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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2026

MedicinaPneumologia
Código
vu119787
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Medicina 3º Ano
A via mais importante para a resposta respiratória à PCO2 arterial sistêmica é a ativação
  1. Ada área quimiossensível da medula pelo CO₂.
  2. Bda área quimiossensível da medula pelos íons hidrogênio.
  3. Cdos corpos carotídeos pelo CO₂.
  4. Ddos corpos carotídeos pelos íons hidrogênio.
  5. Edos receptores nos pulmões pelo CO₂.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — da área quimiossensível da medula pelos íons hidrogênio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle da ventilação: quimiorreceptores centrais e periféricos

Gabarito: letra B. A resposta respiratória mais importante à PCO2 arterial sistêmica é mediada pela ativação da área quimiossensível da medula, mas o estímulo direto não é o CO₂ em si — é o aumento da concentração de íons hidrogênio (H⁺) no líquido cefalorraquidiano, que ocorre quando o CO₂ atravessa a barreira hematoencefálica e reage com a água formando ácido carbônico. Os quimiorreceptores centrais são, portanto, sensíveis ao pH do LCR, e é essa via que responde pela maior parte (cerca de 70-80%) da resposta ventilatória à hipercapnia.

A regulação da respiração depende de dois grupos de quimiorreceptores: os centrais, localizados na superfície ventrolateral do bulbo (medula), e os periféricos, localizados nos corpos carotídeos (e, em menor grau, nos corpos aórticos). Os centrais respondem primariamente às variações de PCO2 arterial, mas o mecanismo é indireto: o CO2 difunde-se livremente pela barreira hematoencefálica, e no LCR reage com água (H2O) formando ácido carbônico (H2CO3), que se dissocia em H+ e bicarbonato (HCO3-). Como a barreira hematoencefálica é relativamente impermeável a íons, o pH do LCR reflete de forma mais direta as variações de CO2 do que o pH sanguíneo. É a queda do pH do LCR (aumento de H+) que estimula os quimiorreceptores centrais, que então aumentam a ventilação alveolar para "lavar" o CO2 e restaurar o pH.

Os quimiorreceptores periféricos (corpos carotídeos) também respondem ao CO2, mas sua contribuição para a resposta ventilatória à hipercapnia é menor em condições fisiológicas normais. Eles são mais importantes na detecção de hipoxemia (PaO2 baixa) e, secundariamente, de acidose metabólica e hipercapnia. A resposta periférica ao CO2 é mais rápida (menor tempo de trânsito até o centro respiratório), mas de menor magnitude. Em situações de hipercapnia crônica (como na DPOC), os quimiorreceptores centrais tornam-se menos sensíveis (por compensação renal que eleva o bicarbonato no LCR), e a resposta ventilatória passa a depender mais dos quimiorreceptores periféricos — mas isso é uma adaptação patológica, não a via fisiológica mais importante.

A pegadinha clássica desta questão é trocar o estímulo direto (H+) pelo gás que o origina (CO2). O CO2 é o gatilho inicial, mas quem ativa diretamente a área quimiossensível da medula são os íons hidrogênio. A banca explora exatamente essa confusão entre o estímulo primário e o mecanismo efetor. Para fixar: CO2 atravessa a barreira → forma H+ no LCR → H+ estimula os quimiorreceptores centrais → aumenta a ventilação. O CO2 é o sinal, o H+ é o mensageiro.

Guarde a distinção entre os dois pares de quimiorreceptores e seus estímulos principais: centrais respondem ao pH do LCR (via CO2), periféricos respondem à PaO2 (e secundariamente ao pH arterial e à PCO2). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1CO₂ arterial ↑
  2. 2Atravessa barreira hematoencefálica
  3. 3Forma H⁺ no LCR
  4. 4pH do LCR ↓
  5. 5Ativa quimiorreceptores centrais
  6. 6Ventilação ↑
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a área quimiossensível da medula é ativada pelo CO₂. O CO₂ é o estímulo que inicia o processo, mas não é o agente direto: ele difunde-se para o LCR, onde forma H⁺, e são esses íons que ativam os quimiorreceptores centrais. A alternativa troca o estímulo indireto pelo direto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A via mais importante para a resposta respiratória à PCO2 arterial é a ativação da área quimiossensível da medula pelos íons hidrogênio. O CO2 arterial elevado atravessa a barreira hematoencefálica, reage com a água no LCR formando H2CO3, que se dissocia em H+ e HCO3-. O aumento de H+ (queda do pH do LCR) estimula os quimiorreceptores centrais, que aumentam a ventilação. É a via dominante na resposta à hipercapnia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os corpos carotídeos (quimiorreceptores periféricos) respondem ao CO₂, mas essa via é secundária na resposta à hipercapnia. A via mais importante é a central. Além disso, o estímulo direto dos corpos carotídeos é predominantemente a hipoxemia (PaO2 baixa), não o CO2.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os corpos carotídeos respondem a íons hidrogênio (acidose), mas essa é uma via periférica secundária, não a mais importante para a resposta à PCO2 arterial. A via central (medula) é a dominante. A alternativa erra ao atribuir a via mais importante aos quimiorreceptores periféricos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não existem quimiorreceptores nos pulmões que respondam ao CO₂ para controle ventilatório. Os pulmões possuem receptores de estiramento (Hering-Breuer) e receptores justacapilares (J), mas não são quimiorreceptores de CO2. A resposta ventilatória ao CO2 é mediada por quimiorreceptores centrais e periféricos, não por receptores pulmonares.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o estímulo direto pelo indireto: o CO₂ é o gatilho, mas quem ativa a área quimiossensível da medula são os íons H⁺ formados no LCR. O candidato que decora "CO₂ estimula a medula" sem entender o mecanismo cai na alternativa A. Lembre-se: CO₂ é o sinal, H⁺ é o mensageiro.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte o fluxo: CO₂ arterial ↑ → atravessa a barreira hematoencefálica → reage com H₂O no LCR → forma H₂CO₃ → dissocia em H⁺ + HCO₃⁻ → pH do LCR ↓ → ativa quimiorreceptores centrais → ventilação ↑. Compare com os periféricos: corpos carotídeos respondem principalmente à PaO₂ ↓ (hipoxemia), e secundariamente ao pH arterial e à PCO₂.

Gabarito: letra B

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