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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu118617
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Pediatra
Adolescente, sexo masculino, 14 anos de idade, foi diagnosticado com meningite meningocócica confirmada por cultura. Sintomas iniciados há 48 horas. A família mora em casa pequena com um total de cinco pessoas, incluindo os pais de 35 anos, um irmão de 5 anos e uma avó de 68 anos, todos hígidos. Todos são assintomáticos. Não foi realizada nenhuma medida preventiva até o momento.Qual é a conduta indicada para os contactantes domiciliares?
  1. APrescrever rifampicina para todos os conviventes, com doses ajustadas à idade.
  2. BIndicar ciprofloxacino para os adultos e azitromicina para o irmão de 5 anos.
  3. CManter conduta expectante para os adultos e realizar vacinação de bloqueio com a vacina meningocócica ACWY para o irmão de 5 anos.
  4. DManter conduta expectante para todos os contactantes e realizar punção lombar se houver febre.
  5. EAdministrar ceftriaxone intramuscular em dose única para a avó de 68 anos e realizar vacinação de bloqueio com a meningocócica ACWY para os demais.
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GabaritoA — Prescrever rifampicina para todos os conviventes, com doses ajustadas à idade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quimioprofilaxia para contactantes de meningite meningocócica

Gabarito: letra A. Para contactantes domiciliares de caso confirmado de doença meningocócica, a conduta é a quimioprofilaxia com rifampicina para todos os conviventes, com doses ajustadas à idade, iniciada idealmente nas primeiras 24-48 horas após a exposição. A alternativa B erra ao indicar azitromicina para a criança; a C erra ao propor conduta expectante para adultos; a D erra ao manter conduta expectante para todos; e a E erra ao usar ceftriaxona apenas para a avó e vacinação de bloqueio para os demais, quando a profilaxia medicamentosa deve ser universal entre os contactantes.

A doença meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, é uma infecção grave e de alta transmissibilidade, transmitida por gotículas respiratórias e secreções nasofaríngeas. O risco de adoecimento é maior entre contactantes íntimos e domiciliares, especialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas do caso-índice. Por isso, a quimioprofilaxia é uma medida de saúde pública essencial para interromper a cadeia de transmissão e prevenir casos secundários.

A profilaxia é indicada para todos os contactantes íntimos, definidos como pessoas que residem na mesma casa, colegas de quarto, indivíduos expostos a secreções respiratórias do paciente ou que tiveram contato direto com essas secreções. No caso apresentado, todos os cinco familiares que moram na mesma casa são contactantes íntimos e, portanto, devem receber quimioprofilaxia, independentemente de serem assintomáticos.

Os antibióticos de escolha para a quimioprofilaxia são, por ordem de preferência: rifampicina, ceftriaxona e ciprofloxacino. A rifampicina é a opção mais clássica e amplamente utilizada, com esquema de 10 mg/kg/dose (máximo 600 mg/dia) a cada 12 horas, por 2 dias, para maiores de 1 mês. Para menores de 1 mês, a dose é de 5 mg/kg/dose, também a cada 12 horas, por 2 dias. A ceftriaxona é uma alternativa em dose única (125 mg IM para < 12 anos; 250 mg IM para ≥ 12 anos), e o ciprofloxacino (500 mg VO dose única) é opção apenas para maiores de 18 anos, não sendo recomendado para crianças, gestantes e lactantes.

A vacinação de bloqueio, embora possa ser considerada em situações de surto, não substitui a quimioprofilaxia medicamentosa imediata para os contactantes. A conduta correta é sempre a administração do antibiótico profilático para todos os contactantes íntimos, o mais rápido possível, idealmente dentro de 24-48 horas após a exposição.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de confundir o candidato com a indicação de vacinação de bloqueio como medida principal, quando na verdade a quimioprofilaxia antibiótica é a ação prioritária e obrigatória para todos os contactantes domiciliares. Além disso, a alternativa B propõe azitromicina, que não é uma opção válida para profilaxia, e a alternativa E restringe a ceftriaxona apenas à avó, quando todos os contactantes devem receber profilaxia.

Conduta

Rifampicina para todos os conviventes (A)

Ciprofloxacino para adultos + azitromicina para criança (B)

Expectante para adultos + vacina ACWY para criança (C)

Expectante para todos + PL se febre (D)

Ceftriaxona só para idosa + vacina ACWY para demais (E)

Quimioprofilaxia para todos os contactantes íntimos

✅ Sim

❌ Não (azitromicina inválida; ciprofloxacino só >18 anos)

❌ Não (adultos sem profilaxia)

❌ Não (nenhum recebe)

❌ Não (apenas a avó recebe)

Antibiótico adequado

✅ Rifampicina (1ª escolha)

❌ Azitromicina não é opção

❌ Nenhum

❌ Nenhum

⚠️ Ceftriaxona é válida, mas restrita a 1 pessoa

Vacinação de bloqueio como medida principal

❌ Não (não substitui profilaxia)

❌ Não

❌ Sim (isolada, inadequada)

❌ Não

❌ Sim (para a maioria, inadequada)

Abrangência correta (todos os 5 familiares)

✅ Sim

❌ Não

❌ Não

❌ Não

❌ Não

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta ao prescrever rifampicina para todos os conviventes, com doses ajustadas à idade. A rifampicina é o antibiótico de primeira escolha para quimioprofilaxia da doença meningocócica, e a dose deve ser ajustada conforme a faixa etária: para maiores de 1 mês, 10 mg/kg/dose (máximo 600 mg/dia) a cada 12 horas, por 2 dias; para menores de 1 mês, 5 mg/kg/dose, a cada 12 horas, por 2 dias. Todos os contactantes domiciliares, independentemente de serem assintomáticos, devem receber a profilaxia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta ao indicar azitromicina para o irmão de 5 anos. A azitromicina não é um antibiótico recomendado para quimioprofilaxia da meningite meningocócica. As opções válidas são rifampicina, ceftriaxona e ciprofloxacino (este último apenas para maiores de 18 anos). Além disso, a alternativa sugere ciprofloxacino para os adultos, mas essa droga é restrita a maiores de 18 anos, o que excluiria os pais de 35 anos, mas não a avó de 68 anos, que poderia recebê-lo. No entanto, a rifampicina é a escolha preferencial e deve ser usada para todos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta ao propor conduta expectante para os adultos e vacinação de bloqueio apenas para o irmão de 5 anos. A quimioprofilaxia é obrigatória para todos os contactantes íntimos, incluindo os adultos, e a vacinação de bloqueio não substitui a profilaxia medicamentosa. A vacina meningocócica ACWY pode ser considerada em situações de surto, mas não é a medida principal e não deve ser usada isoladamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta ao manter conduta expectante para todos os contactantes e sugerir punção lombar apenas se houver febre. A quimioprofilaxia deve ser iniciada imediatamente, independentemente de sintomas, e a punção lombar não é uma medida profilática. A conduta expectante é inadequada, pois o risco de doença secundária é maior nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas do caso-índice.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta ao administrar ceftriaxona apenas para a avó de 68 anos e vacinação de bloqueio para os demais. A ceftriaxona é uma opção válida para profilaxia, mas deve ser oferecida a todos os contactantes, não apenas à avó. Além disso, a vacinação de bloqueio não substitui a quimioprofilaxia medicamentosa para os demais contactantes. Todos os cinco familiares devem receber profilaxia antibiótica.

Gabarito: letra A

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