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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119810
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Uma mulher de 28 anos procura a Unidade Básica de Saúde por irregularidade menstrual, há 2 anos, ganho ponderal progressivo e acne resistente. Refere ciclos a cada 2–3 meses, sem galactorreia ou sintomas vasomotores. Ao exame físico: IMC: 33 kg/m² , acantose nigricans e hirsutismo moderado. O médico de família solicita exames, obtendo os seguintes resultados: FSH: 5,2 mUI/mL; LH: 12,8 mUI/mL; TSH: 2,0 mUI/mL; Prolactina: 25 ng/mL; Testosterona total: discretamente aumentada; Glicemia de jejum: 104 mg/dL; A ultrassonografia pélvica mostra ovários aumentados com múltiplos folículos periféricos.Com base nos critérios de Rotterdam e nas condutas recomendadas para a Atenção Primária, assinale a alternativa correta.
  1. AO padrão hormonal indica disfunção hipotalâmica, pois o aumento relativo do LH sobre o FSH reflete falha na liberação pulsátil de GnRH, caracterizando anovulação central.
  2. BA paciente apresenta insuficiência ovariana prematura; deve iniciar terapia hormonal de reposição combinada.
  3. CA hipótese de síndrome metabólica leva à indicação inicial da metformina para normalizar o eixo HHO.
  4. DA discreta elevação da prolactina confirma hiperprolactinemia; deve-se repetir o exame e solicitar ressonância de sela túrcica.
  5. EO quadro é compatível com SOP; deve-se orientar perda de peso e considerar anticoncepcional combinado para controle do hiperandrogenismo.
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GabaritoE — O quadro é compatível com SOP; deve-se orientar perda de peso e considerar anticoncepcional combinado para controle do hiperandrogenismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): diagnóstico e conduta na Atenção Primária

Gabarito: letra E. O quadro clínico-laboratorial — irregularidade menstrual (oligomenorreia), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) e ovários policísticos à ultrassonografia — preenche os critérios de Rotterdam para SOP, e a conduta inicial na Atenção Primária envolve mudança de estilo de vida (perda de peso) e, para controle do hiperandrogenismo e regulação do ciclo, o uso de anticoncepcional hormonal combinado (AHC). As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas para o caso.

A SOP é o distúrbio endócrino mais comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam (2003), que exigem a presença de pelo menos 2 de 3 critérios: (1) oligo/anovulação (ciclos irregulares, como os ciclos a cada 2–3 meses da paciente); (2) hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada); (3) ovários policísticos à ultrassonografia (ovários aumentados com múltiplos folículos periféricos). É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e anovulação, como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana e hiperplasia adrenal congênita não clássica.

A fisiopatologia da SOP envolve resistência insulínica e hiperinsulinemia, que estimulam a produção de andrógenos pelos ovários e levam ao aumento da pulsatilidade do GnRH, resultando em elevação do LH em relação ao FSH (razão LH/FSH > 2, como no caso: LH 12,8 / FSH 5,2). Isso não indica disfunção hipotalâmica, mas sim uma consequência da própria SOP. A resistência insulínica também explica a acantose nigricans e o ganho ponderal.

Na Atenção Primária, a conduta inicial para mulheres com SOP que não desejam engravidar inclui: perda de peso (mesmo 5-10% do peso corporal melhora o perfil metabólico e a ovulação) e anticoncepcional hormonal combinado (AHC) como primeira linha para controle do hiperandrogenismo e regulação do ciclo menstrual. A metformina não é tratamento de primeira linha para SOP, sendo reservada para casos de intolerância à glicose ou quando o AHC é contraindicado ou não atinge metas metabólicas. A hiperprolactinemia leve (prolactina 25 ng/mL, valor de referência geralmente até 25-30 ng/mL) não confirma diagnóstico de hiperprolactinemia, e a investigação com ressonância de sela túrcica só é indicada em casos de prolactina francamente elevada ou sintomas sugestivos de tumor hipofisário.

A distinção crucial que separa as alternativas é o reconhecimento da SOP como diagnóstico e a conduta adequada na Atenção Primária: perda de peso + AHC. As alternativas incorretas confundem o padrão hormonal da SOP com disfunção hipotalâmica, insuficiência ovariana prematura, indicam metformina como primeira linha e supervalorizam uma prolactina discretamente elevada.

