Em pacientes com câncer de orofaringe, relacionados ao Papilomavirus humano (HPV), é correto afirmar:
Ao tipo de HPV mais comum é o 34.
Bgeralmente estão associados ao tabagismo.
Capesar do bom prognóstico, a chance de cura não se altera.
Dsão mais frequentes em mulheres idosas.
Eapresentam em geral melhor prognóstico.
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GabaritoE — apresentam em geral melhor prognóstico.
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Câncer de orofaringe associado ao HPV
Gabarito: letra E. Os cânceres de orofaringe associados ao HPV (papilomavírus humano) apresentam, em geral, melhor prognóstico quando comparados aos tumores HPV-negativos, devido a um perfil biológico distinto e a uma melhor resposta ao tratamento. Essa é uma característica amplamente reconhecida na oncologia de cabeça e pescoço, e o contexto clínico confirma: "O prognóstico para a doença associada ao HPV é habitualmente melhor."
O câncer de orofaringe é um tipo de tumor de cabeça e pescoço que pode ser causado tanto pelo tabagismo e etilismo quanto pela infecção pelo HPV. Essa distinção etiológica é fundamental, pois define dois grupos de pacientes com características clínicas, moleculares e prognósticas muito diferentes. Os tumores HPV-positivos, que têm se tornado cada vez mais comuns, apresentam um perfil molecular distinto: exibem TP53 de tipo selvagem (não mutado) e aumento da expressão da proteína p16-INK4a, um marcador que, quando expresso em mais de 70% das células por imuno-histoquímica, estabelece o diagnóstico de doença HPV-positiva. Já os tumores HPV-negativos estão associados a mutações no gene supressor TP53 e à diminuição da expressão de p16.
Essa diferença molecular se traduz em comportamento clínico distinto. Os pacientes com câncer de orofaringe HPV-positivo são, em geral, mais jovens, têm menos comorbidades relacionadas ao tabaco e ao álcool, e respondem melhor à quimiorradioterapia. Por isso, o prognóstico é significativamente melhor, com maiores taxas de sobrevida e de cura. O estadiamento TNM da AJCC (American Joint Committee on Cancer), em sua oitava edição, inclusive incorpora o status do HPV no sistema de estadiamento para a base da língua e tonsilas, refletindo a importância prognóstica dessa informação. A apresentação clínica típica é com aumento de linfonodos cervicais, que frequentemente são maiores que a lesão primária, o que pode levar ao diagnóstico em estágio localmente avançado, mas ainda assim com bom prognóstico quando associado ao HPV.
A banca explora exatamente o contraste entre os dois grupos etiológicos. A alternativa correta (E) afirma o melhor prognóstico dos tumores HPV-positivos, enquanto as alternativas incorretas tentam confundir o candidato com características que se aplicam aos tumores HPV-negativos ou com informações incorretas sobre o HPV. É crucial, portanto, dominar as diferenças entre os cânceres de orofaringe HPV-positivos e HPV-negativos, pois é nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Câncer de orofaringe
1HPV-positivo
Melhor prognóstico
Maior resposta à QT/RT
TP53 selvagem, p16+
Homem jovem, sem tabagismo
HPV 16/18
2HPV-negativo
Pior prognóstico
TP53 mutado, p16-
Associado a tabaco e álcool
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o tipo de HPV mais comum é o 34. Isso está incorreto. Os tipos de HPV mais comumente associados ao câncer de orofaringe (e a outros cânceres anogenitais) são o 16 e o 18, que são classificados como de alto risco oncogênico. O tipo 34, conforme o contexto, é classificado como de risco indeterminado para oncogenicidade, não sendo o mais comum em tumores de orofaringe. A banca troca o tipo viral mais prevalente por um tipo menos comum e de significado clínico incerto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os cânceres de orofaringe associados ao HPV geralmente estão associados ao tabagismo. Isso é incorreto. Embora o tabagismo seja um fator de risco clássico para o câncer de cabeça e pescoço, os tumores HPV-positivos têm uma associação muito mais forte com a atividade sexual (transmissão do HPV) do que com o tabaco. O perfil típico do paciente com tumor HPV-positivo é o de um homem mais jovem, sem histórico significativo de tabagismo. A associação com o tabagismo é característica dos tumores HPV-negativos. A alternativa inverte a associação etiológica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, apesar do bom prognóstico, a chance de cura não se altera. Isso é contraditório e incorreto. O melhor prognóstico dos tumores HPV-positivos se traduz, na prática, em maiores taxas de cura e de sobrevida quando comparados aos tumores HPV-negativos. A afirmação de que a chance de cura "não se altera" nega exatamente o principal impacto clínico do status do HPV. A biologia mais favorável e a melhor resposta ao tratamento resultam em melhor desfecho, incluindo maior chance de cura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os cânceres de orofaringe associados ao HPV são mais frequentes em mulheres idosas. Isso está incorreto. O perfil epidemiológico clássico do paciente com câncer de orofaringe HPV-positivo é o de homens mais jovens (geralmente entre 40 e 60 anos), sem histórico significativo de tabagismo ou etilismo. A alternativa descreve um perfil que não corresponde à realidade da doença, invertendo tanto o sexo quanto a faixa etária predominante.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que os cânceres de orofaringe associados ao HPV apresentam, em geral, melhor prognóstico. Esta é a afirmação correta. O contexto clínico é explícito: "O prognóstico para a doença associada ao HPV é habitualmente melhor." Essa diferença se deve a um perfil biológico mais favorável (TP53 selvagem, maior expressão de p16), a uma melhor resposta à quimiorradioterapia e a um perfil de pacientes com menos comorbidades relacionadas ao tabaco e ao álcool. O melhor prognóstico se reflete em maiores taxas de sobrevida e de cura, sendo uma característica fundamental no manejo desses pacientes.