Paciente do sexo feminino, de 44 anos, em seguimento por câncer de mama, triplo negativo, tratado há dois anos, é avaliada em consulta de rotina. A paciente é portadora de mutação patogênica em BRCA1, assim como sua mãe, já falecida. Durante o exame físico, o médico nota lesão escurecida em dorso, com áreas de coloração mais enegrecida e áreas acastanhadas, assimétricas, de bordas irregulares, de um centímetro no maior diâmetro. A paciente refere que percebeu a lesão há cerca de dois meses, mas pensou se tratar de alguma alergia.Nesse caso, a hipótese mais provável é
Acarcinoma de células escamosas.
Bmelanoma maligno.
Ccarcinoma basocelular.
Dtrauma com coçadura.
Ealergia com coçadura.
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GabaritoB — melanoma maligno.
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Melanoma maligno em paciente com mutação BRCA1
Gabarito: letra B. A lesão descrita — mácula escurecida, assimétrica, com bordas irregulares e coloração heterogênea (áreas enegrecidas e acastanhadas), surgida há dois meses em paciente com mutação patogênica em BRCA1 — é altamente sugestiva de melanoma maligno, o que se alinha com o risco aumentado desse tumor em portadoras de mutação BRCA1. A descrição clínica preenche critérios do mnemônico ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cor heterogênea, Diâmetro > 6 mm, Evolução), e a história de mutação BRCA1 reforça a suspeita, pois há associação documentada entre essa mutação e maior risco de melanoma.
O melanoma maligno é uma neoplasia cutânea originada dos melanócitos, células produtoras de melanina. É o tipo de câncer de pele mais agressivo, com alto potencial metastático, e sua incidência vem aumentando. O diagnóstico precoce é crucial, pois a sobrevida cai drasticamente com a profundidade de invasão (índice de Breslow) e a presença de ulceração ou metástases. A regra do ABCDE é a ferramenta clínica mais difundida para rastreamento: Assimetria, Bordas irregulares, Cor não uniforme (múltiplos tons de marrom, preto, vermelho, branco ou azul), Diâmetro maior que 6 mm e Evolução (mudança de tamanho, forma ou cor). A lesão da paciente apresenta todos esses elementos: assimétrica, bordas irregulares, coloração heterogênea (enegrecida e acastanhada), 1 cm de diâmetro e surgimento há dois meses.
A associação entre mutação BRCA1 e melanoma é um ponto importante. Embora o BRCA1 seja mais conhecido pelo risco de câncer de mama e ovário, estudos demonstram que portadoras de mutação patogênica em BRCA1 têm risco aumentado de melanoma cutâneo, em comparação com a população geral. Isso se deve ao papel do BRCA1 na reparação de danos ao DNA (via recombinação homóloga); a deficiência nessa via aumenta a suscetibilidade a mutações induzidas por radiação ultravioleta, principal fator de risco ambiental para melanoma. Portanto, a história de BRCA1 não é um mero detalhe — ela eleva a probabilidade pré-teste de melanoma e justifica vigilância dermatológica rigorosa nessa população.
Na prática, diante de uma lesão suspeita, a conduta é a biópsia excisional com margens estreitas, para diagnóstico histopatológico definitivo e avaliação do índice de Breslow, ulceração e margens. A dermatoscopia é um exame complementar que aumenta a acurácia diagnóstica, mas não substitui a biópsia. O encaminhamento ao dermatologista é mandatório. A paciente também deve ser orientada sobre fotoproteção e autoexame da pele, além de manter o seguimento oncológico do câncer de mama.
A pegadinha desta questão está em dois níveis. Primeiro, a banca oferece alternativas de lesões benignas (trauma com coçadura, alergia com coçadura) e de outros tumores cutâneos (carcinoma de células escamosas, carcinoma basocelular) para testar se o candidato reconhece os sinais de alarme do melanoma. Segundo, a menção à mutação BRCA1 pode desviar a atenção para o câncer de mama, mas o exame físico revela uma lesão cutânea com características clássicas de melanoma — o contexto genético apenas reforça a suspeita. O candidato que se fixa apenas no histórico de câncer de mama pode esquecer de avaliar a lesão de pele com os critérios dermatológicos adequados.
Guarde a fronteira entre os tumores cutâneos: o melanoma é o que apresenta assimetria, bordas irregulares e múltiplas cores; o carcinoma basocelular costuma ser perolado, com telangiectasias e bordas elevadas; o carcinoma de células escamosas geralmente é uma placa ou nódulo eritematoso, descamativo, que pode ulcerar. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O carcinoma de células escamosas (CEC) é o segundo câncer de pele mais comum, associado à exposição solar crônica. Sua apresentação típica é uma placa ou nódulo eritematoso, descamativo, com crosta, que pode ulcerar e sangrar. A descrição da lesão — mácula escurecida, assimétrica, com bordas irregulares e coloração heterogênea — não é compatível com CEC, que raramente apresenta pigmentação. Além disso, a associação com BRCA1 é mais forte com melanoma do que com CEC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lesão preenche os critérios do ABCDE do melanoma: Assimetria, Bordas irregulares, Cor heterogênea (enegrecida e acastanhada), Diâmetro de 1 cm (> 6 mm) e Evolução (surgimento há dois meses). A mutação BRCA1 aumenta o risco de melanoma, reforçando a hipótese. A conduta é biópsia excisional para confirmação diagnóstica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O carcinoma basocelular (CBC) é o câncer de pele mais comum, de crescimento lento e raramente metastatiza. Sua apresentação clássica é uma pápula ou nódulo perolado, com telangiectasias e bordas elevadas, que pode ulcerar centralmente (úlcera roedora). A pigmentação não é característica do CBC (exceto na variante pigmentada, que é rara e mantém as bordas peroladas). A lesão descrita, com bordas irregulares e coloração heterogênea, é mais sugestiva de melanoma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Trauma com coçadura poderia causar uma lesão escurecida por equimose (hematoma), mas a equimose tende a evoluir com mudança de cor (roxo → verde → amarelo) e resolução espontânea em semanas. A lesão da paciente é persistente (dois meses), assimétrica, com bordas irregulares e coloração heterogênea — características que não são de um hematoma. Além disso, a história de BRCA1 aumenta a suspeita de melanoma, não de trauma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alergia com coçadura poderia causar lesões eritematosas, descamativas ou liquenificadas, mas não uma mácula escurecida com bordas irregulares e múltiplas cores. A paciente inicialmente pensou em alergia, mas o exame físico mostra características de malignidade. A persistência da lesão por dois meses e a associação com BRCA1 reforçam a necessidade de investigar melanoma, não alergia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre lesões benignas (trauma, alergia) e malignas, e entre os diferentes tipos de câncer de pele. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa benigna pela história de "alergia" referida pela paciente, mas o exame físico com critérios ABCDE é o que manda. Além disso, a mutação BRCA1 pode desviar o foco para o câncer de mama, mas a lesão de pele é o achado que decide a questão. Lembre-se: lesão assimétrica, com bordas irregulares e múltiplas cores = melanoma até prova em contrário.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar os tumores cutâneos na prova, use o ABCDE para melanoma, o aspecto perolado com telangiectasias para CBC e a placa eritematosa descamativa para CEC. Na dúvida, a lesão pigmentada e assimétrica é melanoma. E lembre-se: portadoras de BRCA1 têm risco aumentado de melanoma, então a vigilância dermatológica é parte do seguimento.
Gabarito: letra B — melanoma maligno, pela apresentação clínica com critérios ABCDE e pelo risco aumentado associado à mutação BRCA1.