Critério

SOP (caso da paciente)

Insuficiência Ovariana Prematura

Disfunção Hipotalâmica

FSH

Normal (5,2 mUI/mL)

Elevado (> 40 mUI/mL)

Baixo ou normal

LH

Elevado (12,8 mUI/mL), razão LH/FSH > 2

Elevado (junto com FSH)

Baixo ou normal

Sintomas vasomotores

Ausentes

Presentes (fogachos)

Variável

Mecanismo

Aumento da pulsatilidade de GnRH (por hiperinsulinemia)

Falência ovariana (perda folicular)

Falha na liberação pulsátil de GnRH

Conduta inicial

Perda de peso + anticoncepcional hormonal combinado

Terapia hormonal de reposição

Depende da causa (estresse, baixo peso, etc.)

1Oligo/anovulação
ciclos irregulares
2Hiperandrogenismo
clínico (hirsutismo, acne)
laboratorial (testosterona)
3Ovários policísticos
múltiplos folículos periféricos
4Excluir outras causas
hiperprolactinemia
disfunção tireoidiana
hiperplasia adrenal
Critérios de Rotterdam (SOP)
LEVELsoulevel.com.br
Critérios de Rotterdam (SOP): Oligo/anovulação (ciclos irregulares); Hiperandrogenismo (clínico (hirsutismo, acne), laboratorial (testosterona)); Ovários policísticos (múltiplos folículos periféricos); Excluir outras causas (hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, hiperplasia adrenal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o padrão hormonal indica disfunção hipotalâmica, pois o aumento relativo do LH sobre o FSH reflete falha na liberação pulsátil de GnRH. Na SOP, a razão LH/FSH elevada é consequência do aumento da pulsatilidade do GnRH (não falha), estimulada pela hiperinsulinemia e pelo hiperandrogenismo. A disfunção hipotalâmica (como na amenorreia hipotalâmica funcional) cursa com FSH e LH baixos ou normais, não com LH elevado. O padrão LH > FSH é típico da SOP, não de anovulação central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A paciente não apresenta insuficiência ovariana prematura (IOP). A IOP é caracterizada por FSH elevado (geralmente > 40 mUI/mL) em mulheres com menos de 40 anos, acompanhado de hipoestrogenismo (sintomas vasomotores, como fogachos). A paciente tem FSH normal (5,2 mUI/mL), não tem sintomas vasomotores e apresenta critérios para SOP. A terapia hormonal de reposição (THR) é indicada para IOP, não para SOP.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A paciente tem critérios para síndrome metabólica (obesidade, glicemia de jejum alterada), mas a metformina não é a indicação inicial para normalizar o eixo HHO na SOP. A primeira linha de tratamento para SOP, especialmente para controle do hiperandrogenismo e regulação do ciclo, é o anticoncepcional hormonal combinado (AHC) associado a mudanças de estilo de vida (perda de peso). A metformina é recomendada como adjuvante em casos de intolerância à glicose, diabetes ou quando o AHC é contraindicado ou insuficiente para controle metabólico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A prolactina de 25 ng/mL é discretamente elevada (o valor de referência geralmente é até 25-30 ng/mL, dependendo do laboratório) e não confirma hiperprolactinemia. A hiperprolactinemia é diagnosticada com níveis francamente elevados (geralmente > 2x o limite superior) e, mesmo assim, a investigação com ressonância de sela túrcica é reservada para casos com níveis muito elevados ou sintomas neurológicos. A elevação discreta pode ser fisiológica (estresse, coleta) ou secundária a medicamentos. No contexto da SOP, a prolactina normal ou discretamente elevada não muda o diagnóstico.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro é compatível com SOP: a paciente apresenta oligomenorreia (ciclos a cada 2-3 meses), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) e ovários policísticos à ultrassonografia (ovários aumentados com múltiplos folículos periféricos), preenchendo os critérios de Rotterdam. A conduta na Atenção Primária inclui orientar perda de peso (melhora a resistência insulínica e a ovulação) e considerar anticoncepcional combinado (AHC) para controle do hiperandrogenismo e regulação do ciclo menstrual. Esta é a conduta recomendada pelas diretrizes para mulheres com SOP que não desejam engravidar.

Gabarito: letra E

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