Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — VUNESP 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
vu119700
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Otorrinolaringologia/Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Qual dos fatores de risco a seguir está relacionado ao desenvolvimento de carcinomas de nasofaringe?
AAids.
BHepatite B.
CImunodeficiência primária comum variável.
DTransplante de medula óssea.
EVírus Epstein-Barr.
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GabaritoE — Vírus Epstein-Barr.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Carcinoma de nasofaringe e fatores de risco virais
Gabarito: letra E. O carcinoma de nasofaringe está fortemente associado à infecção pelo Vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus oncogênico que também se relaciona ao linfoma de Burkitt. Essa associação é clássica e amplamente documentada na literatura médica, sendo o EBV o fator de risco infeccioso mais diretamente ligado a essa neoplasia.
O carcinoma de nasofaringe é um tumor maligno que se origina no epitélio da nasofaringe, a porção mais alta da faringe, atrás da cavidade nasal. Sua epidemiologia é peculiar: é raro na maioria do mundo, mas endêmico em regiões como o sul da China, sudeste asiático, norte da África e entre os esquimós. Essa distribuição geográfica, somada à presença consistente do genoma do EBV nas células tumorais, aponta para um papel etiológico central do vírus. O EBV é um vírus de DNA da família Herpesviridae, infecta mais de 90% da população adulta mundial de forma assintomática e permanece latente nos linfócitos B. Em indivíduos geneticamente suscetíveis e expostos a cofatores ambientais (como dieta rica em nitrosaminas e tabagismo), a reativação viral e a expressão de oncoproteínas podem desencadear a transformação maligna do epitélio nasofaríngeo.
A relação entre EBV e carcinoma de nasofaringe é tão íntima que o diagnóstico histopatológico do tipo não queratinizante (o mais comum) praticamente exige a detecção do vírus no tecido tumoral, por técnicas como hibridização in situ para o RNA codificado pelo EBV (EBER). Isso significa que, na prática clínica, a presença do EBV no tumor é um marcador diagnóstico e prognóstico, além de ser o fator de risco mais específico entre as opções apresentadas.
As demais alternativas trazem condições que aumentam o risco de outros tipos de câncer, mas não do carcinoma de nasofaringe. A AIDS e a imunodeficiência primária comum variável predispõem a neoplasias associadas a outros vírus oncogênicos, como sarcoma de Kaposi (HHV-8) e linfomas. A hepatite B está ligada ao carcinoma hepatocelular. O transplante de medula óssea, pela imunossupressão, aumenta o risco de linfomas pós-transplante, mas não é um fator de risco clássico para o câncer de nasofaringe. A banca explora exatamente a confusão entre os diferentes vírus oncogênicos e os tumores a eles associados.
Guarde a correspondência entre cada agente infeccioso e sua neoplasia: é esse mapa que separa a alternativa correta das incorretas.
Vírus oncogênicos e neoplasias
1EBV
Carcinoma de nasofaringe
Linfoma de Burkitt
PTLD
2HBV/HCV
Carcinoma hepatocelular
3HPV 16/18
Colo do útero
Orofaringe
Ânus
4HHV-8
Sarcoma de Kaposi
5HTLV-1
Leucemia de células T do adulto
6H. pylori
Linfoma MALT gástrico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A AIDS, causada pelo HIV, não é fator de risco direto para carcinoma de nasofaringe. A imunossupressão da AIDS predispõe a outras neoplasias, como sarcoma de Kaposi (associado ao HHV-8), linfoma não Hodgkin e carcinoma espinocelular anogenital. A confusão aqui é atribuir ao HIV uma associação que pertence ao EBV.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hepatite B (HBV) é fator de risco para carcinoma hepatocelular, não para câncer de nasofaringe. O HBV e o HCV são vírus hepatotrópicos que causam inflamação crônica e cirrose, levando à transformação maligna dos hepatócitos. A banca troca o órgão-alvo: fígado em vez de nasofaringe.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A imunodeficiência primária comum variável (IDCV) é uma doença caracterizada por hipogamaglobulinemia e maior suscetibilidade a infecções, mas não é um fator de risco estabelecido para carcinoma de nasofaringe. A imunodeficiência, de modo geral, aumenta o risco de linfomas e de neoplasias associadas a vírus oncogênicos, mas a associação específica com o câncer de nasofaringe pertence ao EBV, não à IDCV em si.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O transplante de medula óssea (TMO) é um fator de risco para doença linfoproliferativa pós-transplante (PTLD), geralmente associada ao EBV, mas não para carcinoma de nasofaringe. A imunossupressão pós-TMO favorece a reativação do EBV e o desenvolvimento de linfomas de células B, não de tumores epiteliais da nasofaringe. A confusão aqui é entre o tipo de neoplasia (linfoma vs. carcinoma) e o local (linfonodos vs. nasofaringe).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Vírus Epstein-Barr (EBV) é o fator de risco infeccioso mais fortemente associado ao carcinoma de nasofaringe, especialmente ao tipo não queratinizante, endêmico em certas regiões. O vírus também está associado ao linfoma de Burkitt e à doença linfoproliferativa pós-transplante. A detecção do EBV no tecido tumoral (por EBER) é um marcador diagnóstico importante. Essa é a associação clássica que a questão cobra.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os diferentes vírus oncogênicos e suas neoplasias. O candidato que sabe que "vírus causa câncer" pode marcar AIDS ou hepatite B, mas a associação correta é específica: EBV → nasofaringe e Burkitt; HBV/HCV → fígado; HPV → colo do útero e orofaringe; HIV → sarcoma de Kaposi e linfomas. Memorize o par vírus-neoplasia e essa questão fica trivial.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de oncologia viral, monte mentalmente uma tabela de associações: EBV → carcinoma de nasofaringe e linfoma de Burkitt; HBV/HCV → carcinoma hepatocelular; HPV 16/18 → câncer de colo do útero, orofaringe, ânus; HHV-8 → sarcoma de Kaposi; HTLV-1 → leucemia de células T do adulto; H. pylori → linfoma MALT gástrico. Essa tabela resolve a maioria das questões sobre fatores de risco infecciosos para câncer.