Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — VUNESP 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
vu119699
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Otorrinolaringologia/Cirurgia de Cabeça e Pescoço
HSM, 47 anos, sexo masculino, relata obstrução nasal à noite. Quando se deita em decúbito lateral direito, a fossa nasal à direita fica mais obstruída, mas, quando se deita em decúbito lateral esquerdo, a fossa nasal à esquerda fica mais obstruída. Nega outras queixas nasais ou otorrinolaringológicas. Apresenta exame físico otorrinolaringológico e nasofibroscópico dentro da normalidade. Frente a essa queixa clínica, qual é a conduta correta?
AExplicar que essa situação é fisiológica.
BIndicar turbinectomia inferior parcial.
CIntroduzir anti-histamínico à noite.
DIntroduzir corticoide sistêmico.
ESolicitar tomografia computadorizada de seios paranasais.
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GabaritoA — Explicar que essa situação é fisiológica.
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Ciclo nasal fisiológico e obstrução nasal posicional
Gabarito: letra A. A obstrução nasal alternada conforme o decúbito lateral, com exame físico e nasofibroscopia normais, é a expressão clínica do ciclo nasal fisiológico — fenômeno normal de congestão e descongestão alternada das conchas nasais, que não exige tratamento. A conduta correta é explicar ao paciente que essa situação é fisiológica.
O ciclo nasal é um mecanismo fisiológico presente na maioria das pessoas, caracterizado pela alternância periódica de congestão e descongestão da mucosa das fossas nasais. Esse ciclo é regulado pelo sistema nervoso autônomo, com predomínio alternado do tônus simpático e parassimpático entre as duas fossas. Quando o paciente se deita em decúbito lateral, a fossa nasal do lado de baixo tende a ficar mais congesta devido ao efeito da gravidade sobre o fluxo sanguíneo e a pressão hidrostática, somando-se ao ciclo basal. Isso explica exatamente o relato do paciente: ao deitar à direita, a fossa direita obstrui; ao deitar à esquerda, a fossa esquerda obstrui.
O diagnóstico é essencialmente clínico. O exame físico otorrinolaringológico e a nasofibroscopia normais afastam causas estruturais ou inflamatórias, como desvio de septo significativo, hipertrofia de conchas, pólipos nasais, rinossinusite crônica ou rinite alérgica. A ausência de outras queixas — como espirros, prurido, coriza, hiposmia ou dor facial — reforça a hipótese de fenômeno fisiológico. Nesse contexto, não há indicação de exames de imagem, como a tomografia computadorizada de seios paranasais, nem de intervenções cirúrgicas ou medicamentosas.
A conduta correta, portanto, é a orientação e a tranquilização do paciente. Explicar que a obstrução nasal alternada é um fenômeno normal e esperado, que não representa doença, é suficiente. Não há necessidade de tratamento medicamentoso, cirúrgico ou de investigação complementar. A banca explora exatamente a tendência do candidato em medicalizar ou investigar uma queixa que, na verdade, é fisiológica.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar uma variação normal como doença. O candidato pode ser levado a solicitar exames ou indicar tratamentos para uma condição que não é patológica. O raciocínio clínico correto é: queixa compatível com fenômeno fisiológico + exame físico normal = conduta expectante e orientação.
1Obstrução alterna com decúbito
2Exame físico e nasofibroscopia normais
3Sem outras queixas (espirros, prurido, coriza)
4Diagnóstico: ciclo nasal fisiológico
5Conduta: orientar, não tratar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve exatamente a conduta adequada. O quadro clínico é compatível com o ciclo nasal fisiológico, uma variação normal da fisiologia nasal. O exame físico e a nasofibroscopia normais confirmam a ausência de doença estrutural ou inflamatória. Portanto, a conduta é explicar ao paciente que a situação é fisiológica, tranquilizando-o e evitando intervenções desnecessárias.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A turbinectomia inferior parcial é um procedimento cirúrgico indicado para casos de hipertrofia crônica das conchas nasais que causa obstrução nasal significativa e refratária ao tratamento clínico. No caso apresentado, não há hipertrofia de conchas ao exame físico, e a obstrução é posicional e alternada, característica do ciclo fisiológico. Indicar cirurgia para um fenômeno normal seria um erro grave, expondo o paciente a riscos desnecessários.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O anti-histamínico é indicado para o tratamento de rinite alérgica, condição caracterizada por espirros, prurido nasal, coriza hialina e obstrução, frequentemente associada a sintomas oculares. O paciente não apresenta nenhuma dessas queixas, e o exame físico não evidencia sinais de alergia, como mucosa nasal pálida ou edemaciada. A introdução de anti-histamínico seria um tratamento sem indicação, pois não há processo alérgico a ser tratado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O corticoide sistêmico é uma medicação potente, reservada para condições inflamatórias graves, como rinossinusite aguda complicada, polipose nasal extensa ou doenças sistêmicas com envolvimento nasal. No caso, não há evidência de processo inflamatório agudo ou crônico. O uso de corticoide sistêmico para uma queixa fisiológica seria não apenas ineficaz, mas também potencialmente nocivo, expondo o paciente aos efeitos colaterais da medicação sem benefício algum.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de seios paranasais é um exame de imagem indicado para a avaliação de rinossinusite crônica, polipose nasal, tumores ou outras alterações estruturais. No caso, o exame físico e a nasofibroscopia são normais, e a queixa é claramente compatível com o ciclo nasal fisiológico. Solicitar uma tomografia seria um exame desnecessário, expondo o paciente à radiação ionizante sem indicação clínica, além de gerar custos e ansiedade desnecessários.
A regra de ouro para a prova: obstrução nasal alternada com o decúbito, em paciente com exame físico normal e sem outras queixas, é ciclo nasal fisiológico — conduta é orientação, não tratamento.