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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu118751
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Pediatra
Lactente, sexo masculino, com 5 meses, é levado ao pronto-socorro pelos pais que relatam que o bebê apresentou coriza e tosse leve por 3 dias, seguidos por um aumento do esforço respiratório e chiado no peito nas últimas 24 horas. O bebê não tem histórico de episódios anteriores de chiado, alergias ou doenças crônicas. Ao exame físico, está com temperatura de 37,5 ºC, apresenta batimento de asa nasal, tiragens subcostais e, à ausculta pulmonar, alguns roncos e sibilos expiratórios. A saturação de oxigênio é de 94% em ar ambiente. Qual é o diagnóstico mais provável para esse lactente?
  1. AAspiração de corpo estranho.
  2. BBronquiolite viral aguda.
  3. CPneumonia bacteriana.
  4. DCrise asmática.
  5. ELaringotraqueobronquite.
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GabaritoB — Bronquiolite viral aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bronquiolite viral aguda no lactente

Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — lactente de 5 meses com pródromo viral (coriza e tosse leve por 3 dias), seguido de desconforto respiratório agudo com sibilos, tiragens e saturação de 94% — é a apresentação clássica da bronquiolite viral aguda, a infecção respiratória inferior mais comum no primeiro ano de vida, tipicamente causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na idade, no pródromo catarral e no exame físico compatível com obstrução de pequenas vias aéreas.

A bronquiolite viral aguda é uma síndrome clínica que acomete preferencialmente lactentes menores de 2 anos, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de vida. A fisiopatologia envolve infecção viral das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, aumento da produção de muco e necrose celular, com consequente obstrução parcial das pequenas vias aéreas. Essa obstrução explica os achados de sibilos expiratórios, tiragens, batimento de asa nasal e taquipneia. O pródromo de coriza e tosse por alguns dias antes do quadro respiratório agudo é um marco importante: o vírus se replica inicialmente no trato respiratório superior e depois se propaga para as vias aéreas inferiores.

O diagnóstico é clínico, não exigindo exames complementares na maioria dos casos. A história de um lactente previamente hígido, sem episódios prévios de sibilância, com quadro catarral seguido de desconforto respiratório e sibilos à ausculta, é altamente sugestiva. A febre, quando presente, costuma ser baixa, como no caso (37,5 ºC). A saturação de 94% indica hipoxemia leve, compatível com o quadro. O tratamento é de suporte: oxigenoterapia se saturação < 90-92%, hidratação, aspiração de vias aéreas superiores e monitorização. Não há tratamento antiviral específico de rotina, e o uso de broncodilatadores e corticosteroides não é recomendado de forma sistemática pelas principais diretrizes.

A principal distinção que a questão explora é entre bronquiolite e outras causas de sibilância no lactente. A crise asmática é rara antes dos 2 anos e geralmente cursa com episódios recorrentes de sibilância, atopia ou história familiar de asma — ausentes no caso. A aspiração de corpo estranho costuma ter início súbito, com engasgo ou tosse paroxística, frequentemente em crianças com histórico de levar objetos à boca, e pode cursar com assimetria de ausculta ou hiperinsuflação unilateral. A pneumonia bacteriana geralmente apresenta febre alta, toxemia, taquipneia importante e estertores crepitantes focais, sem o pródromo catarral típico. A laringotraqueobronquite (crupe) acomete principalmente crianças de 6 meses a 3 anos e se caracteriza por tosse metálica ("tosse de cachorro"), estridor inspiratório e rouquidão, com predomínio de obstrução de vias aéreas superiores.

A pegadinha central é a sibilância: muitos candidatos associam sibilo imediatamente a asma, mas no lactente jovem, com pródromo viral e sem história prévia de sibilância, o diagnóstico mais provável é bronquiolite. A idade é o fator discriminativo mais forte — asma é um diagnóstico pouco comum antes dos 2 anos, enquanto bronquiolite é a causa mais frequente de sibilância nessa faixa etária. Guarde essa fronteira: lactente < 2 anos + pródromo viral + sibilos = bronquiolite até prova em contrário.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A aspiração de corpo estranho é uma possibilidade em lactentes, mas o quadro típico é de início súbito com engasgo, tosse paroxística e, muitas vezes, sibilo unilateral ou assimetria de ausculta. No caso, o início foi insidioso, com pródromo catarral de 3 dias, e não há relato de episódio de engasgo. Além disso, a ausculta mostra sibilos difusos, não localizados. A ausência de história de engasgo e o padrão temporal tornam essa hipótese improvável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A bronquiolite viral aguda é o diagnóstico mais provável. O lactente de 5 meses (faixa etária de pico), com pródromo de coriza e tosse por 3 dias, seguido de desconforto respiratório agudo com sibilos expiratórios, tiragens subcostais e batimento de asa nasal, saturação de 94% e febre baixa, preenche todos os critérios clínicos da doença. É a causa mais comum de sibilância no primeiro ano de vida e o diagnóstico é essencialmente clínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pneumonia bacteriana costuma apresentar febre alta, toxemia, taquipneia importante e estertores crepitantes focais à ausculta, frequentemente com diminuição do murmúrio vesicular. O pródromo catarral não é típico, e a sibilância difusa é mais característica de doença de pequenas vias aéreas (bronquiolite) do que de consolidação alveolar. A febre baixa e o quadro de obstrução brônquica difusa apontam para etiologia viral.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A crise asmática é um diagnóstico pouco comum em lactentes de 5 meses sem história prévia de sibilância, atopia ou história familiar de asma. A asma geralmente se manifesta após os 2 anos de idade, com episódios recorrentes de sibilância desencadeados por alérgenos, exercício ou infecções. No lactente jovem com primeiro episódio de sibilância associado a pródromo viral, o diagnóstico mais provável é bronquiolite, não asma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A laringotraqueobronquite (crupe viral) acomete principalmente crianças de 6 meses a 3 anos e se caracteriza por obstrução de vias aéreas superiores: tosse metálica ("tosse de cachorro"), estridor inspiratório, rouquidão e desconforto respiratório predominantemente inspiratório. No caso, o quadro é de sibilos expiratórios e tiragens subcostais, indicando obstrução de pequenas vias aéreas inferiores, não de vias aéreas superiores. A ausência de estridor e tosse metálica afasta esse diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre sibilo e asma. No lactente jovem, o sibilo é muito mais frequentemente causado por bronquiolite viral aguda, especialmente no primeiro episódio, com pródromo catarral e sem história prévia de sibilância. A idade é o fator-chave: asma é rara antes dos 2 anos. Ao ver sibilos em um lactente < 2 anos com quadro viral, pense primeiro em bronquiolite.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de sibilância no lactente, monte um raciocínio rápido: (1) início súbito com engasgo → corpo estranho; (2) febre alta + toxemia + estertores focais → pneumonia; (3) estridor + tosse metálica → crupe; (4) pródromo viral + sibilos difusos + idade < 2 anos → bronquiolite; (5) episódios recorrentes + atopia + idade > 2 anos → asma. Essa sequência cobre as principais hipóteses e evita erros.

Gabarito: letra B

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