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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu118626
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista - Pediatra
Lactente, sexo masculino, 7 meses de idade, é levado ao serviço de emergência pela mãe, que refere quadro de cansaço progressivo há 3 semanas, sendo que os sintomas começaram com tosse, coriza hialina e febre de até 38 ºC. Refere também que a febre cessou no terceiro dia e que os sintomas de tosse e coriza foram melhorando progressivamente, porém sem melhora do cansaço. Refere dificuldade da criança com as mamadas, tendo que fazer pausas durante a amamentação para respirar e apresentando intensa sudorese durante as mamadas. Ao exame clínico, criança em regular estado geral. Ausculta pulmonar com estertores difusos bilaterais, taquipneica com presença de tiragem subdiafragmática e batimento de asa nasal. Ausculta cardíaca com bulhas rítmicas, normofonéticas, com presença de B3, pulsos periféricos normais. Exame abdominal com fígado palpável a 4 cm do rebordo costal esquerdo. Discreto edema em região sacral. Parâmetros vitais: FC: 188 bpm; FR: 64 irpm; PA: 86/54 mmHg; SatO₂: 92% em ar ambiente. Paciente levado para monitorização, instalada oxigenoterapia com máscara não reinalante e obtido acesso venoso.Com base no diagnóstico mais provável, a conduta imediata mais indicada é
  1. Asoro fisiológico ou ringer lactato 20 mL/kg endovenoso em bolus.
  2. Bmetilprednisolona endovenosa, salbutamol e ipatrópio inalatórios (3 vezes, de 20 em 20 minutos).
  3. Cceftriaxone endovenoso.
  4. Dfurosemida endovenosa e restrição hídrica.
  5. Epassagem de sonda nasogástrica para dieta, sem necessidade de terapêutica adicional.
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GabaritoD — furosemida endovenosa e restrição hídrica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência cardíaca congestiva em lactente: conduta imediata

Gabarito: letra D. O quadro clínico — lactente de 7 meses com cansaço progressivo, taquicardia (FC 188 bpm), taquipneia (FR 64 irpm), B3, hepatomegalia, edema sacral e estertores difusos — é clássico de insuficiência cardíaca congestiva (ICC), e a conduta imediata é furosemida endovenosa e restrição hídrica, visando reduzir a pré-carga e aliviar a congestão pulmonar e sistêmica.

A insuficiência cardíaca na infância é a síndrome na qual o coração é incapaz de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do organismo, ou só o faz com pressões de enchimento elevadas. No lactente, as causas mais comuns são as cardiopatias congênitas (como comunicação interventricular, canal arterial patente e defeitos do septo atrioventricular) e as miocardiopatias (dilatada, hipertrófica). O quadro apresentado — início com sintomas respiratórios leves (tosse, coriza, febre) que melhoram, mas com cansaço progressivo — sugere uma miocardiopatia dilatada ou uma cardiopatia congênita com shunt esquerda-direita que se manifesta após o período neonatal, quando a resistência vascular pulmonar cai e o fluxo pulmonar aumenta.

A fisiopatologia da ICC envolve a ativação de mecanismos compensatórios (sistema renina-angiotensina-aldosterona, sistema nervoso simpático) que, a longo prazo, perpetuam a lesão miocárdica e pioram a congestão. O acúmulo de líquido no interstício pulmonar (estertores, taquipneia, tiragem) e no sistema venoso sistêmico (hepatomegalia, edema) é a expressão clínica da congestão. A B3 (terceira bulha) é um achado de disfunção ventricular, indicando enchimento ventricular rápido com câmara dilatada e complacência reduzida.

Na prática, o manejo imediato da ICC descompensada em pediatria segue uma sequência lógica: estabilização das vias aéreas e oxigenação (já realizada com máscara não reinalante), redução da pré-carga com diurético de alça (furosemida) e restrição hídrica, e, se necessário, suporte inotrópico (como dobutamina ou milrinona) em casos de baixo débito. A furosemida age bloqueando o cotransportador Na⁺-K⁺-2Cl⁻ na alça de Henle, promovendo diurese e redução do volume intravascular, o que diminui a pressão de enchimento ventricular e alivia a congestão pulmonar. A restrição hídrica (geralmente 80% das necessidades basais) complementa a ação do diurético, evitando a sobrecarga de volume.

