Tontura postural perceptual persistente (TPPP)
Gabarito: letra B. A tontura postural perceptual persistente (TPPP) é uma síndrome funcional crônica em que o paciente apresenta tontura, desequilíbrio ou sensação de instabilidade não rotatória, que piora com estímulos visuais complexos, movimento e situações de estresse — exatamente o que a alternativa B descreve. A TPPP é uma condição neuro-otológica e psiquiátrica, frequentemente desencadeada após um evento vestibular agudo, e se caracteriza por sintomas persistentes que não são explicados por uma vestibulopatia periférica ou central ativa.
A TPPP é uma condição relativamente nova na literatura, antes chamada de "vertigem fóbica postural" ou "vertigem postural perceptual persistente". O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Sociedade Bárány, que incluem: (1) presença de tontura, desequilíbrio ou vertigem não rotatória na maioria dos dias por pelo menos 3 meses; (2) sintomas desencadeados ou exacerbados por movimento, estímulos visuais complexos ou exposição a ambientes ricos em estímulos visuais; (3) o quadro se inicia após um evento precipitante, como uma vestibulopatia periférica, um ataque de pânico ou um trauma; (4) os sintomas causam sofrimento ou prejuízo funcional significativo. A fisiopatologia envolve uma alteração no processamento central do equilíbrio, com hipervigilância postural e dependência visual, o que explica a piora com estímulos visuais.
O tratamento da TPPP é multimodal e inclui terapia de reabilitação vestibular, terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). Medicamentos como carbamazepina e flunarizina não são a primeira linha de tratamento para TPPP — a carbamazepina é usada em condições como neuralgia do trigêmeo ou vertigem paroxística, e a flunarizina é um bloqueador de canais de cálcio usado em enxaqueca e vertigem, mas não é específica para TPPP. A TPPP é mais prevalente em pacientes com ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo, e não está associada a sintomas auditivos como plenitude auricular ou zumbido, que são típicos da doença de Ménière.
A banca explora a confusão entre TPPP e outras vestibulopatias, como a doença de Ménière (que cursa com plenitude auricular e zumbido), a VPPB (que tem crises de curta duração desencadeadas por movimento) e a vertigem fóbica (que é um termo antigo para TPPP). A alternativa A descreve crises de tontura com duração de menos de um minuto, o que é característico da VPPB, não da TPPP. A alternativa C sugere tratamento com carbamazepina e flunarizina, que não são a primeira linha para TPPP. A alternativa D afirma que a TPPP é pouco prevalente em pacientes ansiosos, o que é falso — a TPPP é altamente comórbida com transtornos de ansiedade. A alternativa E associa as crises a plenitude auricular e zumbido, o que é típico da doença de Ménière, não da TPPP.
Guarde a fronteira entre TPPP e as vestibulopatias periféricas: a TPPP é uma condição funcional crônica, sem crises agudas, com piora com estímulos visuais e sem sintomas auditivos — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa descreve crises de tontura com duração de menos de um minuto, o que é característico da vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), não da TPPP. A TPPP é uma condição crônica e persistente, com sintomas presentes na maioria dos dias, não crises paroxísticas de curta duração. A VPPB é desencadeada por movimentos da cabeça e tem nistagmo torcional vertical superior, enquanto a TPPP é exacerbada por estímulos visuais e não tem crises agudas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a TPPP: crises de tontura sem fator desencadeante específico e com piora com estímulos visuais. A TPPP é uma síndrome funcional crônica em que a tontura é persistente e exacerbada por estímulos visuais complexos, movimento e situações de estresse. A ausência de um gatilho específico e a piora com estímulos visuais são critérios diagnósticos centrais da TPPP, conforme os critérios da Sociedade Bárány.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que a TPPP melhora com carbamazepina e flunarizina, o que não é correto. A carbamazepina é usada em condições como neuralgia do trigêmeo e vertigem paroxística, e a flunarizina é um bloqueador de canais de cálcio usado em enxaqueca e vertigem, mas não são a primeira linha de tratamento para TPPP. O tratamento da TPPP envolve terapia de reabilitação vestibular, terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, ISRS ou IRSN.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a TPPP é pouco prevalente em pacientes ansiosos e com transtorno obsessivo-compulsivo, o que é falso. A TPPP é altamente comórbida com transtornos de ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo. A ansiedade é um fator de risco e um agravante da TPPP, e a hipervigilância postural é um mecanismo central na fisiopatologia da condição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa associa as crises de tontura a plenitude auricular e zumbido, o que é típico da doença de Ménière, não da TPPP. A doença de Ménière é uma vestibulopatia periférica caracterizada por crises de vertigem com duração de várias horas, associadas a sintomas auditivos unilaterais como plenitude auricular, zumbido e hipoacusia. A TPPP, por ser uma condição funcional central, não apresenta sintomas auditivos.
Gabarito: letra B