Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — VUNESP 2026
Medicina›Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
vu119796
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Assinale a alternativa correta, segundo o Código de Ética Médica.
AÉ permitido ao médico deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação fazê-lo, quando respaldado por decisão majoritária da categoria.
BÉ vedado ao médico deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento médico que indicou, ou do qual participou, mesmo quando vários médicos tenham assistido o paciente.
CQuando proibido por seu empregador, é permitido ao médico deixar de esclarecer o trabalhador sobre as condições de trabalho que ponham em risco sua saúde.
DÉ permitido ao médico assumir responsabilidade por ato médico que não praticou ou do qual não participou, desde que o colega assistente do caso lhe tenha relatado.
EÉ permitido ao médico deixar de colaborar com as autoridades sanitárias ou infringir a legislação pertinente, caso tenha argumentos consistentes.
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GabaritoB — É vedado ao médico deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento médico que indicou, ou do qual participou, mesmo quando vários médicos tenham assistido o paciente.
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Código de Ética Médica: responsabilidade profissional e vedações
Gabarito: letra B. O Código de Ética Médica veda expressamente ao médico deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento que indicou ou do qual participou, mesmo quando outros médicos tenham assistido o paciente — é o que dispõe o art. 2º, capítulo III (Responsabilidade Profissional). As demais alternativas contrariam vedações expressas do mesmo Código, como veremos.
O Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018) é o conjunto de normas que rege a conduta do médico no exercício profissional, independentemente do cargo ou função que ocupe. Sua fiscalização cabe aos Conselhos de Medicina (CFM e CRMs), e o descumprimento sujeita o infrator às penas disciplinares previstas em lei. A questão cobra exatamente a literalidade de algumas vedações do Capítulo III — Responsabilidade Profissional —, que é um dos mais cobrados em provas de ética médica.
A lógica por trás dessas vedações é a proteção da relação de confiança entre médico e paciente e a garantia de que o ato médico seja sempre exercido com zelo, verdade e responsabilidade. O médico não pode se eximir de suas obrigações profissionais, não pode delegar atos exclusivos da profissão, não pode assumir responsabilidade por ato que não praticou e não pode se recusar a colaborar com as autoridades sanitárias. Cada uma dessas condutas, se praticada, compromete a qualidade do atendimento e a segurança do paciente.
Na prática, imagine um médico que indica uma cirurgia e participa do procedimento. Mesmo que outros colegas também tenham assistido o paciente, ele permanece responsável pelo ato que indicou e do qual participou. Essa responsabilidade é intransferível e não se dilui pela presença de outros profissionais. Da mesma forma, um médico que não realizou determinado procedimento jamais pode assinar ou assumir a responsabilidade por ele, ainda que o colega assistente relate o caso — a responsabilidade exige participação real no ato.
A distinção que importa aqui é entre responsabilidade compartilhada e transferência de responsabilidade. Vários médicos podem ser responsáveis pelo mesmo paciente, cada um pelos atos que praticou, mas nenhum pode transferir a outrem a responsabilidade por um ato que não praticou, nem se eximir da responsabilidade por um ato que praticou. A banca explora exatamente essa confusão: o fato de vários médicos terem assistido o paciente não exime nenhum deles da responsabilidade individual pelos atos que praticou.
A pegadinha central desta questão é a inversão do sentido das vedações: todas as alternativas incorretas apresentam condutas permitidas quando, na verdade, são vedadas pelo Código. A alternativa B é a única que apresenta corretamente uma vedação. Guarde esse padrão: em questões sobre o Código de Ética Médica, desconfie sempre de alternativas que flexibilizam deveres do médico — a regra é a rigidez ética, não a permissividade.
Dispositivo (Cap. III – Responsabilidade Profissional)
Conduta vedada
Exceção admitida pelo CEM?
