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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2026

MedicinaMédico da Família
Código
vu118767
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São José do Rio Preto - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Pediatra
Adolescente de 15 anos, sexo feminino, é trazida ao pronto-socorro por sua mãe, cerca de 80 horas após relatar ter sido sexualmente agredida por um conhecido familiar. A paciente mostra-se calada, com o olhar baixo, e responde às perguntas da equipe de forma monossilábica, muitas vezes olhando para a mãe antes de falar. Nega dor geniturinária específica, mas refere desconforto abdominal leve e insônia desde o ocorrido. A mãe está visivelmente abalada, mas expressa preocupação com o impacto social do evento e a “honra da família”, demonstrando relutância em permitir um exame físico completo na filha, “para não traumatizá-la mais”. Ao exame físico, não há lesões externas agudas visíveis na região genital ou corporal, e o teste rápido de gravidez urinário é negativo.Qual é a conduta inicial mais apropriada para essa adolescente?
  1. AConversar apenas com a mãe, como responsável legal, explicando os riscos e benefícios do exame forense e da profilaxia, e decidir a conduta com base na preferência da mãe, priorizando a estabilidade familiar.
  2. BPriorizar o acolhimento individual e confidencial da adolescente, informar detalhadamente sobre a importância e os procedimentos para profilaxia de ISTs e gravidez, a relevância da coleta de evidências forenses (mencionando a janela de tempo) e seus direitos de consentimento/recusa, e oferecer suporte psicossocial imediato, respeitando as decisões da paciente.
  3. CPrescrever apenas a profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mas não a anticoncepção de emergência, sem aprofundar a conversa sobre o evento para não estressar a adolescente, e encaminhá-la para acompanhamento psicológico ambulatorial.
  4. DRealizar imediatamente o exame físico ginecológico e a coleta de todas as evidências forenses disponíveis, mesmo que desconsidere o consentimento da adolescente para garantir a obtenção do material dentro da janela de tempo ideal.
  5. EDado o tempo transcorrido de mais de 72 horas e a ausência de lesões visíveis, as profilaxias não estão indicadas; deve-se focar na investigação de sintomas psiquiátricos com uma consulta imediata com psiquiatria infantil, descartando a necessidade de qualquer intervenção física ou forense.
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GabaritoB — Priorizar o acolhimento individual e confidencial da adolescente, informar detalhadamente sobre a importância e os procedimentos para profilaxia de ISTs e gravidez, a relevância da coleta de evidências forenses (mencionando a janela de tempo) e seus direitos de consentimento/recusa, e oferecer suporte psicossocial imediato, respeitando as decisões da paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Violência sexual em adolescente: acolhimento, profilaxia e aspectos ético-legais

Gabarito: letra B. A conduta inicial mais apropriada é priorizar o acolhimento individual e confidencial da adolescente, informando-a detalhadamente sobre profilaxia de ISTs e gravidez, coleta de evidências forenses (dentro da janela de tempo) e seus direitos de consentimento/recusa, além de oferecer suporte psicossocial imediato, respeitando suas decisões. Isso porque, em casos de violência sexual contra adolescente, o princípio da autonomia progressiva e o melhor interesse da paciente impõem que ela seja ouvida e tenha suas decisões respeitadas, mesmo diante da relutância da mãe — que, no caso, demonstra preocupação com a "honra da família", o que não pode sobrepor-se ao cuidado integral da vítima.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é um grave problema de saúde pública e uma violação de direitos humanos. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos à vida, à saúde, à dignidade e ao respeito. No contexto da atenção à saúde, o médico de família e comunidade, como porta de entrada do sistema, tem papel fundamental no acolhimento, na identificação de sinais de violência e na articulação com a rede de proteção.

