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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2026

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
vu119805
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
A intoxicação por metanol tem sido matéria na imprensa e motivo de mobilização do Sistema Único de Saúde (SUS) em diversos níveis de proteção à saúde da população. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas permanentes e reduzir a mortalidade.Com relação ao tratamento, assinale a alternativa correta.
  1. AO tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo diante da suspeita clínica, devido à rápida progressão da intoxicação.
  2. BO objetivo do tratamento específico seria impedir a conversão de metanol em formaldeído e ácido fórmico, mas não há antídoto disponível ainda.
  3. CO tratamento atualmente disponível é essencialmente a hidratação endovenosa nos casos graves, monitoramento e reposição dos eletrólitos.
  4. DO tratamento deve ser instituído assim que houver a confirmação diagnóstica, por meio de dosagem de metanol no sangue.
  5. EO tratamento tardio na intoxicação por metanol é a sua evolução silenciosa e insidiosa.
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GabaritoA — O tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo diante da suspeita clínica, devido à rápida progressão da intoxicação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intoxicação por metanol: tratamento de emergência

Gabarito: letra A. O tratamento da intoxicação por metanol deve ser iniciado imediatamente, mesmo diante da suspeita clínica, porque a conversão do metanol em formaldeído e ácido fórmico — metabólitos tóxicos responsáveis pela acidose metabólica grave, cegueira e morte — progride rapidamente, e a espera pela confirmação diagnóstica pode ser fatal. Essa conduta é respaldada pela diretriz de emergências toxicológicas, que preconiza a instituição precoce da terapia específica (fomepizol ou etanol) e medidas de suporte.

A intoxicação por metanol é uma emergência toxicológica clássica, frequentemente associada à ingestão acidental ou intencional de produtos como solventes, goma-laca, vernizes e soluções de degelo. O metanol em si tem baixa toxicidade, mas é metabolizado pela enzima álcool desidrogenase (ADH) no fígado, gerando formaldeído e, em seguida, ácido fórmico. É o ácido fórmico o principal responsável pelos danos: causa acidose metabólica com hiato aniônico elevado, lesão retiniana levando à cegueira, hemorragia no putame e síndrome parkinsoniana tardia. O quadro clínico evolui com embriaguez aguda, seguida de um período assintomático de 24 a 36 horas, após o qual surgem dor abdominal, convulsões, cegueira e coma.

O tratamento específico visa impedir a conversão do metanol em seus metabólitos tóxicos, inibindo a ADH. O fomepizol (4-metilpirazol) é o agente de escolha, mas o etanol também pode ser usado como antídoto alternativo, competindo pela mesma enzima. Além disso, a hemodiálise é indicada para remover o metanol e o ácido fórmico já formados, especialmente em casos de acidose grave, insuficiência renal ou níveis elevados do tóxico. Medidas de suporte, como correção da acidose com bicarbonato, hidratação e monitoramento eletrolítico, são complementares, mas não substituem o antídoto.

A rapidez na instituição do tratamento é crucial porque o ácido fórmico se acumula rapidamente e causa danos irreversíveis, especialmente na retina. Esperar a confirmação diagnóstica por dosagem sanguínea de metanol pode atrasar a terapia em horas preciosas, período em que a toxicidade já pode estar se manifestando. Por isso, a recomendação é iniciar o tratamento diante da suspeita clínica fundamentada (história de ingestão, acidose metabólica com hiato aniônico elevado, osmolaridade aumentada, sintomas visuais), sem aguardar o resultado laboratorial.

A banca explora a confusão entre "iniciar imediatamente" e "aguardar confirmação diagnóstica", além de distorcer o papel do antídoto e das medidas de suporte. O candidato que não domina a fisiopatologia tende a acreditar que o tratamento só começa após a dosagem de metanol, o que é um erro grave na prática clínica.

  1. 1Suspeita clínica
  2. 2Iniciar tratamento imediato
  3. 3Antídoto (fomepizol/etanol)
  4. 4Hemodiálise nos casos graves
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque reflete o princípio fundamental do manejo da intoxicação por metanol: o tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo diante da suspeita clínica, devido à rápida progressão da intoxicação. A fisiopatologia explica o porquê: o metanol é metabolizado pela álcool desidrogenase em formaldeído e ácido fórmico, e este último é o responsável pela acidose metabólica grave, cegueira e morte. Como o período assintomático pode mascarar a gravidade, aguardar a confirmação diagnóstica por dosagem sanguínea pode permitir que os metabólitos tóxicos se acumulem, causando danos irreversíveis. A diretriz de emergências toxicológicas preconiza a administração imediata do antídoto (fomepizol ou etanol) diante da suspeita clínica, sem esperar o resultado laboratorial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que "não há antídoto disponível ainda". Na verdade, existem antídoto específicos: o fomepizol (4-metilpirazol) é o agente de escolha para inibir a álcool desidrogenase e impedir a formação de metabólitos tóxicos, e o etanol também pode ser utilizado como alternativa. O objetivo do tratamento específico está correto — impedir a conversão de metanol em formaldeído e ácido fórmico —, mas a afirmação de que não há antídoto é falsa. A banca explora o desconhecimento sobre a disponibilidade do fomepizol no Brasil, que, embora nem sempre esteja prontamente acessível em todos os serviços, é o tratamento padrão recomendado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque reduz o tratamento a medidas de suporte (hidratação, monitoramento e reposição de eletrólitos), omitindo o tratamento específico com antídoto. Embora a hidratação e a correção de eletrólitos sejam importantes no manejo, elas não impedem a conversão do metanol em metabólitos tóxicos. O tratamento essencial é a inibição da álcool desidrogenase com fomepizol ou etanol, além da hemodiálise nos casos graves. A banca tenta fazer o candidato acreditar que apenas medidas de suporte são suficientes, o que é um erro grave na prática clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao condicionar o início do tratamento à confirmação diagnóstica por dosagem de metanol no sangue. Na intoxicação por metanol, o tratamento deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita clínica, sem aguardar o resultado laboratorial. A dosagem de metanol pode demorar horas para ficar pronta, e nesse intervalo os metabólitos tóxicos já podem causar danos irreversíveis, como cegueira. A banca explora a falsa premissa de que é necessário confirmar o diagnóstico antes de tratar, quando na verdade a rapidez é crucial para reduzir a morbimortalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta e confusa. O tratamento tardio não é "a evolução silenciosa e insidiosa" da intoxicação; na verdade, o tratamento tardio é um erro médico que leva a piores desfechos. A evolução silenciosa e insidiosa é uma característica da intoxicação por metanol, que apresenta um período assintomático de 24 a 36 horas após a ingestão, mas isso não se confunde com o tratamento. A banca tenta confundir o candidato com uma frase sem sentido clínico, misturando conceitos de evolução da doença com a conduta terapêutica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "iniciar imediatamente" e "aguardar confirmação diagnóstica". Na intoxicação por metanol, o tratamento deve ser iniciado diante da suspeita clínica, sem esperar a dosagem sanguínea, porque a progressão para acidose grave e cegueira é rápida. O candidato que não domina a fisiopatologia tende a acreditar que é necessário confirmar o diagnóstico antes de tratar, o que é um erro grave. Lembre-se: a rapidez na instituição do antídoto (fomepizol ou etanol) é crucial para reduzir a morbimortalidade.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de intoxicação por metanol, lembre-se do tripé: (1) inibição da álcool desidrogenase com fomepizol ou etanol; (2) correção da acidose metabólica com bicarbonato; (3) hemodiálise nos casos graves. O tratamento deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial. Essa é a chave para acertar questões que exploram o timing do tratamento.

Gabarito: letra A

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