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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2026

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu119812
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Mulher de 27 anos procura atendimento com queixa de ferida dolorosa na vulva há 5 dias. Refere início com pápula, seguida de ulceração dolorosa e saída de secreção amarelada. Apresenta disúria e linfonodos inguinais aumentados, dolorosos à palpação. Nega febre e corrimento vaginal. Antecedentes: vida sexual ativa, sem uso de preservativos; sem comorbidades conhecidas. Ao exame físico: genitália externa com presença de duas úlceras rasas, dolorosas, com bordas irregulares e fundo sujo, base mole; linfonodos inguinais aumentados e dolorosos bilateralmente. Ausência de vesículas ou crostas. Exames rápidos: teste rápido para sífilis: negativo; teste rápido para HIV: negativo.Com base no caso clínico exposto, qual o diagnóstico provável e a conduta terapêutica inicial conforme o protocolo de Ministério da Saúde?
  1. AHerpes genital; aciclovir 400 mg, VO, 3x/dia, por 7 a 10 dias.
  2. BCancro mole (Haemophilus ducreyi); azitromicina 1 g, VO, dose única.
  3. CSífilis primária; penicilina benzatina 2,4 milhões UL intramuscular, dose única.
  4. DLinfogranuloma venéreo; doxiciclina 100 mg, VO, 2x/dia, por 21 dias.
  5. EDonovanose; azitromicina 500 mg, VO, 1x/dia, por pelo menos 3 semanas.
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GabaritoB — Cancro mole (Haemophilus ducreyi); azitromicina 1 g, VO, dose única.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlceras genitais: diagnóstico diferencial e tratamento

Gabarito: letra B. O quadro clínico — úlceras dolorosas, múltiplas, com bordas irregulares, fundo sujo e base mole, associadas a linfadenopatia inguinal dolorosa — é clássico de cancro mole (cancroide), causado pelo Haemophilus ducreyi, cujo tratamento de primeira linha é azitromicina 1 g VO em dose única, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A presença de dor intensa e a ausência de vesículas (que afastam herpes) e de base endurecida (que afasta sífilis) são os pontos-chave que direcionam o diagnóstico.

O diagnóstico diferencial das úlceras genitais é um dos temas mais cobrados em infectologia e ginecologia, e a chave está em correlacionar as características da lesão com o agente etiológico. As principais causas são: sífilis (Treponema pallidum), cancro mole (Haemophilus ducreyi), herpes genital (HSV-1 e HSV-2), linfogranuloma venéreo (Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2, L3) e donovanose (Klebsiella granulomatis). Cada uma tem um padrão clínico distinto que permite a suspeita diagnóstica antes mesmo da confirmação laboratorial.

No caso apresentado, a paciente tem úlceras dolorosas, múltiplas, com bordas irregulares, fundo sujo e base mole, além de linfonodos inguinais aumentados e dolorosos (bubão). Esse conjunto é praticamente patognomônico de cancro mole. A dor é um diferencial importante: enquanto a sífilis primária cursa com úlcera indolor, o cancro mole é extremamente doloroso. A ausência de vesículas ou crostas afasta o herpes genital, que se apresenta com lesões vesiculosas que evoluem para ulcerações. A base mole e o fundo sujo contrastam com a base endurecida e o fundo limpo da sífilis. A linfadenopatia dolorosa com possível fistulização é típica do cancro mole e do linfogranuloma venéreo, mas neste último a lesão inicial costuma ser uma pápula/pústula indolor e pouco notada, e a linfadenopatia é geralmente unilateral e com fistulização múltipla. A donovanose, por sua vez, apresenta ulcerações de evolução lenta, com fundo granuloso e sangramento fácil, sem linfadenopatia.

O tratamento do cancro mole, segundo o Ministério da Saúde, é feito com azitromicina 1 g VO em dose única, sendo alternativas a ceftriaxona 250 mg IM dose única ou ciprofloxacino 500 mg VO 2x/dia por 3 dias. É fundamental tratar também as parcerias sexuais e orientar a abstenção sexual até a cicatrização completa. A incisão e drenagem da linfadenopatia não é indicada, pois pode levar a fistulização crônica.

