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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2026

MedicinaOncologia
Código
vu118565
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Oncologista
Paciente de 68 anos de idade, do sexo feminino, com diagnóstico de tumor neuroendócrino bem diferenciado do trato gastrintestinal ressecado, com metástases hepáticas não ressecáveis, apresenta crises de rubor facial, dor abdominal e diarreia. A dosagem de 5HIA em urina de 24 horas é 240 mg/24h (normal de 2 a 9 mg/24h).Nesse caso,
  1. Atrata-se de síndrome carcinoide, tem indicação de uso de ocreotida ou lanreotida.
  2. Bé necessário repetir o teste com dieta adequada, provavelmente é um falso positivo.
  3. Co mais provável é insuficiência de pâncreas exócrino, pancreatina é o tratamento inicial.
  4. Dpara controle dos sintomas, dieta pobre em triptofano é o tratamento inicial.
  5. Epara controle dos sintomas, a conduta inicial é a embolização hepática.
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GabaritoA — trata-se de síndrome carcinoide, tem indicação de uso de ocreotida ou lanreotida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Carcinoide e Tumores Neuroendócrinos

Gabarito: letra A. A paciente apresenta síndrome carcinoide clássica — tumor neuroendócrino bem diferenciado do trato gastrointestinal com metástases hepáticas, crises de rubor facial, diarreia e 5-HIAA urinário de 24h muito elevado (240 mg/24h, normal 2–9 mg/24h) — e, nesse cenário, o tratamento de primeira linha para controle dos sintomas é o análogo da somatostatina (octreotida ou lanreotida). A alternativa A está correta.

A síndrome carcinoide é um conjunto de sintomas causado pela liberação excessiva de serotonina e outros peptídeos vasoativos por um tumor neuroendócrino (carcinoide). O quadro clássico inclui rubor facial (flushing), diarreia secretora, dor abdominal e, em fases avançadas, doença valvar cardíaca direita (fibrose endocárdica) e broncoespasmo. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA), principal metabólito da serotonina, em urina de 24 horas — valores acima de 25–30 mg/24h são altamente sugestivos, e o valor de 240 mg/24h desta paciente é francamente diagnóstico.

A fisiopatologia explica por que as metástases hepáticas são tão importantes: a serotonina produzida pelo tumor primário no intestino é normalmente metabolizada pelo fígado (primeira passagem hepática). Quando há metástases hepáticas volumosas, a serotonina escapa da metabolização e ganha a circulação sistêmica, causando os sintomas. Por isso, a síndrome carcinoide clinicamente manifesta é quase sempre associada a doença metastática hepática.

O tratamento da síndrome carcinoide tem dois objetivos: controle dos sintomas e controle do crescimento tumoral. Para o controle sintomático, os análogos da somatostatina (octreotida e lanreotida) são a primeira linha — eles se ligam aos receptores de somatostatina (SSTR) presentes na superfície das células tumorais e inibem a liberação de serotonina e outros hormônios, reduzindo rubor e diarreia na grande maioria dos pacientes. Além do controle sintomático, os análogos também têm efeito antiproliferativo, com aumento do tempo de progressão tumoral (evidência do estudo PROMID para tumores de intestino médio). Outras opções para doença progressiva incluem everolimo, sunitinibe, terapias com radionuclídeos peptídicos (PRRT, como o Lutécio-177-DOTATATE) e, para metástases hepáticas dominantes, embolização ou radioembolização hepática — mas estas são opções de segunda linha ou para casos selecionados, não a conduta inicial.

A pegadinha central desta questão é o diagnóstico diferencial da diarreia crônica com rubor. A banca oferece alternativas que seriam plausíveis em outros contextos: insuficiência pancreática exócrina (cursa com esteatorreia, mas não com rubor nem 5-HIAA elevado), falso positivo do 5-HIAA (que ocorre com ingestão de alimentos ricos em triptofano, como banana, abacaxi, nozes, ou uso de certos medicamentos — mas aqui o valor é altíssimo e o quadro clínico é típico), e dieta pobre em triptofano (que não é tratamento padrão). O reconhecimento da síndrome carcinoide clássica e a indicação de análogo da somatostatina como primeira linha é o que separa a alternativa correta das demais.

Guarde a tríade que decide esta questão: tumor neuroendócrino + metástases hepáticas + rubor + diarreia + 5-HIAA elevado = síndrome carcinoide → análogo da somatostatina (octreotida/lanreotida) como primeira linha. É exatamente esse raciocínio que as alternativas testam.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente tem síndrome carcinoide clássica: tumor neuroendócrino bem diferenciado do trato gastrointestinal com metástases hepáticas não ressecáveis, crises de rubor facial, dor abdominal, diarreia e 5-HIAA urinário de 24h de 240 mg/24h (normal 2–9 mg/24h) — valor altamente elevado e diagnóstico. O tratamento de primeira linha para controle dos sintomas da síndrome carcinoide é o análogo da somatostatina, octreotida ou lanreotida, que inibe a liberação de serotonina e outros peptídeos vasoativos pelo tumor, aliviando rubor e diarreia. A alternativa espelha exatamente a conduta recomendada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa sugere que o teste é falso positivo e deve ser repetido com dieta adequada. Embora o 5-HIAA urinário possa ter falsos positivos com ingestão de alimentos ricos em triptofano (banana, abacaxi, nozes, kiwi) ou medicamentos (como guaifenesina, salicilatos, L-dopa), o valor de 240 mg/24h é extremamente elevado (mais de 25 vezes o limite superior da normalidade) e o quadro clínico é típico de síndrome carcinoide — rubor facial, diarreia, dor abdominal em paciente com tumor neuroendócrino metastático hepático. Não há indicação de repetir o teste; o diagnóstico já está firmado pela clínica e pelo laboratório.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa sugere insuficiência de pâncreas exócrino com pancreatina como tratamento inicial. A insuficiência pancreática exócrina causa esteatorreia (fezes oleosas, flutuantes, volumosas) e perda de peso, mas NÃO causa rubor facial nem elevação do 5-HIAA urinário. O quadro da paciente — rubor + diarreia + 5-HIAA de 240 mg/24h — é inequivocamente de síndrome carcinoide, não de insuficiência pancreática. A pancreatina (enzimas pancreáticas) seria indicada para esteatorreia por má digestão, o que não é o caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa propõe dieta pobre em triptofano como tratamento inicial para controle dos sintomas. O triptofano é o aminoácido precursor da serotonina, e uma dieta pobre em triptofano poderia, teoricamente, reduzir a produção de serotonina — mas não é o tratamento padrão nem a conduta inicial recomendada para síndrome carcinoide. O tratamento de primeira linha é o análogo da somatostatina (octreotida/lanreotida), que tem eficácia comprovada no controle dos sintomas. Além disso, restrição dietética severa de triptofano é de difícil adesão e não é recomendada na prática clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa propõe embolização hepática como conduta inicial para controle dos sintomas. A embolização (ou radioembolização) hepática é uma opção de tratamento locorregional para metástases hepáticas de tumores neuroendócrinos, útil para controle de sintomas e crescimento tumoral quando a doença hepática é dominante — mas é uma terapia de segunda linha ou para casos selecionados, não a conduta inicial. O tratamento de primeira linha para controle dos sintomas da síndrome carcinoide é o análogo da somatostatina (octreotida/lanreotida), que é menos invasivo, tem excelente perfil de segurança e controla os sintomas na maioria dos pacientes.

Gabarito: letra A

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