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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2026

MedicinaNefrologia
Código
vu119790
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Medicina 3º Ano
Paciente portador de cirrose hepática evoluiu, ao longo de seis meses, com elevação da creatinina sérica para valores aproximadamente duas vezes superiores ao basal, após uso prolongado de anti-inflamatório não esteroidal (AINE) para tratamento de artrite.Constitui a melhor explicação para o aumento da creatinina sérica:
  1. Aaumento da resistência arteriolar aferente, que reduziu a taxa de filtração glomerular (TFG).
  2. Baumento da resistência arteriolar eferente, que reduziu a TFG.
  3. Caumento das prostaglandinas renais devido ao AINE.
  4. Daumento da formação de óxido nítrico devido ao AINE.
  5. Ediminuição da pressão da cápsula de Bowman, que reduziu a TFG.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — aumento da resistência arteriolar aferente, que reduziu a taxa de filtração glomerular (TFG).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefrotoxicidade por AINE: o papel da arteríola aferente

Gabarito: letra A. O AINE, ao inibir a síntese de prostaglandinas, remove o principal mecanismo de vasodilatação da arteríola aferente, levando ao aumento da resistência arteriolar aferente e consequente redução da taxa de filtração glomerular (TFG). Essa é a explicação fisiopatológica central da lesão renal induzida por anti-inflamatórios não esteroidais, especialmente relevante em pacientes com cirrose hepática, que já apresentam um estado de hipoperfusão renal crônica.

A lesão renal aguda (LRA) induzida por AINE é um exemplo clássico de LRA pré-renal, que resulta da diminuição do fluxo sanguíneo renal e da perfusão do rim. Para entender por que a alternativa A é a correta, é preciso dominar a fisiologia da autorregulação do fluxo sanguíneo renal e o papel das prostaglandinas nesse processo.

O que acontece no rim com o uso de AINE?

Em condições fisiológicas, o rim mantém um fluxo sanguíneo e uma TFG relativamente constantes, mesmo com variações da pressão arterial sistêmica. Esse fenômeno é chamado de autorregulação renal e depende de dois mecanismos principais: o reflexo miogênico e o feedback túbulo-glomerular. Ambos atuam modulando o tônus das arteríolas aferente e eferente.

Quando há uma queda da perfusão renal (como ocorre na cirrose hepática, na insuficiência cardíaca ou na depleção de volume), o rim depende de mecanismos compensatórios para manter a TFG. Um desses mecanismos é a produção local de prostaglandinas vasodilatadoras (principalmente PGE2 e PGI2), que dilatam a arteríola aferente, aumentando o fluxo sanguíneo renal e a pressão hidrostática no glomérulo, preservando a filtração.

Os AINEs atuam inibindo a enzima ciclooxigenase (COX), responsável pela síntese de prostaglandinas a partir do ácido araquidônico. Ao bloquear essa via, o AINE suprime a vasodilatação compensatória da arteríola aferente. O resultado é um aumento da resistência arteriolar aferente, com consequente redução do fluxo sanguíneo renal e da pressão hidrostática glomerular, levando à queda da TFG e à elevação da creatinina sérica.

Por que o paciente com cirrose é particularmente vulnerável?

O paciente com cirrose hepática frequentemente apresenta um estado de circulação hiperdinâmica com vasodilatação esplâncnica, o que leva a uma redução do volume arterial efetivo e à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e do sistema nervoso simpático. Essa ativação causa vasoconstrição da arteríola eferente (mediada pela angiotensina II) para manter a pressão de filtração glomerular. Nesse cenário, a produção de prostaglandinas vasodilatadoras na arteríola aferente é crucial para contrabalançar a vasoconstrição eferente e manter a TFG. O uso de AINE nesse paciente remove esse mecanismo compensatório, precipitando uma queda acentuada da TFG e a elevação da creatinina, como descrito no enunciado.

A distinção crucial: aferente vs. eferente

A pegadinha central desta questão está na distinção entre os efeitos da vasoconstrição da arteríola aferente e da arteríola eferente sobre a TFG. A alternativa B inverte o mecanismo, atribuindo ao AINE um efeito na arteríola eferente, o que não corresponde à fisiopatologia. A vasoconstrição da arteríola eferente (mediada pela angiotensina II) é um mecanismo compensatório que aumenta a pressão hidrostática glomerular e, portanto, tende a manter ou aumentar a TFG, não a reduzir. Já a vasoconstrição da arteríola aferente reduz o fluxo sanguíneo renal e a pressão hidrostática glomerular, diminuindo a TFG.

