Pacientes com câncer e com expectativa de vida de semanas ou dias, em cuidados paliativos exclusivos, frequentemente apresentam anorexia e caquexia. Tendo sido afastada a possibilidade de obstrução intestinal, são intervenções apropriadas:
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Síndrome da Caquexia-Anorexia no Paciente Oncológico em Cuidados Paliativos Exclusivos
Gabarito: letra D. Em pacientes com câncer avançado, em cuidados paliativos exclusivos, com expectativa de vida de semanas ou dias, a abordagem da anorexia-caquexia deve focar no controle sintomático e na melhora da qualidade de vida, utilizando metoclopramida (procinético, alivia náuseas e saciedade precoce), olanzapina (antipsicótico atípico, estimula apetite e controla náuseas) e dexametasona (corticosteroide, melhora apetite, náuseas e bem-estar). A nutrição artificial (enteral ou parenteral) não é recomendada nesse cenário, pois não há evidência de benefício e pode causar complicações. Essa conduta está alinhada com os princípios dos cuidados paliativos, que priorizam o conforto e a dignidade do paciente.
A síndrome da caquexia-anorexia (SCA) é uma condição multifatorial comum em pacientes com câncer avançado, caracterizada por perda de peso involuntária, atrofia muscular e anorexia, mediada por citocinas pró-inflamatórias como TNF-alfa e IL-6. No contexto de cuidados paliativos exclusivos, o objetivo do tratamento não é reverter a caquexia, mas sim aliviar sintomas como náusea, dor e falta de apetite, melhorando a qualidade de vida. A nutrição artificial (enteral ou parenteral) é considerada fútil nessa fase, pois não prolonga a vida com qualidade e pode causar complicações como infecções, diarreia e desconforto. A via oral deve ser mantida sempre que possível, mesmo que em pequenas quantidades, para satisfazer o desejo do paciente.
O manejo farmacológico da SCA inclui agentes que estimulam o apetite e controlam sintomas. Os progestágenos (acetato de megestrol) aumentam o apetite e o ganho de peso, mas principalmente de massa gorda. Os corticosteroides (dexametasona) melhoram o apetite, náuseas e a sensação de bem-estar. Os procinéticos (metoclopramida) aliviam a saciedade precoce e náuseas. Antipsicóticos atípicos como a olanzapina têm mostrado benefício no estímulo do apetite e no controle de náuseas. A combinação dessas drogas é frequentemente utilizada, como na alternativa D.
A distinção crucial é entre o tratamento farmacológico sintomático e a nutrição artificial. Enquanto a primeira é apropriada e recomendada, a segunda é contraindicada em pacientes com expectativa de vida de semanas ou dias, a menos que haja uma causa reversível (como obstrução intestinal tratável). No caso descrito, a obstrução intestinal foi afastada, e a nutrição artificial não traria benefícios. A alternativa D é a única que apresenta uma combinação de fármacos com evidência de benefício sintomático nesse cenário.
A pegadinha da banca está em oferecer opções que parecem razoáveis (como nutrição enteral ou parenteral) ou que tratam de outros sintomas (como opioides para dor), mas que não são apropriadas para a anorexia-caquexia em cuidados paliativos exclusivos. O candidato deve lembrar que, nessa fase, o foco é o conforto, não a nutrição agressiva.
Benzodiazepínicos e opioides são utilizados para controle de ansiedade e dor, respectivamente, mas não são intervenções específicas para anorexia-caquexia. Eles não estimulam o apetite nem tratam a náusea crônica associada à síndrome. O uso de opioides pode até piorar a náusea e a constipação, agravando o quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A nutrição parenteral total (NPT) é contraindicada em pacientes com expectativa de vida de semanas ou dias, pois não há evidência de benefício na sobrevida ou qualidade de vida, e pode causar complicações como infecção de cateter, sobrecarga hídrica e distúrbios metabólicos. A NPT é reservada para situações de falência intestinal ou quando há possibilidade de reversão do quadro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A nutrição enteral (NE) também não é recomendada nesse cenário. Embora seja menos invasiva que a parenteral, a NE não melhora a sobrevida nem a qualidade de vida em pacientes com caquexia avançada, e pode causar desconforto, diarreia e risco de broncoaspiração. A via oral deve ser mantida, mas a NE não é indicada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A combinação de metoclopramida (procinético, alivia náuseas e saciedade precoce), olanzapina (antipsicótico atípico, estimula apetite e controla náuseas) e dexametasona (corticosteroide, melhora apetite, náuseas e bem-estar) é uma abordagem farmacológica apropriada para a anorexia-caquexia em cuidados paliativos. Esses fármacos atuam em diferentes vias da síndrome, proporcionando alívio sintomático e melhora da qualidade de vida, sem os riscos da nutrição artificial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Octreotide é um análogo da somatostatina utilizado para controlar secreções e sintomas de obstrução intestinal, mas como a obstrução foi afastada, não é indicado. Opioides são para dor, não para anorexia. Essa combinação não aborda os sintomas centrais da caquexia-anorexia.
Gabarito: letra D — a única alternativa que apresenta intervenções farmacológicas apropriadas para o controle sintomático da anorexia-caquexia em cuidados paliativos exclusivos.