Pesquisadores delinearam um estudo para investigar a associação entre o consumo de maconha e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Ao término do estudo, observou-se que o risco de acidente vascular encefálico (AVE) foi 52% maior entre usuários diários de maconha em comparação aos não usuários (Risco Relativo: 1,52; Intervalo de Confiança de 95%: 1,03-2,30).Com base nesses resultados, é correto afirmar que:
Ahá uma associação estatisticamente significativa entre o uso diário de maconha e o aumento do risco de AVE.
Bos resultados não permitem concluir sobre a existência de diferença no risco de AVE entre usuários e não usuários de maconha.
Co estudo estabelece uma relação causal entre o uso diário de maconha e a ocorrência de AVE.
Do risco relativo sugere uma relação inversa entre o uso diário de maconha e a ocorrência de AVE.
Eo intervalo de confiança estreito indica que os resultados carecem de significância estatística.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — há uma associação estatisticamente significativa entre o uso diário de maconha e o aumento do risco de AVE.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Interpretação de Risco Relativo e Intervalo de Confiança
Gabarito: letra A. O intervalo de confiança de 95% (1,03–2,30) não inclui o valor 1 (risco nulo), o que indica associação estatisticamente significativa entre o uso diário de maconha e o aumento do risco de AVE. O risco relativo de 1,52 confirma a direção do efeito (risco 52% maior), e a exclusão do valor 1 pelo IC é o critério decisivo para a significância estatística.
O risco relativo (RR) é uma medida de associação que compara a incidência do desfecho entre expostos e não expostos. Um RR = 1,52 significa que a incidência de AVE entre usuários diários de maconha é 1,52 vezes maior que entre não usuários — ou seja, 52% maior. O intervalo de confiança de 95% (IC95%) é a faixa de valores plausíveis para o verdadeiro RR na população, calculada a partir da amostra estudada. A regra de ouro para interpretar significância estatística é: se o IC95% não inclui o valor 1, a associação é estatisticamente significativa (p < 0,05). Se inclui o 1, não se pode descartar que a associação seja devida ao acaso.
No caso apresentado, o IC95% varia de 1,03 a 2,30 — ambos os limites são maiores que 1. Isso significa que, mesmo no limite inferior da estimativa, há um aumento de risco de pelo menos 3%. Portanto, a associação é estatisticamente significativa. É importante distinguir significância estatística de causalidade: o estudo observacional demonstra associação, mas não estabelece relação causal, pois não controla todos os fatores de confusão possíveis (como outros hábitos de vida, comorbidades, etc.).
A pegadinha central desta questão é a confusão entre três conceitos: (1) significância estatística (decidida pelo IC excluindo o 1), (2) causalidade (que exige critérios adicionais, como temporalidade, plausibilidade biológica, consistência, etc.) e (3) direção da associação (RR > 1 indica risco aumentado; RR < 1 indica proteção). A banca explora exatamente essa fronteira: um estudo pode mostrar associação significativa sem provar causalidade, e é isso que as alternativas tentam confundir.
Guarde o critério decisivo: IC95% exclui o 1 → associação significativa; RR > 1 → risco aumentado; estudo observacional → associação, não causalidade. É exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O IC95% (1,03–2,30) não inclui o valor 1, o que indica associação estatisticamente significativa entre o uso diário de maconha e o aumento do risco de AVE. O RR de 1,52 reforça a direção do efeito (risco 52% maior). A exclusão do valor 1 pelo intervalo de confiança é o critério formal de significância estatística.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os resultados não permitem concluir sobre diferença de risco. Isso contraria o IC95% que exclui o 1 — há diferença estatisticamente significativa. A alternativa confunde "não provar causalidade" com "não haver associação". O estudo mostra associação significativa, embora não estabeleça causalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O estudo é observacional (não especificado como ensaio clínico), e estudos observacionais demonstram associação, não causalidade. Para estabelecer relação causal, seriam necessários critérios adicionais (temporalidade, plausibilidade biológica, consistência, dose-resposta, etc.). A alternativa extrapola os resultados além do que o delineamento permite.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O RR = 1,52 (> 1) indica relação direta (risco aumentado), não inversa. Relação inversa seria indicada por RR < 1 (fator protetor). A alternativa inverte a interpretação da medida de associação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O IC95% (1,03–2,30) é relativamente estreito e, principalmente, não inclui o 1, o que indica significância estatística — o oposto do que a alternativa afirma. A alternativa confunde "intervalo estreito" com "falta de significância", quando na verdade o critério é a exclusão do valor 1.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre significância estatística (IC exclui o 1) e causalidade (que exige mais critérios). O candidato que sabe que o estudo é observacional pode achar que "não se pode concluir nada" (letra B), mas isso é diferente de "não há associação significativa". A letra C também é tentadora, pois o RR > 1 sugere efeito, mas associação não é causalidade. Fique atento: a questão pergunta o que os resultados permitem afirmar, e os resultados permitem afirmar associação significativa, não causalidade.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao interpretar RR ou OR com IC95%, siga este fluxo: (1) o IC inclui o 1? Se sim → sem significância estatística. Se não → significância estatística. (2) O RR é > 1 ou < 1? Isso define a direção (risco ou proteção). (3) O estudo é observacional ou experimental? Isso define se pode falar em causalidade. Essa sequência resolve a maioria das questões de epidemiologia sobre medidas de associação.