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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2026

MedicinaNeurologia
Código
vu118470
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Neurologista
Paciente, 62 anos, iniciou declínio cognitivo progressivo e rápido há 3 meses, com alterações de comportamento, alucinações visuais, mioclonias e episódios de rigidez. Ao exame físico, notou lentificação do pensamento, mioclonias e apraxia.O que pode ser encontrado, nos exames complementares, se a suspeita diagnóstica for a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)?
  1. ARessonância crânio com hipersinal cortical difuso em DWI.
  2. BLíquor com pleocitose e hiperproteinorraquia.
  3. CEletroencefalograma com predomínio de ondas beta.
  4. DVitamina B12 sérica sempre baixa.
  5. ETomografia computadorizada do crânio com atrofia cerebelar.
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GabaritoA — Ressonância crânio com hipersinal cortical difuso em DWI.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Creutzfeldt-Jakob: diagnóstico por imagem e exames complementares

Gabarito: letra A. Na doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), a ressonância magnética (RM) de crânio tipicamente revela hipersinal cortical difuso e/ou nos gânglios da base nas sequências de difusão (DWI) e FLAIR, o chamado sinal da "fita cortical". As demais alternativas descrevem achados que não são característicos da DCJ: o líquor costuma ser normal (não há pleocitose), o EEG mostra complexos periódicos (não predomínio de beta), a vitamina B12 não é o biomarcador da doença e a TC não é o exame de escolha para o diagnóstico.

A DCJ é uma encefalopatia espongiforme transmissível, causada por uma proteína priônica mal enovelada que se acumula no cérebro, levando a degeneração neuronal rápida e progressiva. O quadro clínico clássico é de demência rapidamente progressiva (em semanas a meses), associada a mioclonias (presentes em cerca de 90% dos pacientes), alterações de comportamento, alucinações visuais e sinais cerebelares ou piramidais. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas os exames complementares são fundamentais para confirmar a suspeita e excluir outras causas tratáveis de demência rapidamente progressiva.

O exame de imagem de escolha é a ressonância magnética (RM) de crânio, que mostra alterações características nas sequências de difusão (DWI) e FLAIR. O achado mais típico é o hipersinal cortical difuso, descrito como "fita cortical" (cortical ribboning), que acomete preferencialmente os lobos frontal, parietal e temporal, além de hipersinal nos gânglios da base (caudado e putâmen). Esses achados refletem a degeneração espongiforme e o edema citotóxico neuronal. A tomografia computadorizada (TC) é pouco sensível e geralmente normal ou mostra apenas atrofia inespecífica, não sendo útil para o diagnóstico precoce.

O líquido cefalorraquidiano (LCR) na DCJ é tipicamente normal no exame de rotina — sem pleocitose, sem hiperproteinorraquia e com glicose normal. O que se pesquisa no LCR são biomarcadores específicos, como a proteína 14-3-3 (liberada quando há morte neuronal rápida) e, mais recentemente, o RT-QuIC (real-time quaking-induced conversion), que detecta diretamente a proteína priônica e é considerado mais sensível e específico. A presença de pleocitose e hiperproteinorraquia sugere, na verdade, um processo inflamatório ou infeccioso, como uma encefalite viral ou autoimune — diagnósticos diferenciais importantes da DCJ.

O eletroencefalograma (EEG) na DCJ mostra um padrão característico de complexos periódicos de ondas agudas (sharp waves), geralmente a cada 0,5 a 1 segundo, associados a lentificação difusa do ritmo de base. Esse padrão é tão típico que faz parte dos critérios diagnósticos, mas pode estar ausente em fases iniciais ou em algumas variantes. O predomínio de ondas beta (ritmo rápido) é um achado normal ou associado ao uso de benzodiazepínicos, não tendo relação com a DCJ.

A vitamina B12 é um exame importante na investigação de demências, pois sua deficiência pode causar declínio cognitivo tratável. No entanto, na DCJ, a dosagem sérica de B12 é normal — não há relação fisiopatológica entre a doença priônica e a vitamina. A alternativa que afirma "sempre baixa" é um distrator clássico, confundindo a investigação de demência reversível com o diagnóstico específico da DCJ.

A tomografia computadorizada (TC) de crânio não é o exame de imagem ideal para a DCJ. Ela pode mostrar atrofia cerebral difusa em fases avançadas, mas não demonstra as alterações de sinal características vistas na RM. A atrofia cerebelar, especificamente, não é um achado típico da DCJ esporádica — embora ataxia cerebelar possa ocorrer em um terço dos pacientes, a atrofia cerebelar proeminente na neuroimagem é mais associada a outras condições, como ataxias espinocerebelares ou degeneração cerebelar paraneoplásica.

