Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu118757
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Pediatra
Mãe, durante a consulta de puericultura aos 6 meses de idade, solicita orientações sobre a alimentação complementar de seu filho que ainda permanece em regime de amamentação exclusiva.Assinale a alternativa que contém a orientação correta.
AO mel é uma melhor opção para adoçar, para se evitar o açúcar refinado.
BA carne do cozimento deverá ser retirada antes de se oferecer as papas iniciais à criança.
CSucos de frutas espremidas devem ser desestimulados, preferindo-se as frutas in natura.
DNão se deve utilizar azeites no preparo das refeições do bebê.
EO leite materno deverá ser complementado com uma fórmula de seguimento a partir da introdução dos novos alimentos.
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GabaritoC — Sucos de frutas espremidas devem ser desestimulados, preferindo-se as frutas in natura.
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Alimentação complementar: orientações para o bebê de 6 meses
Gabarito: letra C. Na introdução da alimentação complementar, a recomendação é desestimular os sucos de frutas espremidas e preferir as frutas in natura, pois a fruta inteira preserva as fibras, promove a mastigação e evita o excesso de açúcar e calorias — orientação alinhada ao Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos e às diretrizes de puericultura.
A alimentação complementar é o processo que se inicia quando o leite materno deixa de suprir todas as necessidades nutricionais da criança, geralmente a partir dos 6 meses de vida, e outros alimentos passam a complementar o aleitamento. O leite materno deve continuar sendo oferecido, preferencialmente até os 2 anos ou mais, sem horários fixos, mas sem substituir as refeições principais (almoço e jantar). A introdução deve ser gradativa, com alimentos in natura ou minimamente processados, amassados com garfo, sem peneirar ou liquidificar, e com consistência espessa o suficiente para não escorrer da colher.
A orientação sobre sucos é um ponto central: embora o suco de fruta seja natural, ele concentra frutose e perde as fibras da fruta inteira, o que favorece o ganho de peso excessivo e a preferência por sabores doces. Por isso, a recomendação é oferecer a fruta in natura, amassada ou em pedaços, conforme a idade, e evitar sucos, especialmente antes de 1 ano. Essa é uma das orientações mais cobradas em puericultura, pois a banca explora a confusão entre "suco natural é saudável" e "suco deve ser evitado na infância".
Outro ponto importante é o uso de óleos e gorduras: ao contrário do que muitos imaginam, é recomendado adicionar uma pequena quantidade de óleo vegetal (como azeite de oliva) no preparo das refeições do bebê, pois isso aumenta a densidade energética e auxilia na absorção de vitaminas lipossolúveis. A carne deve ser oferecida desde o início, bem cozida e desfiada ou moída, pois é fonte de ferro e zinco — nutrientes essenciais nessa fase. O mel, por sua vez, é contraindicado antes de 1 ano de idade, pelo risco de botulismo infantil, e também por ser um açúcar que deve ser evitado.
A distinção que importa nesta questão é entre o que parece saudável (suco natural, mel) e o que é efetivamente recomendado para o lactente (fruta in natura, sem açúcar, com óleo vegetal e carne). A banca explora exatamente essa armadilha: oferecer opções que seriam aceitáveis para adultos, mas que são inadequadas para bebês. Guarde o critério: na alimentação complementar, priorizam-se alimentos in natura, sem açúcar, com consistência adequada e com a adição de óleo vegetal — é esse critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
Alimentação complementar (6 meses): Fruta in natura (preserva fibras); Suco espremido (concentra frutose); Carne desde o início (ferro e zinco); Óleo vegetal (densidade energética); Mel antes de 1 ano (botulismo); Leite materno até 2 anos ou mais
Alternativa A — ❌ Incorreta
O mel é contraindicado para crianças menores de 1 ano, pelo risco de botulismo infantil, causado pela toxina do Clostridium botulinum, que pode estar presente no mel. Além disso, o mel é um açúcar e deve ser evitado na alimentação infantil, assim como o açúcar refinado. A alternativa sugere trocar um açúcar por outro, o que é inadequado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A carne deve ser oferecida desde o início da alimentação complementar, bem cozida, desfiada ou moída, pois é fonte de ferro e zinco, nutrientes essenciais para o lactente. Retirar a carne do cozimento e não oferecê-la nas papas iniciais é um erro, pois a carne é um dos primeiros alimentos a serem introduzidos, preferencialmente no almoço e no jantar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A recomendação é desestimular os sucos de frutas espremidas e preferir as frutas in natura. A fruta inteira preserva as fibras, promove a mastigação e evita o excesso de açúcar e calorias. O suco, mesmo natural, concentra frutose e perde fibras, favorecendo o ganho de peso e a preferência por sabores doces. Essa orientação está alinhada ao Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
É recomendado utilizar uma pequena quantidade de óleo vegetal, como o azeite de oliva, no preparo das refeições do bebê. Isso aumenta a densidade energética da refeição e auxilia na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). A alternativa afirma o contrário, o que é inadequado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O leite materno deve continuar sendo oferecido, preferencialmente até os 2 anos ou mais, sem horários fixos, mas sem substituir as refeições principais. Não há necessidade de complementar o leite materno com fórmula de seguimento a partir da introdução dos novos alimentos, pois o leite materno continua sendo a principal fonte de nutrientes e proteção imunológica. A introdução de fórmula não é recomendada como rotina para crianças amamentadas.