O câncer não é uma doença única; é um nome usado para descrever um processo de doença caracterizado pela proliferação celular descontrolada.Assinale a alternativa correta em relação à base genética do câncer.
AO desenvolvimento do câncer resulta de mutações em um ou mais genes que regulam o crescimento e a morte celular.
BO câncer é uma doença genética e, portanto, hereditária, transmitida por meio de células somáticas e germinativas.
COs genes alterados no câncer, os oncogenes, são mais mutáveis que os outros genes do genoma.
DNo câncer familial, os dois eventos mutacionais responsáveis pelo câncer são transmitidos aos descendentes de acordo com a hipótese de Knudson.
ENo linfoma de Burkit, a ativação do oncogene ocorre pela t(9;22)(q34;q31), dando origem ao cromossomo Filadélfia.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — O desenvolvimento do câncer resulta de mutações em um ou mais genes que regulam o crescimento e a morte celular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Base genética do câncer
Gabarito: letra A. O desenvolvimento do câncer resulta de mutações em genes que regulam o crescimento e a morte celular — proto-oncogenes, genes supressores de tumor e genes de reparo do DNA —, conforme a biologia molecular do câncer. As demais alternativas contêm erros conceituais: o câncer não é necessariamente hereditário, oncogenes não são intrinsecamente mais mutáveis, a hipótese de Knudson não se aplica ao câncer familial da forma descrita, e a translocação do linfoma de Burkitt não é a t(9;22).
O câncer é uma doença genética, mas isso não significa que seja hereditária na maioria dos casos. A grande maioria dos cânceres resulta de mutações somáticas adquiridas ao longo da vida, que se acumulam em genes-chave que controlam a proliferação, a diferenciação e a morte celular. Esses genes são de três classes principais: os proto-oncogenes, que estimulam o crescimento celular e, quando mutados, tornam-se oncogenes; os genes supressores de tumor, que inibem a proliferação e, quando inativados, perdem essa função; e os genes de reparo do DNA, que corrigem erros de replicação e, quando defeituosos, aumentam a taxa de mutação.
A carcinogênese é um processo de múltiplas etapas. Uma célula normal precisa acumular várias mutações em diferentes genes para se transformar em uma célula maligna. O modelo clássico de Vogelstein, descrito para o câncer colorretal, ilustra essa progressão: mutações sequenciais em genes como APC, KRAS, TP53 e SMAD4 levam à transformação de um adenoma em carcinoma. Esse acúmulo de mutações explica por que o câncer é mais comum em idosos e por que a exposição a carcinógenos aumenta o risco.
É importante distinguir câncer hereditário de câncer esporádico. Apenas uma pequena proporção dos cânceres é herdada de forma mendeliana, como retinoblastoma, síndromes de neoplasia endócrina múltipla e polipose adenomatosa familiar. A maioria dos cânceres é esporádica, resultante de mutações somáticas. No câncer hereditário, a mutação germinativa está presente em todas as células do corpo, mas ainda assim é necessário um segundo evento mutacional somático para que o tumor se desenvolva — é a chamada hipótese dos dois eventos de Knudson, proposta para o retinoblastoma.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre doença genética e doença hereditária, e a troca de translocações cromossômicas entre diferentes neoplasias. A banca explora o conhecimento superficial do candidato, que pode associar erroneamente o linfoma de Burkitt ao cromossomo Filadélfia, quando na verdade essa translocação é característica da leucemia mieloide crônica.
Esta alternativa está correta porque descreve com precisão a base genética do câncer. O desenvolvimento do câncer resulta de mutações em genes que regulam o crescimento celular (proto-oncogenes e oncogenes) e a morte celular (genes supressores de tumor, como TP53). Essas mutações podem ser adquiridas somaticamente ou herdadas na linhagem germinativa, mas o ponto central é que a desregulação desses genes leva à proliferação descontrolada. O texto de apoio confirma: "Câncer é um termo genérico utilizado para um grande e heterogêneo grupo de doenças caracterizadas pelo crescimento tecidual anormal e pela tendência à invasão local e/ou à disseminação à distância. Essas alterações decorrem de modificações na função de genes que regulam a proliferação, a diferenciação e a morte celular."
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está na afirmação de que o câncer é hereditário e transmitido por células somáticas e germinativas. O câncer é uma doença genética, mas a maioria dos casos é esporádica, resultante de mutações somáticas adquiridas, e não hereditária. Apenas uma pequena proporção dos cânceres é herdada de forma mendeliana, como retinoblastoma, NEM e polipose adenomatosa familiar. Além disso, mutações em células somáticas não são transmitidas aos descendentes; apenas mutações na linhagem germinativa (óvulos e espermatozoides) podem ser herdadas. A alternativa confunde doença genética com doença hereditária e mistura os dois tipos de células.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação de que os oncogenes são mais mutáveis que os outros genes do genoma é incorreta. Os oncogenes não são intrinsecamente mais mutáveis; eles são genes que, quando mutados, conferem vantagem de crescimento à célula. A taxa de mutação espontânea é relativamente baixa em todo o genoma, e o que torna os oncogenes relevantes no câncer é o efeito funcional da mutação, não uma maior suscetibilidade à mutação. O texto de apoio afirma: "Felizmente, a taxa de mutação espontânea é relativamente baixa, e, em geral, é necessário mais de um evento mutacional para que ocorra transformação carcinogênica completa." A alternativa confunde o papel funcional dos oncogenes com uma característica estrutural de mutabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipótese de Knudson, proposta para o retinoblastoma, postula que são necessários dois eventos mutacionais para o desenvolvimento do tumor. No retinoblastoma hereditário, uma mutação é herdada na linhagem germinativa e a segunda ocorre somaticamente; no retinoblastoma esporádico, ambas as mutações ocorrem somaticamente. A alternativa afirma que "no câncer familial, os dois eventos mutacionais responsáveis pelo câncer são transmitidos aos descendentes", o que é incorreto. No câncer familial, apenas uma das mutações é transmitida (a germinativa); a segunda mutação ocorre somaticamente na célula que dará origem ao tumor. A alternativa inverte o mecanismo da hipótese de Knudson.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao associar o linfoma de Burkitt à translocação t(9;22)(q34;q31), que dá origem ao cromossomo Filadélfia. Essa translocação é característica da leucemia mieloide crônica (LMC), e não do linfoma de Burkitt. O linfoma de Burkitt está associado à translocação t(8;14), que envolve o oncogene MYC e o gene da imunoglobulina pesada (IgH). O texto de apoio confirma: "Isso inclui a leucemia mieloide crônica t(9,22) (BCR-ABL), o linfoma folicular t(14,18) (IgH/BCL2)... B. Principais translocações cromossômicas associadas ao linfoma de Burkitt t(8,14) (MYC/IgH)." A alternativa troca as translocações de duas neoplasias distintas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar as translocações cromossômicas entre neoplasias — aqui, o linfoma de Burkitt recebe a t(9;22) da LMC. Grave: t(9;22) = LMC (BCR-ABL); t(8;14) = Burkitt (MYC/IgH). Outra armadilha é a confusão entre doença genética e hereditária: a maioria dos cânceres é esporádica, com mutações somáticas, e não herdada. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar as translocações clássicas, monte uma tabela mental: LMC → t(9;22) BCR-ABL; Burkitt → t(8;14) MYC/IgH; linfoma folicular → t(14;18) IgH/BCL2; LMA promielocítica → t(15;17) PML-RARA. E lembre: oncogenes são genes que promovem crescimento quando ativados; supressores de tumor são genes que inibem crescimento quando inativados. Essa distinção é a chave para questões de base genética do câncer.