Guarde a tríade diagnóstica da DCJ: demência rapidamente progressiva + mioclonia + EEG com complexos periódicos, confirmada pela RM com hipersinal em DWI/FLAIR e, se necessário, pelo LCR com proteína 14-3-3 ou RT-QuIC positivo. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Exame Complementar

Achado na DCJ

Observação

Ressonância magnética (RM)

Hipersinal cortical difuso em DWI/FLAIR ("fita cortical")

Exame de imagem de escolha; pode haver hipersinal em gânglios da base

Líquido cefalorraquidiano (LCR)

Normal na rotina (sem pleocitose/hiperproteinorraquia)

Pesquisar biomarcadores: proteína 14-3-3 e RT-QuIC

Eletroencefalograma (EEG)

Complexos periódicos de ondas agudas (sharp waves)

Ritmo de base lentificado; faz parte dos critérios diagnósticos

Vitamina B12 sérica

Normal

Não é biomarcador da doença; dosagem faz parte da investigação de demências reversíveis

Tomografia computadorizada (TC)

Geralmente normal ou atrofia inespecífica

Não é o exame de escolha; não mostra as alterações de sinal da RM

1Clínica
Demência rapidamente progressiva
Mioclonias
Alucinações visuais
2RM (DWI/FLAIR)
Hipersinal cortical difuso
Hipersinal em gânglios da base
3EEG
Complexos periódicos
Lentificação difusa
4LCR
Rotina normal
Proteína 14-3-3
RT-QuIC
Doença de Creutzfeldt-Jakob
LEVELsoulevel.com.br
Doença de Creutzfeldt-Jakob: Clínica (Demência rapidamente progressiva, Mioclonias, Alucinações visuais); RM (DWI/FLAIR) (Hipersinal cortical difuso, Hipersinal em gânglios da base); EEG (Complexos periódicos, Lentificação difusa); LCR (Rotina normal, Proteína 14-3-3, RT-QuIC)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A RM de crânio com hipersinal cortical difuso em DWI é o achado de imagem mais característico da DCJ. A restrição à difusão reflete o edema citotóxico e a degeneração espongiforme do córtex cerebral, aparecendo como uma "fita cortical" hiperintensa nas sequências DWI e FLAIR. Esse padrão, especialmente quando associado a hipersinal nos gânglios da base, é altamente sugestivo da doença e faz parte dos critérios diagnósticos atuais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O LCR na DCJ é normal no exame de rotina — sem pleocitose e sem hiperproteinorraquia. A presença desses achados sugere um processo inflamatório, infeccioso ou autoimune, como encefalite viral, meningite crônica ou encefalopatia autoimune, que são diagnósticos diferenciais importantes. O que se pesquisa no LCR da DCJ são biomarcadores específicos (proteína 14-3-3, RT-QuIC), não alterações inflamatórias inespecíficas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O EEG na DCJ mostra complexos periódicos de ondas agudas (sharp waves) sobre um ritmo de base lentificado, não predomínio de ondas beta. O ritmo beta difuso é um achado normal ou associado ao uso de medicações sedativas (como benzodiazepínicos). O padrão periódico é tão característico que integra os critérios diagnósticos da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A vitamina B12 sérica não é um biomarcador da DCJ e não há razão para estar "sempre baixa". A dosagem de B12 faz parte da investigação de demências para excluir causas reversíveis (deficiência de B12 pode causar declínio cognitivo), mas na DCJ o valor é normal. A alternativa confunde a investigação geral de demência com o diagnóstico específico da doença priônica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A TC de crânio não é o exame de escolha para a DCJ e a atrofia cerebelar não é um achado típico. A TC pode mostrar atrofia cerebral difusa em fases avançadas, mas não demonstra as alterações de sinal vistas na RM (hipersinal cortical em DWI/FLAIR). A atrofia cerebelar proeminente é mais associada a ataxias espinocerebelares ou degeneração cerebelar paraneoplásica, não à DCJ esporádica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a investigação geral de demência e o diagnóstico específico da DCJ. A alternativa D (vitamina B12) parece plausível porque a deficiência de B12 é uma causa reversível de demência que deve ser rastreada — mas a questão pergunta especificamente o que se encontra na DCJ, e nela a B12 é normal. Da mesma forma, a alternativa B (pleocitose) confunde a DCJ com encefalites inflamatórias. Fique atento: na DCJ, o LCR é normal e o EEG mostra complexos periódicos, não ritmo beta.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os achados da DCJ, lembre da tríade: RM com fita cortical (DWI) + EEG com complexos periódicos + LCR normal (com 14-3-3 ou RT-QuIC positivo). Na prova, desconfie de alternativas que descrevem LCR inflamatório ou EEG com ritmo rápido — esses são os distratores clássicos.

Gabarito: letra A

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