ou seja, o padrão temporal (aguda, aguda recorrente, crônica progressiva, crônica não progressiva) — é um critério fundamental na abordagem diagnóstica da cefaleia na infância, pois orienta a suspeita de causas secundárias e a necessidade de investigação complementar. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou epidemiológicos, como veremos a seguir.
A cefaleia é um sintoma extremamente frequente em crianças e adolescentes, com prevalência anual que pode variar de 40,7% a 82,9%. As cefaleias primárias mais comuns nessa faixa etária são a cefaleia do tipo tensão e a migrânea. As cefaleias secundárias, embora sejam a principal preocupação de médicos e familiares, são causas raras. A classificação da cefaleia em primária ou secundária é o primeiro passo, e a história clínica é a principal ferramenta diagnóstica. Nesse contexto, a temporalidade — ou seja, o padrão de evolução da dor ao longo do tempo — é um dos critérios mais importantes para guiar a investigação. Por exemplo, uma cefaleia aguda e de início súbito pode sugerir uma causa secundária grave, como hemorragia subaracnóidea, enquanto uma cefaleia crônica e progressiva pode indicar hipertensão intracraniana ou lesão expansiva. Por outro lado, uma cefaleia crônica não progressiva, com padrão recorrente, é mais sugestiva de cefaleia primária, como migrânea ou cefaleia do tipo tensão.
A avaliação da criança com cefaleia envolve a obtenção de informações detalhadas sobre a dor, incluindo horário preferencial de ocorrência, fatores desencadeantes, comorbidades e uso de medicamentos. O diário de dor é uma ferramenta útil para o diagnóstico e acompanhamento. Em crianças pequenas, a obtenção de dados pode ser difícil, sendo frequente o uso de informações indiretas, como a inferência de fotofobia ou fonofobia quando a criança procura um lugar escuro e silencioso. A intensidade da dor pode ser avaliada pelo comportamento da criança: leve quando continua brincando, moderada quando mantém atividades mas reclama, e forte quando para de brincar.
A migrânea, uma das principais cefaleias primárias, tem critérios diagnósticos bem definidos pela ICHD-3 (International Classification of Headache Disorders, 3ª edição). A migrânea sem aura é o subtipo mais comum e caracteriza-se por crises de cefaleia com duração de 4 a 72 horas, com pelo menos duas das seguintes características: localização unilateral, caráter pulsátil, intensidade moderada ou forte, e exacerbação por atividades físicas rotineiras. Durante a cefaleia, deve haver pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômitos, ou fotofobia e fonofobia. A migrânea com aura, por sua vez, apresenta sintomas neurológicos focais reversíveis que precedem ou acompanham a cefaleia. A cefaleia do tipo tensão, por outro lado, tem critérios distintos, com duração de 30 minutos a 7 dias, localização bilateral, caráter em pressão/aperto, intensidade fraca ou moderada, e ausência de náusea ou vômito, podendo haver fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas).
A epidemiologia das cefaleias na infância é um ponto frequentemente cobrado. Em estudos populacionais, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente, com prevalência de 20-25%, seguida pela migrânea, com prevalência de 8%. No entanto, em serviços terciários especializados em cefaleia, a migrânea é a mais prevalente, pois é a que mais leva à procura de atendimento especializado. Quanto ao sexo, na infância a prevalência de migrânea é igual entre os sexos, mas a partir da adolescência há predomínio no sexo feminino. Já a cefaleia do tipo tensão tem prevalência igual entre os sexos na infância, com discreto predomínio feminino a partir da adolescência (5:4).
A alternativa B é a correta porque a temporalidade é, de fato, um critério essencial na abordagem diagnóstica. A classificação temporal da cefaleia em aguda, aguda recorrente, crônica progressiva e crônica não progressiva é fundamental para direcionar a investigação. Por exemplo, uma cefaleia crônica progressiva, que piora ao longo do tempo, é um sinal de alerta para causas secundárias, como tumores ou hipertensão intracraniana, exigindo investigação com neuroimagem. Já uma cefaleia aguda recorrente, com crises que se repetem, é mais sugestiva de cefaleia primária, como migrânea. Portanto, a temporalidade é um critério que ajuda a distinguir entre causas primárias e secundárias e a decidir sobre a necessidade de exames complementares.
Cefaleia na infância
1Classificação temporal
Aguda
Aguda recorrente
Crônica progressiva
Crônica não progressiva
2Cefaleias primárias
Migrânea
Duração: 4 a 72h
Fotofobia e fonofobia
Náusea e/ou vômitos
Tensão
Duração: 30min a 7 dias
Fotofobia ou fonofobia (uma)
3Epidemiologia
Populacional: tensão mais prevalente
Terciário: migrânea mais prevalente
Infância: igual entre sexos
Adolescência: predomínio feminino
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que fotofobia e fonofobia não estão nos critérios diagnósticos. Isso é falso. Tanto na migrânea quanto na cefaleia do tipo tensão, fotofobia e fonofobia são sintomas que fazem parte dos critérios diagnósticos. Na migrânea sem aura, a presença de fotofobia e fonofobia é um dos critérios (durante a cefaleia, pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômitos, ou fotofobia e fonofobia). Na cefaleia do tipo tensão, a presença de fotofobia ou fonofobia (apenas uma delas) é um critério, desde que não haja náusea ou vômito. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a temporalidade pode ser um critério para considerar possíveis causas e investigação complementar. Isso está correto. A temporalidade da cefaleia — ou seja, o padrão de evolução da dor ao longo do tempo — é um dos critérios mais importantes na abordagem diagnóstica. A classificação temporal da cefaleia em aguda, aguda recorrente, crônica progressiva e crônica não progressiva é fundamental para direcionar a investigação. Por exemplo, uma cefaleia crônica progressiva, que piora ao longo do tempo, é um sinal de alerta para causas secundárias, como tumores ou hipertensão intracraniana, exigindo investigação com neuroimagem. Já uma cefaleia aguda recorrente, com crises que se repetem, é mais sugestiva de cefaleia primária, como migrânea. Portanto, a temporalidade é um critério que ajuda a distinguir entre causas primárias e secundárias e a decidir sobre a necessidade de exames complementares.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que geralmente os ataques têm duração de 30 segundos. Isso é falso. A duração dos ataques varia conforme o tipo de cefaleia. Na migrânea, a duração é de 4 a 72 horas. Na cefaleia do tipo tensão, a duração é de 30 minutos a 7 dias. Não há cefaleia primária comum na infância com ataques de 30 segundos. Essa duração é mais característica de neuralgias cranianas, como a neuralgia do trigêmeo, que é rara na infância. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a migrânea é mais prevalente no sexo feminino. Isso é uma generalização incorreta. Na infância, a prevalência de migrânea é igual entre os sexos. A partir da adolescência, há um predomínio no sexo feminino. Portanto, a afirmação de que a migrânea é mais prevalente no sexo feminino, sem especificar a faixa etária, é incorreta. Na infância, a prevalência é igual entre meninos e meninas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que em serviços terciários especializados em cefaleia na infância, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente. Isso é falso. Em estudos populacionais, a cefaleia do tipo tensão é a mais prevalente. No entanto, em serviços terciários especializados, a migrânea é a mais prevalente, pois é a que mais leva à procura de atendimento especializado. A migrânea é mais incapacitante e causa maior impacto na qualidade de vida, o que leva os pacientes a buscarem atendimento em serviços de referência. Portanto, a alternativa está incorreta.