Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu118623
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Pediatra
Escolar, sexo masculino, 9 anos de idade, portador de doença renal crônica estágio 5 em hemodiálise 3 vezes por semana, faltou à sessão de ontem. É levado ao serviço de emergência com fraqueza, náuseas e palpitações. Na avaliação inicial, paciente em regular estado geral, descorado 1+/4+, hipoativo. Levado à sala de emergência, monitorizado, apresentava os seguintes parâmetros: PA: 142 x 92 mmHg; FC: 62 bpm; FR: 20 irpm; SatO₂: 98% em ar ambiente. Colhidos exames laboratoriais com Na+: 138 mEq/L; K+: 7,2 mEq/L; HCO₃ –: 18 mEq/L; creatinina: 6,6 mg/dL; ureia: 142 mg/dL; glicemia 104 mg/dL. Eletrocardiograma: ondas T apiculadas difusas, PR alongado e onda P achatada.Qual é a medida imediata indicada?
ANebulização com salbutamol em altas doses.
BFurosemida endovenosa.
CGluconato de cálcio endovenoso.
DInsulina regular com glicose endovenosa.
EPoliestirenossulfonato de cálcio via oral.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Gluconato de cálcio endovenoso.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipercalemia na doença renal crônica: manejo emergencial
Gabarito: letra C. A medida imediata indicada é o gluconato de cálcio endovenoso, pois o paciente apresenta hipercalemia grave (K+ 7,2 mEq/L) com alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, PR alongado, onda P achatada) — o cálcio antagoniza os efeitos do potássio na membrana celular, estabilizando o miocárdio e prevenindo arritmias fatais, sem reduzir a calemia. As demais medidas (salbutamol, insulina com glicose, furosemida, resinas) são adjuvantes que promovem a redistribuição ou eliminação do potássio, mas não agem na cardioproteção imediata.
A hipercalemia é uma das complicações mais temidas na doença renal crônica (DRC) avançada, especialmente em pacientes em hemodiálise que faltam às sessões. O potássio é o principal cátion intracelular, e sua concentração sérica elevada altera o potencial de repouso da membrana celular, tornando os tecidos excitáveis (como o miocárdio) mais suscetíveis a arritmias. A gravidade não é determinada apenas pelo valor absoluto do K+, mas principalmente pela presença de alterações no eletrocardiograma (ECG), que indicam risco iminente de fibrilação ventricular ou assistolia.
O manejo da hipercalemia grave segue uma sequência lógica de medidas, cada uma com um objetivo distinto:
Estabilização da membrana celular (cardioproteção) — é a medida imediata e prioritária quando há alterações no ECG. O gluconato de cálcio 10% é a droga de escolha, pois antagoniza os efeitos do potássio na membrana, protegendo o coração sem reduzir a calemia. Seu efeito começa em poucos minutos e dura de 30 a 60 minutos.
Redistribuição do potássio para o intracelular — medidas como insulina com glicose, salbutamol inalatório e bicarbonato de sódio translocam o K+ para dentro das células, ganhando tempo até a eliminação definitiva. A insulina regular com glicose é a mais eficaz, com início em 15 minutos e duração de 4 a 6 horas.
Eliminação do potássio do organismo — inclui diuréticos de alça (furosemida), resinas de troca (poliestirenossulfonato) e, principalmente, hemodiálise, que é o método mais eficaz e definitivo, especialmente em pacientes com DRC estágio 5.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de todas as alternativas serem medidas válidas no tratamento da hipercalemia, a prioridade imediata é a cardioproteção com cálcio, pois o paciente já apresenta alterações no ECG. As demais medidas são importantes, mas não agem na estabilização da membrana e, portanto, não são a primeira conduta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as medidas de cardioproteção (cálcio) e as de redistribuição (insulina, salbutamol) ou eliminação (furosemida, resinas). O aluno que memoriza apenas a lista de tratamentos pode escolher a insulina com glicose, que é eficaz, mas não é a medida imediata quando há alterações no ECG. A chave é: ECG alterado → cálcio primeiro.
1Cardioproteção (cálcio EV)
2Redistribuição (insulina+glicose)
3Eliminação (diurético/resina)
4Hemodiálise (definitivo)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A nebulização com salbutamol em altas doses é uma medida de redistribuição do potássio para o intracelular, com início de ação em 30 minutos e pico em 90 minutos. Embora seja útil como adjuvante, não é a medida imediata prioritária, pois não estabiliza a membrana celular. Além disso, seu efeito taquicárdico pode ser indesejável em pacientes com doença coronária prévia, e a resposta pode ser inadequada em uso de betabloqueadores não seletivos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A furosemida endovenosa é um diurético de alça que promove a eliminação de potássio pela urina, mas seu efeito caliurético é questionável no curto prazo e não deve ser utilizado como medida isolada em emergências. Além disso, em paciente com DRC estágio 5 em hemodiálise, a função renal residual é mínima, limitando a eficácia do diurético. Não é a medida imediata indicada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O gluconato de cálcio endovenoso é a medida imediata indicada, pois o paciente apresenta hipercalemia grave (K+ 7,2 mEq/L) com alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, PR alongado, onda P achatada). O cálcio antagoniza os efeitos do potássio na membrana celular, estabilizando o miocárdio e prevenindo arritmias fatais, sem reduzir a calemia. Seu efeito começa em poucos minutos e dura de 30 a 60 minutos, sendo o tratamento inicial especialmente quando há anormalidades no ECG.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A insulina regular com glicose endovenosa é uma medida de redistribuição do potássio para o intracelular, com início em 15 minutos e duração de 4 a 6 horas. É uma medida eficaz e importante, mas não é a imediata prioritária, pois não estabiliza a membrana celular. Deve ser utilizada após a cardioproteção com cálcio, quando há alterações no ECG.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O poliestirenossulfonato de cálcio via oral é uma resina de troca que promove a eliminação de potássio pelo trato gastrointestinal, com início de ação em 2 a 6 horas. É pouco útil no manejo agudo da hipercalemia, pois seu efeito é lento, e há risco de necrose intestinal. Não é a medida imediata indicada.
Gabarito: letra C — a medida imediata é o gluconato de cálcio endovenoso, pois o paciente apresenta hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas, exigindo cardioproteção imediata.