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Questão de Medicina — Genética Médica — VUNESP 2026

MedicinaGenética Médica
Código
vu119763
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Medicina 2º Ano
A análise de cariótipo traz informações sobre a constituição cromossômica de um indivíduo. No entanto, algumas alterações cromossômicas menores que o limite de resolução do exame não são corretamente identificadas e requerem outras metodologias de análise.Uma síndrome genética que tem como causa uma alteração cromossômica indetectável na análise de cariótipo é a síndrome de
  1. ADown.
  2. BKlinefelter.
  3. CTurner.
  4. DWilliams.
  5. EEdwards.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Williams.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes genéticas e o limite de resolução do cariótipo

Gabarito: letra D. A síndrome de Williams é causada por uma microdeleção na região cromossômica 7q11.23, uma alteração submicroscópica que fica abaixo do limite de resolução do cariótipo convencional (cerca de 5–10 Mb). Por isso, seu diagnóstico exige métodos de maior sensibilidade, como a hibridização in situ por fluorescência (FISH) ou a hibridização genômica comparativa por microarray (aCGH). As demais síndromes listadas — Down, Klinefelter, Turner e Edwards — são aneuploidias (alterações no número de cromossomos) e, portanto, perfeitamente detectáveis na análise cariotípica.

O cariótipo é o exame que analisa o número e a estrutura dos cromossomos de uma célula, geralmente a partir de linfócitos do sangue periférico. Sua resolução, porém, tem um limite físico: alterações cromossômicas menores que aproximadamente 5 a 10 megabases (Mb) — como microdeleções e microduplicações — não são visualizadas ao microscópio óptico. Essas alterações submicroscópicas são a causa de diversas síndromes genéticas conhecidas, e é exatamente aí que entra a necessidade de metodologias complementares.

A síndrome de Williams (ou Williams-Beuren) é o exemplo clássico cobrado em provas: trata-se de uma microdeleção no braço longo do cromossomo 7 (7q11.23), que remove cerca de 26 a 28 genes, incluindo o gene da elastina (ELN). Essa deleção é responsável pelo fenótipo característico — fácies de "elfo", estenose aórtica supravalvar, atraso do desenvolvimento, hipercalcemia na infância e personalidade hipersocial. Como a deleção é pequena demais para o cariótipo, o diagnóstico é confirmado por FISH (que usa uma sonda fluorescente específica para a região 7q11.23) ou por microarray cromossômico.

Para entender a questão, é essencial distinguir os dois grandes grupos de alterações cromossômicas:

Tipo de alteração

Exemplo

Detectável no cariótipo?

Numérica (aneuploidia)

Trissomia do 21 (Down), 47,XXY (Klinefelter), 45,X (Turner), trissomia do 18 (Edwards)

Sim — há ganho ou perda de cromossomo inteiro, visível ao microscópio

Estrutural (microdeleção/microduplicação)

Síndrome de Williams (7q11.23), síndrome de DiGeorge (22q11.2), síndrome de Cri-du-chat (5p-)

Não — a alteração é submicroscópica, abaixo do limite de resolução

A pegadinha da banca está em listar apenas aneuploidias (que o cariótipo detecta) e uma única microdeleção (que ele não detecta). O candidato que sabe que Williams é uma microdeleção resolve a questão em segundos; o que não sabe, pode ser tentado a marcar qualquer uma das trissomias ou monossomias, todas igualmente visíveis no cariótipo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca não quer que você decore o cariótipo de cada síndrome — ela quer que você saiba qual alteração escapa do cariótipo. Down (47,XX,+21), Klinefelter (47,XXY), Turner (45,X) e Edwards (47,XX,+18) são aneuploidias, ou seja, alterações no número de cromossomos, sempre visíveis. Williams é uma microdeleção (7q11.23), alteração estrutural submicroscópica. Se a alternativa trouxer uma síndrome por microdeleção, ela é a resposta — é o único tipo que exige FISH ou microarray.

Alterações cromossômicas
  • 1Detectáveis no cariótipo (aneuploidias)
    • Down (trissomia do 21)
    • Klinefelter (47,XXY)
    • Turner (45,X)
    • Edwards (trissomia do 18)
  • 2Indetectáveis (microdeleções)
    • Williams (7q11.23)
    • DiGeorge (22q11.2)
    • Cri-du-chat (5p-)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A síndrome de Down é causada pela trissomia do cromossomo 21 (47,XX,+21 ou 47,XY,+21), uma aneuploidia que envolve um cromossomo inteiro extra. Essa alteração é facilmente visível na análise do cariótipo, sendo, inclusive, o exemplo mais clássico de indicação do exame. Não há qualquer limitação de resolução aqui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A síndrome de Klinefelter é causada pela presença de um cromossomo X extra em indivíduos do sexo masculino (47,XXY). Trata-se de uma aneuploidia dos cromossomos sexuais, perfeitamente identificável no cariótipo pela contagem e morfologia dos cromossomos. O exame é, inclusive, o padrão-ouro para seu diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de Turner é causada pela monossomia do cromossomo X (45,X), ou por mosaicismo (45,X/46,XX) ou alterações estruturais do X. Embora existam casos em que o cariótipo possa não detectar mosaicismos de baixa proporção (exigindo análise de mais células ou FISH para pesquisa de sequências do cromossomo Y), a perda completa de um cromossomo sexual é uma alteração numérica grosseira, claramente visível no cariótipo. A questão, porém, pergunta sobre uma alteração "indetectável" — e a monossomia do X não se enquadra nisso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de Williams é causada por uma microdeleção no cromossomo 7 (região 7q11.23), que remove o gene da elastina (ELN) e outros genes adjacentes. Essa deleção é submicroscópica, ou seja, menor que o limite de resolução do cariótipo convencional (aproximadamente 5–10 Mb). Por isso, o diagnóstico exige métodos como FISH (sonda específica para a região) ou microarray cromossômico (aCGH), que detectam alterações de pequena extensão. É exatamente o caso descrito no enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Edwards é causada pela trissomia do cromossomo 18 (47,XX,+18 ou 47,XY,+18), uma aneuploidia numérica que envolve um cromossomo inteiro extra. Assim como a Down, é perfeitamente detectável no cariótipo, sendo uma das trissomias autossômicas mais comuns e de fácil identificação ao microscópio.

Gabarito: letra D — a síndrome de Williams é a única entre as alternativas cuja causa (microdeleção 7q11.23) é indetectável no cariótipo convencional, exigindo FISH ou microarray para diagnóstico.

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