Critério

Arteríola Aferente

Arteríola Eferente

Efeito da vasoconstrição

↓ Fluxo sanguíneo renal e ↓ pressão hidrostática glomerular → ↓ TFG

↑ Pressão hidrostática glomerular → ↑ ou mantém TFG

Mediadores da vasoconstrição

Noradrenalina, angiotensina II (em menor grau), AINE (ao inibir prostaglandinas)

Angiotensina II (principal)

Efeito da vasodilatação

↑ Fluxo sanguíneo renal e ↑ pressão hidrostática glomerular → ↑ TFG

↓ Pressão hidrostática glomerular → ↓ TFG

Mediadores da vasodilatação

Prostaglandinas (PGE2, PGI2), óxido nítrico

Óxido nítrico (em menor grau)

Guarde essa fronteira: AINE → inibição de prostaglandinas → vasoconstrição da arteríola aferente → ↓ TFG. É exatamente nesse eixo que as alternativas se dividem.

1Mecanismo do AINE
Inibe COX
↓ Prostaglandinas
Vasoconstrição aferente
↓ TFG
2Vasoconstrição aferente
↓ Fluxo sanguíneo renal
↓ Pressão hidrostática glomerular
↓ TFG
3Vasoconstrição eferente
↑ Pressão hidrostática glomerular
Mantém ou ↑ TFG
AINE e TFG
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AINE e TFG: Mecanismo do AINE (Inibe COX, ↓ Prostaglandinas, Vasoconstrição aferente, ↓ TFG); Vasoconstrição aferente (↓ Fluxo sanguíneo renal, ↓ Pressão hidrostática glomerular, ↓ TFG); Vasoconstrição eferente (↑ Pressão hidrostática glomerular, Mantém ou ↑ TFG)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A descreve com precisão o mecanismo fisiopatológico da nefrotoxicidade por AINE. O AINE, ao inibir a COX, reduz a síntese de prostaglandinas vasodilatadoras, que são essenciais para manter a arteríola aferente dilatada em situações de hipoperfusão renal (como na cirrose). A consequente vasoconstrição da arteríola aferente diminui o fluxo sanguíneo renal e a pressão hidrostática glomerular, reduzindo a TFG e elevando a creatinina sérica. A alternativa espelha exatamente os termos-chave do mecanismo: "aumento da resistência arteriolar aferente" e "reduziu a TFG".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao atribuir o aumento da resistência à arteríola eferente. A vasoconstrição da arteríola eferente, mediada principalmente pela angiotensina II, é um mecanismo compensatório que aumenta a pressão hidrostática glomerular e, portanto, tende a manter ou aumentar a TFG, não a reduzi-la. O AINE não causa vasoconstrição da arteríola eferente; seu efeito é exclusivamente na arteríola aferente, ao suprimir a vasodilatação dependente de prostaglandinas. A banca inverteu o vaso-alvo para confundir o candidato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o AINE aumenta as prostaglandinas renais, o que é exatamente o oposto do que ocorre. O AINE é um inibidor da enzima ciclooxigenase (COX), responsável pela síntese de prostaglandinas a partir do ácido araquidônico. Portanto, o AINE diminui a produção de prostaglandinas renais, e não a aumenta. Essa redução é justamente o mecanismo que leva à vasoconstrição da arteríola aferente e à queda da TFG.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que o AINE aumenta a formação de óxido nítrico, o que não é correto. O óxido nítrico é um potente vasodilatador, e seu aumento tenderia a aumentar o fluxo sanguíneo renal e a TFG, não a reduzi-los. O AINE não tem efeito direto sobre a síntese de óxido nítrico; seu mecanismo de ação está centrado na inibição da COX e na consequente redução das prostaglandinas. A alternativa confunde o mediador vasodilatador (óxido nítrico) com o mecanismo real do AINE (inibição de prostaglandinas).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que há uma diminuição da pressão da cápsula de Bowman, o que reduziria a TFG. Na verdade, a pressão na cápsula de Bowman é uma força que se opõe à filtração glomerular. Uma diminuição dessa pressão aumentaria a pressão efetiva de filtração e, portanto, aumentaria a TFG, não a reduziria. O mecanismo correto da queda da TFG induzida por AINE envolve a redução da pressão hidrostática glomerular (devido à vasoconstrição aferente), e não uma alteração na pressão da cápsula de Bowman. A alternativa inverte o sentido do efeito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os efeitos da vasoconstrição das arteríolas aferente e eferente. Lembre-se: AINE → ↓ prostaglandinas → vasoconstrição aferente → ↓ TFG. A vasoconstrição eferente (por angiotensina II) é um mecanismo compensatório que mantém a TFG, não a reduz. Identificar o vaso-alvo correto é a chave para não cair nessa armadilha.

Gabarito: letra A

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