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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu118763
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Pediatra
Um lactente de 2 meses e 14 dias de idade, que recebeu a vacina BCG intradérmica ao nascer, é trazido à consulta por sua mãe. A mãe está preocupada, pois, nas últimas 4 semanas, o local da vacinação desenvolveu uma lesão que, inicialmente, era uma pápula, evoluiu para um nódulo eritematoso de aproximadamente 1 cm de diâmetro e, mais recentemente, apresentou uma ulceração central com discreta secreção seropurulenta ocasional. Adicionalmente, a mãe notou um linfonodo móvel e não doloroso de cerca de 1,5 cm na axila ipsilateral (direita). O bebê está ativo, mamando bem, afebril e com ganho ponderal adequado. Não há sinais de inflamação perilesional intensa nem eritema significativo estendendo-se além da área do nódulo.Quais são a avaliação mais adequada e a conduta recomendada para esse lactente?
  1. AA ulceração com secreção seropurulenta indica infecção bacteriana secundária; deve-se prescrever antibioticoterapia oral de amplo espectro por 10 dias e solicitar ultrassonografia da axila para avaliar abscesso.
  2. BA linfadenite axilar de 1,5 cm é uma indicação para drenagem cirúrgica imediata, dada a possibilidade de progressão para abscesso frio e fistulização, e a lesão local deve ser excisada para evitar cicatriz inestética.
  3. CA lesão local e a adenopatia ipsilateral sugerem uma complicação grave da vacina BCG, como BCGite disseminada; o lactente deve ser imediatamente internado e iniciado um esquema de politerapia antituberculose.
  4. DA lesão é uma BCGite local e o linfonodo axilar representa linfadenite BCG não supurativa, ambas manifestações normais da vacina BCG; a conduta é tranquilizar a mãe e orientar sobre higiene local, sem necessidade de intervenção medicamentosa ou investigação adicional nesse momento.
  5. EA lesão ulcerada e o linfonodo axilar sugerem uma resposta inflamatória exagerada; deve-se aplicar corticosteroide tópico de alta potência na lesão local e prescrever ibuprofeno oral para a adenopatia.
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GabaritoD — A lesão é uma BCGite local e o linfonodo axilar representa linfadenite BCG não supurativa, ambas manifestações normais da vacina BCG; a conduta é tranquilizar a mãe e orientar sobre higiene local, sem necessidade de intervenção medicamentosa ou investigação adicional nesse momento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

BCGite local e linfadenite regional: evolução esperada da vacina BCG

Gabarito: letra D. A lesão descrita — pápula → nódulo eritematoso → ulceração central com secreção seropurulenta ocasional — associada a linfonodo axilar ipsilateral móvel e indolor, em lactente de 2 meses e 14 dias, ativo, afebril e com ganho ponderal adequado, corresponde à evolução normal da vacina BCG (BCGite local e linfadenite regional não supurativa). A conduta é tranquilizar a mãe e orientar higiene local, sem antibioticoterapia, drenagem cirúrgica, corticosteroide tópico ou internação. O quadro é autolimitado e esperado entre 3 e 6 semanas após a vacinação, podendo durar até 12 semanas.

A vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) é uma vacina viva atenuada administrada por via intradérmica, preferencialmente ao nascer, no braço direito (inserção inferior do músculo deltoide). Ela protege contra as formas graves de tuberculose (miliar e meníngea). A resposta imunológica à BCG é caracterizada por uma reação local que segue uma sequência típica e previsível: inicialmente, forma-se uma pápula no local da aplicação; em seguida, essa pápula evolui para um nódulo que pode se tornar eritematoso; depois, ocorre ulceração central com formação de crosta; e, finalmente, a lesão cicatriza, deixando uma cicatriz característica (geralmente entre 6 e 12 semanas). Essa reação é a expressão da resposta imune celular do hospedeiro ao bacilo atenuado e é considerada um marcador de vacinação bem-sucedida.

A linfadenite regional é outra manifestação esperada da vacina BCG. Os bacilos migram para o linfonodo de drenagem (no caso, o axilar ipsilateral), que pode aumentar de tamanho, tornando-se palpável. Essa linfadenite é geralmente não supurativa, ou seja, o linfonodo é móvel, não aderido, não doloroso e sem sinais flogísticos intensos. O tamanho de até 1,5 cm é compatível com a normalidade. A linfadenite supurativa (com flutuação, abscesso frio e fistulização) é uma complicação que ocorre em uma minoria dos casos e exige conduta específica, mas não é o quadro apresentado pelo lactente.