O atendimento a uma adolescente vítima de violência sexual exige uma abordagem que respeite sua autonomia progressiva. A adolescente de 15 anos, embora legalmente incapaz para certos atos, tem o direito de ser ouvida e de participar das decisões sobre seu corpo e sua saúde, conforme o princípio do melhor interesse e a doutrina da proteção integral. A confidencialidade do atendimento é um direito da paciente, e o médico deve garantir um espaço seguro para que ela se expresse sem a interferência de terceiros, inclusive da mãe, quando isso for necessário para sua proteção.

A profilaxia pós-exposição para ISTs e a anticoncepção de emergência são medidas essenciais e devem ser oferecidas dentro da janela de tempo adequada. No caso, a paciente procurou atendimento cerca de 80 horas após a agressão, o que ainda permite a profilaxia para ISTs (incluindo HIV, com esquema de até 72 horas, mas que pode ser considerado em até 72-120 horas em algumas diretrizes) e a anticoncepção de emergência (que pode ser utilizada até 120 horas após a relação sexual). A coleta de evidências forenses também é relevante, e o médico deve informar sobre a importância e os procedimentos, respeitando o consentimento da paciente.

A alternativa B é a única que contempla todos os elementos essenciais: acolhimento individual e confidencial, informação detalhada sobre profilaxias e coleta de evidências, respeito à autonomia da paciente e oferta de suporte psicossocial imediato. As demais alternativas falham ao ignorar a autonomia da adolescente, ao negligenciar profilaxias ou ao priorizar interesses familiares em detrimento do cuidado integral.

Violência sexual em adolescente
  • 1Acolhimento
    • Individual e confidencial
    • Respeitar autonomia progressiva
    • Ouvir a paciente, não só a mãe
  • 2Profilaxias (janela de tempo)
    • ISTs (até 72–120h)
    • Anticoncepção de emergência (até 120h)
  • 3Evidências forenses
    • Informar importância e procedimentos
    • Respeitar consentimento/recusa
  • 4Suporte psicossocial imediato
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Conversar apenas com a mãe e decidir com base na preferência dela viola o princípio da autonomia progressiva da adolescente e o dever de acolhimento individual. A mãe, embora responsável legal, não pode sobrepor sua preocupação com a "honra da família" ao direito da filha de receber cuidado integral e confidencial. A adolescente deve ser ouvida e suas decisões respeitadas, especialmente em questões que envolvem seu corpo e sua saúde.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa contempla todos os elementos essenciais: acolhimento individual e confidencial, informação detalhada sobre profilaxia de ISTs e gravidez, coleta de evidências forenses (mencionando a janela de tempo), respeito aos direitos de consentimento/recusa da paciente e oferta de suporte psicossocial imediato. É a conduta que respeita a autonomia progressiva da adolescente e garante o cuidado integral, alinhada aos princípios do ECA e da ética médica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Prescrever apenas profilaxia para ISTs, sem anticoncepção de emergência e sem aprofundar a conversa, é conduta incompleta e negligente. A paciente tem direito a todas as medidas preventivas disponíveis, incluindo a anticoncepção de emergência, e a comunicação sobre o evento é parte fundamental do cuidado, não devendo ser evitada para "não estressar" a adolescente. O encaminhamento para acompanhamento psicológico é importante, mas não substitui as demais medidas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Realizar exame físico ginecológico e coleta de evidências forenses sem o consentimento da adolescente viola sua autonomia e seus direitos. O consentimento é requisito ético e legal para qualquer procedimento, e a adolescente deve ser informada e ter suas decisões respeitadas. A coleta de evidências é importante, mas não pode ser feita contra a vontade da paciente, mesmo dentro da janela de tempo ideal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirmar que, após 72 horas, as profilaxias não estão indicadas é incorreto. A profilaxia para ISTs e a anticoncepção de emergência ainda podem ser oferecidas dentro de prazos maiores (até 120 horas para anticoncepção de emergência, por exemplo). Além disso, descartar a necessidade de intervenção física ou forense é negligente, pois a ausência de lesões visíveis não exclui a possibilidade de exposição a riscos. O foco em sintomas psiquiátricos é importante, mas não pode substituir as medidas preventivas e a coleta de evidências.

Gabarito: letra B

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