A banca explora exatamente a confusão entre as características clínicas das diferentes úlceras genitais. O candidato que memoriza apenas o tratamento de cada uma, sem correlacionar com o quadro clínico, tende a errar. A dica é: dor + úlcera múltipla + borda irregular + fundo sujo + base mole + linfadenopatia dolorosa = cancro mole. Guarde essa associação e a questão se resolve rapidamente.

Característica

Cancro Mole (Haemophilus ducreyi)

Sífilis Primária

Herpes Genital

Linfogranuloma Venéreo

Donovanose

Dor

Intensa

Ausente (indolor)

Intensa

Discreta/ausente

Ausente

Número de lesões

Múltiplas

Geralmente única

Múltiplas (vesículas agrupadas)

Única (pápula/pústula)

Múltiplas

Bordas

Irregulares

Regulares/endurecidas

Eritematosas

Pápula/pústula

Bem delimitadas

Fundo

Sujo

Limpo

Vesículas/úlceras pequenas

Variável

Granuloso, sangrante

Base

Mole

Endurecida (cancro duro)

Mole

Mole

Mole

Linfonodos

Dolorosos (bubão)

Indolores

Dolorosos

Unilaterais, fistulização múltipla

Ausentes

Tratamento de 1ª linha (MS)

Azitromicina 1 g VO dose única

Penicilina benzatina 2,4 mi UI IM

Aciclovir 400 mg VO 3x/dia 7-10 dias

Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia 21 dias

Azitromicina 1 g VO 1x/semana até cicatrização

Úlceras genitais
  • 1Dolorosas
    • Cancro mole (H. ducreyi)
      • bordas irregulares, fundo sujo, base mole
      • linfadenopatia dolorosa
    • Herpes genital (HSV)
      • vesículas → úlceras
      • ausência de vesículas afasta
  • 2Indolores
    • Sífilis (cancro duro)
      • base endurecida, fundo limpo
      • teste rápido negativo afasta
    • Linfogranuloma venéreo
      • lesão inicial discreta
      • linfadenopatia unilateral
  • 3Sem linfadenopatia
    • Donovanose
      • fundo granuloso, sangramento fácil
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O herpes genital se manifesta com vesículas agrupadas sobre base eritematosa, que evoluem para pequenas úlceras, e não com úlceras de bordas irregulares e fundo sujo como as descritas. Além disso, o enunciado afirma explicitamente a ausência de vesículas ou crostas, o que praticamente exclui o herpes. O tratamento com aciclovir 400 mg VO 3x/dia por 7-10 dias é correto para o primeiro episódio de herpes genital, mas o diagnóstico está errado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro clínico é clássico de cancro mole (cancroide), causado pelo Haemophilus ducreyi: úlceras dolorosas, múltiplas, com bordas irregulares, fundo sujo e base mole, associadas a linfadenopatia inguinal dolorosa. O tratamento de primeira linha, conforme o protocolo do Ministério da Saúde, é azitromicina 1 g VO em dose única. A alternativa está correta tanto no diagnóstico quanto na conduta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sífilis primária se apresenta como úlcera geralmente única, indolor, com base endurecida e fundo limpo (cancro duro). No caso, as úlceras são dolorosas, múltiplas, com base mole e fundo sujo, o que afasta o diagnóstico. Além disso, o teste rápido para sífilis foi negativo, o que reforça a exclusão. O tratamento com penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única é correto para sífilis recente, mas não se aplica a este caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O linfogranuloma venéreo (LGV) tem fase de inoculação com pápula/pústula/ulceração indolor e raramente notada, seguida de linfadenopatia inguinal com fistulização múltipla. A lesão inicial do LGV não é uma úlcera dolorosa como a descrita, e a linfadenopatia costuma ser unilateral. O tratamento com doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 21 dias é correto para LGV, mas o diagnóstico não se encaixa no quadro clínico apresentado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A donovanose (Klebsiella granulomatis) se manifesta com ulcerações múltiplas, bem delimitadas, de fundo granuloso e sangramento fácil, de evolução lenta, em região de dobras, e não ocorre linfadenopatia. A presença de linfonodos aumentados e dolorosos no caso exclui a donovanose. O tratamento com azitromicina 500 mg VO 1x/dia por pelo menos 3 semanas não é o esquema preconizado (o correto é azitromicina 1 g VO 1x/semana por 3 semanas ou até cicatrização), além de o diagnóstico estar errado.

Gabarito: letra B — cancro mole, com tratamento de azitromicina 1 g VO em dose única.

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