Art. 2º
Deixar de assumir responsabilidade por procedimento que indicou ou do qual participou, mesmo com outros médicos assistindo
Não
Art. 2º (dever de atendimento)
Deixar de atender em urgência/emergência quando for obrigação
Não (nem por decisão majoritária da categoria)
Art. 2º (dever de esclarecer)
Deixar de esclarecer trabalhador sobre riscos à saúde
Não (nem por ordem do empregador)
Art. 5º
Assumir responsabilidade por ato médico que não praticou ou do qual não participou
Não (nem com relato do colega)
Art. 2º (dever de colaborar)
Deixar de colaborar com autoridades sanitárias ou infringir legislação
Não (nem com argumentos consistentes)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que é permitido ao médico deixar de atender em setores de urgência e emergência quando respaldado por decisão majoritária da categoria. Isso contraria frontalmente o dever de atendimento. O Código de Ética Médica veda ao médico deixar de atender em setores de urgência e emergência quando for de sua obrigação fazê-lo, e essa vedação não comporta exceção baseada em decisão da categoria. A decisão majoritária da categoria não pode suprimir um dever ético fundamental do médico. O erro está em condicionar o descumprimento de um dever a uma deliberação coletiva, o que não existe no Código.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única alternativa que reproduz corretamente uma vedação do Código de Ética Médica. O art. 2º, capítulo III (Responsabilidade Profissional), veda ao médico "deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento médico que indicou ou do qual participou, mesmo quando vários médicos tenham assistido o paciente". A responsabilidade pelo ato médico é pessoal e intransferível: o fato de outros médicos terem assistido o paciente não exime o médico que indicou ou participou do procedimento. A alternativa espelha exatamente o texto do dispositivo, sem qualquer inversão ou acréscimo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que é permitido ao médico deixar de esclarecer o trabalhador sobre condições de trabalho que ponham em risco sua saúde quando proibido pelo empregador. Isso é vedado. O médico tem o dever de esclarecer o paciente — e o trabalhador é seu paciente — sobre riscos à saúde, e nenhuma ordem do empregador pode suprimir esse dever. O Código de Ética Médica veda ao médico deixar de esclarecer o trabalhador sobre condições de trabalho que ponham em risco sua saúde, mesmo quando proibido pelo empregador. A hierarquia empregatícia não se sobrepõe aos deveres éticos do médico. O erro está em subordinar o dever ético à vontade do empregador.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que é permitido ao médico assumir responsabilidade por ato médico que não praticou ou do qual não participou, desde que o colega assistente lhe tenha relatado. Isso é expressamente vedado pelo art. 5º do capítulo III do Código de Ética Médica: "Assumir responsabilidade por ato médico que não praticou ou do qual não participou". A responsabilidade exige participação real no ato; o relato do colega não substitui a prática do ato. O erro está em admitir a assunção de responsabilidade por ato alheio, o que viola a verdade e a integridade do exercício profissional.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que é permitido ao médico deixar de colaborar com as autoridades sanitárias ou infringir a legislação pertinente, caso tenha argumentos consistentes. Isso é vedado. O médico tem o dever de colaborar com as autoridades sanitárias e de cumprir a legislação pertinente, e esse dever não comporta exceção baseada em argumentos pessoais. O Código de Ética Médica veda ao médico deixar de colaborar com as autoridades sanitárias ou infringir a legislação pertinente. O erro está em admitir o descumprimento de deveres legais e éticos com base em justificativa subjetiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o sentido das vedações: quatro alternativas apresentam condutas permitidas quando, na verdade, são vedadas pelo Código. A pegadinha é acreditar que o Código abre exceções para o descumprimento de deveres (decisão da categoria, ordem do empregador, relato de colega, argumentos consistentes). Nenhuma dessas exceções existe — a regra é a rigidez ética. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre o Código de Ética Médica, desconfie de alternativas que flexibilizam deveres do médico. A regra é a vedação absoluta: o médico não pode deixar de atender, não pode delegar atos exclusivos, não pode assumir responsabilidade por ato que não praticou, não pode deixar de colaborar com as autoridades. Se a alternativa apresenta uma exceção a esses deveres, ela está errada.