A distinção crucial que separa as alternativas é o diagnóstico sindrômico: o paciente tem ICC, não choque hipovolêmico (que exigiria expansão com soro fisiológico), não crise de asma (que exigiria broncodilatadores e corticoide), não pneumonia bacteriana (que exigiria antibiótico) e não desnutrição isolada (que exigiria apenas dieta). A presença de B3, hepatomegalia e edema sacral são os achados que fecham o diagnóstico de ICC e direcionam a conduta para o diurético.

  1. 1Estabilizar vias aéreas e oxigenar
  2. 2Reduzir pré-carga (furosemida EV)
  3. 3Restrição hídrica (80% basal)
  4. 4Suporte inotrópico se baixo débito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A expansão volêmica com soro fisiológico ou ringer lactato 20 mL/kg é a conduta inicial no choque hipovolêmico ou no choque séptico com hipoperfusão. No paciente com ICC, a administração de volume endovenoso aumentaria ainda mais a pré-carga, agravando a congestão pulmonar e o edema — podendo precipitar edema agudo de pulmão. O paciente tem sinais de congestão (estertores, hepatomegalia, edema), não de hipovolemia (mucosas secas, enchimento capilar lento, pulsos filiformes). Os pulsos periféricos estão normais, o que afasta choque hipovolêmico grave.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Metilprednisolona, salbutamol e ipatrópio inalatórios são o tratamento da crise aguda de asma ou broncoespasmo. Embora o paciente tenha taquipneia e estertores, o quadro não é de sibilância difusa (típica da asma), mas de estertores crepitantes (típicos de congestão pulmonar). A presença de B3, hepatomegalia e edema sacral aponta claramente para ICC, não para doença reativa das vias aéreas. O uso de broncodilatadores beta-agonistas poderia, inclusive, aumentar a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio miocárdico, piorando o quadro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ceftriaxone endovenoso é indicado para pneumonia bacteriana ou sepse bacteriana. O paciente teve um quadro viral autolimitado (febre por 3 dias, tosse, coriza) que melhorou, mas o cansaço persistiu e evoluiu com sinais de congestão. Não há febre atual, nem sinais de consolidação pulmonar (como diminuição do murmúrio vesicular ou broncofonia), nem toxemia. O diagnóstico é de ICC, não de infecção bacteriana ativa. O uso de antibiótico seria inapropriado e não trataria a causa do desconforto respiratório.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A furosemida endovenosa é o diurético de escolha na ICC descompensada, agindo rapidamente para reduzir a pré-carga e aliviar a congestão pulmonar e sistêmica. A restrição hídrica complementa o tratamento, limitando a entrada de volume. Esta é a conduta imediata mais indicada para o paciente com ICC, que apresenta estertores, hepatomegalia, edema e B3. A dose inicial de furosemida em pediatria é de 1 mg/kg EV, podendo ser repetida conforme resposta clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A passagem de sonda nasogástrica para dieta, sem terapêutica adicional, seria uma conduta inadequada e perigosa. O paciente está em desconforto respiratório agudo (taquipneia, tiragem, batimento de asa nasal, SatO₂ 92%) e precisa de intervenção imediata para reduzir a congestão. A dieta por sonda, sem tratar a ICC, não resolveria o problema de base e poderia até aumentar o risco de broncoaspiração. A criança tem dificuldade de mamar, mas isso é consequência da ICC, não a causa — o tratamento da causa (diurético) é que melhorará a aceitação alimentar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre ICC e crise de asma (alternativa B) e entre ICC e choque hipovolêmico (alternativa A). O candidato que se fixa apenas na taquipneia e nos estertores pode pensar em broncoespasmo, mas a presença de B3, hepatomegalia e edema sacral é o diferencial que fecha o diagnóstico de ICC. Lembre-se: na ICC, o problema é excesso de volume (congestão), não falta de volume (hipovolemia) — por isso a expansão é contraindicada e o diurético é a base do tratamento.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar ICC de asma na emergência, use o mnemônico "B3-H-E": B3 (terceira bulha), Hepatomegalia e Edema — se dois ou três estiverem presentes, o diagnóstico é ICC, não asma. Na dúvida, a radiografia de tórax (cardiomegalia, congestão pulmonar) e o ecocardiograma (disfunção ventricular) confirmam. Na prova, a presença de B3 e hepatomegalia em um lactente com desconforto respiratório é praticamente patognomônica de ICC.

Gabarito: letra D — furosemida endovenosa e restrição hídrica.

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