A conduta diante da BCGite local e da linfadenite não supurativa é expectante. Não há indicação de antibioticoterapia, pois não se trata de infecção bacteriana secundária (a secreção seropurulenta ocasional faz parte da evolução normal da ulceração). Não há indicação de drenagem cirúrgica, pois o linfonodo não está supurado. Não há indicação de corticosteroide tópico ou anti-inflamatório oral, pois a reação é imunomediada e autolimitada. Não há indicação de internação ou poliquimioterapia antituberculose, pois não se trata de BCGite disseminada (que cursaria com sintomas sistêmicos, como febre, hepatoesplenomegalia, osteíte, etc.). A orientação é manter o local limpo e seco, com higiene adequada, e tranquilizar os pais sobre a evolução esperada. O acompanhamento deve ser feito para observar a cicatrização completa.

A banca explora a confusão entre as reações esperadas da vacina BCG e as complicações que exigem intervenção. O candidato deve saber diferenciar:

Característica

Reação normal (BCGite local + linfadenite não supurativa)

Complicação (linfadenite supurativa / BCGite disseminada)

Sintomas sistêmicos

Ausentes (lactente ativo, afebril, ganho ponderal adequado)

Presentes (febre, adinamia, hepatoesplenomegalia)

Lesão local

Pápula → nódulo → ulceração central com secreção seropurulenta ocasional

Abscesso frio, flutuação, fistulização

Linfonodo

Móvel, indolor, < 1,5 cm, sem sinais flogísticos

Supurado, com flutuação, aderido, fistulizado

Conduta

Observação, higiene local, tranquilização

Drenagem cirúrgica (se supurado) ou tratamento específico (se disseminada)

Guarde essa fronteira: a presença de sintomas sistêmicos e de sinais de supuração é o que separa a reação normal da complicação. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ulceração com secreção seropurulenta ocasional não indica infecção bacteriana secundária; é parte da evolução normal da BCGite local. A secreção é consequência da necrose caseosa do bacilo atenuado, não de contaminação bacteriana. Portanto, não há indicação de antibioticoterapia oral. A ultrassonografia da axila também não é necessária, pois não há suspeita de abscesso (o linfonodo é móvel, indolor e sem flutuação). A conduta correta é expectante, com higiene local.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A linfadenite axilar de 1,5 cm, móvel e não dolorosa, é uma manifestação não supurativa e não é indicação de drenagem cirúrgica imediata. A drenagem cirúrgica é reservada para linfadenites supurativas (com flutuação, abscesso frio) ou que fistulizam. A excisão da lesão local também é contraindicada, pois interfere na resposta imunológica natural e pode deixar cicatriz inestética. A conduta é observação e tranquilização.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A lesão local e a adenopatia ipsilateral não sugerem BCGite disseminada. A BCGite disseminada é uma complicação rara e grave, que cursa com sintomas sistêmicos (febre, hepatoesplenomegalia, osteíte, etc.) e acomete principalmente imunocomprometidos. O lactente está ativo, afebril e com ganho ponderal adequado, o que afasta essa hipótese. Portanto, não há indicação de internação nem de poliquimioterapia antituberculose. A conduta é expectante.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A lesão descrita (pápula → nódulo eritematoso → ulceração central com secreção seropurulenta ocasional) é a BCGite local, e o linfonodo axilar ipsilateral móvel e indolor de 1,5 cm é a linfadenite BCG não supurativa. Ambas são manifestações normais da vacina BCG em lactentes saudáveis. A conduta é tranquilizar a mãe e orientar sobre higiene local, sem necessidade de intervenção medicamentosa ou investigação adicional nesse momento. O quadro é autolimitado e a cicatrização ocorre espontaneamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A lesão ulcerada e o linfonodo axilar não sugerem resposta inflamatória exagerada que justifique corticosteroide tópico de alta potência ou ibuprofeno oral. A reação é a esperada da vacina BCG e é autolimitada. O uso de corticosteroide tópico pode interferir na resposta imunológica e retardar a cicatrização, além de não ter indicação. O ibuprofeno oral também não é indicado, pois não há processo inflamatório sistêmico ou dor significativa. A conduta é expectante.

Gabarito: letra D — a lesão é uma BCGite local e o linfonodo axilar representa linfadenite BCG não supurativa, ambas manifestações normais da vacina BCG; a conduta é tranquilizar a mãe e orientar sobre higiene local, sem necessidade de intervenção medicamentosa ou investigação adicional nesse momento.

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