Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu119669
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Esportiva
Em programas de reabilitação do joelho após reparo meniscal, a conduta mais adequadamente alinhada aos princípios descritos é:
Aadotar liberação precoce da mobilidade rotacional tibiofemoral para evitar aderências capsulares.
Bpermitir apoio total imediato associado a exercícios de cadeia cinética fechada em flexão profunda já na primeira semana.
Crestringir carga e flexão além de 90º nas fases iniciais, com progressão gradual conforme critérios funcionais.
Dpriorizar fortalecimento resistido de isquiotibiais em amplitude ampla desde a fase inicial, mesmo com restrição de carga.
Eautorizar atividades pliométricas leves a partir da quarta semana para estimular propriocepção e retorno precoce ao gesto esportivo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — restringir carga e flexão além de 90º nas fases iniciais, com progressão gradual conforme critérios funcionais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reabilitação pós-reparo meniscal: princípios de proteção e progressão
Gabarito: letra C. Após reparo meniscal, a conduta mais alinhada aos princípios de proteção do reparo é restringir carga e flexão além de 90º nas fases iniciais, com progressão gradual conforme critérios funcionais. Isso porque o menisco reparado precisa de tempo para cicatrizar, e movimentos de flexão profunda e carga excessiva precoce podem comprometer a integridade da sutura.
O reparo meniscal é um procedimento cirúrgico que visa preservar o menisco, estrutura essencial para a biomecânica do joelho. Diferentemente da meniscectomia (remoção do menisco), o reparo exige um período de proteção para permitir a cicatrização do tecido suturado. Os princípios fundamentais da reabilitação pós-reparo meniscal incluem: proteção do reparo durante a cicatrização, controle de edema e dor, recuperação gradual da amplitude de movimento (ADM), fortalecimento progressivo e retorno seguro às atividades funcionais.
A cicatrização meniscal é um processo lento e depende de vários fatores, incluindo a vascularização da zona do menisco (zona vermelha é mais vascularizada que a zona branca), o tipo de lesão e a técnica cirúrgica utilizada. Durante as primeiras semanas, o tecido suturado é frágil e suscetível a falhas se submetido a estresses excessivos. Por isso, a reabilitação precoce deve priorizar a proteção do reparo, permitindo apenas movimentos controlados e evitando cargas compressivas e rotacionais.
Na prática, o protocolo típico envolve: uso de órtese articulada com bloqueio de extensão e flexão, restrição de carga (inicialmente sem apoio ou com apoio parcial), exercícios de amplitude de movimento passiva e ativa assistida dentro de limites seguros (geralmente 0-90º nas primeiras semanas), e progressão gradual para carga total e flexão completa conforme critérios funcionais, como ausência de dor, edema controlado e força muscular adequada. A flexão além de 90º é restringida nas fases iniciais porque aumenta a tensão sobre o menisco posterior, onde ocorre a maioria das lesões reparáveis.
A distinção crucial é entre reabilitação após reparo meniscal e após meniscectomia. Na meniscectomia, a reabilitação pode ser mais agressiva, com liberação precoce de carga e amplitude, pois não há tecido suturado a proteger. Já no reparo, a proteção é a prioridade absoluta nas primeiras semanas. A banca explora exatamente essa confusão, apresentando condutas que seriam adequadas para meniscectomia ou para fases mais tardias da reabilitação como se fossem apropriadas para a fase inicial do reparo.
A pegadinha central desta questão é que o candidato pode confundir os princípios de reabilitação do reparo meniscal com os de outras cirurgias do joelho, como a reconstrução do LCA, onde a mobilização precoce e a carga são mais encorajadas. No reparo meniscal, a proteção do tecido suturado é o princípio norteador, e qualquer conduta que exponha o reparo a estresse prematuro está incorreta. Guarde a fronteira entre "proteção inicial" e "progressão gradual": é exatamente nela que as alternativas se dividem.
1Proteção do reparo
2Restrição de carga e flexão (0-90º)
3Progressão gradual por critérios funcionais
4Retorno seguro às atividades
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A liberação precoce da mobilidade rotacional tibiofemoral é contraindicada após reparo meniscal. Movimentos rotacionais, especialmente em carga, geram forças de cisalhamento sobre o menisco suturado, podendo comprometer a cicatrização. A rotação deve ser evitada nas fases iniciais, e a mobilidade rotacional é liberada apenas em fases mais avançadas, quando o reparo já está consolidado. A alternativa inverte o princípio de proteção, sugerindo uma conduta que aumentaria o risco de falha do reparo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Permitir apoio total imediato e exercícios de cadeia cinética fechada em flexão profunda na primeira semana é totalmente contrário aos princípios de proteção do reparo meniscal. O apoio total precoce submete o menisco a cargas compressivas significativas, e a flexão profunda aumenta a tensão sobre o menisco posterior, onde as suturas são mais comuns. A reabilitação inicial deve ser protegida, com carga parcial ou nula e amplitude de movimento limitada, geralmente até 90º de flexão. Essa conduta seria mais adequada para uma meniscectomia, não para um reparo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Restringir carga e flexão além de 90º nas fases iniciais, com progressão gradual conforme critérios funcionais, é exatamente o que preconizam os protocolos de reabilitação pós-reparo meniscal. A restrição de carga protege o menisco de forças compressivas, e a limitação da flexão a 90º evita tensão excessiva sobre o corno posterior. A progressão gradual, baseada em critérios funcionais como dor, edema e força, garante que o reparo cicatrize adequadamente antes de ser submetido a estresses maiores. Esta alternativa reflete o equilíbrio entre proteção e reabilitação, essencial para o sucesso do procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Priorizar fortalecimento resistido de isquiotibiais em amplitude ampla desde a fase inicial, mesmo com restrição de carga, é inadequado. Embora o fortalecimento dos isquiotibiais seja importante na reabilitação do joelho, realizá-lo em amplitude ampla e com resistência na fase inicial do reparo meniscal pode gerar forças de cisalhamento e compressão sobre o menisco suturado, especialmente em flexão profunda. A progressão do fortalecimento deve ser gradual, respeitando os limites de amplitude e carga estabelecidos pelo protocolo de proteção do reparo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Autorizar atividades pliométricas leves a partir da quarta semana é prematuro. Atividades pliométricas envolvem ciclos rápidos de alongamento-encurtamento e geram forças de alto impacto sobre o joelho, que podem comprometer a cicatrização do reparo meniscal. A quarta semana é ainda uma fase inicial de cicatrização, e atividades de maior impacto devem ser introduzidas apenas em fases mais avançadas, geralmente após 8-12 semanas, quando o reparo já apresenta resistência adequada. A propriocepção pode ser estimulada com exercícios mais seguros, como equilíbrio em superfície estável, sem expor o reparo a estresse excessivo.