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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119813
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Mulher de 32 anos procura atendimento referindo corrimento vaginal amarelado, prurido intenso e ardor vulvar há 10 dias. Relata leve dispareunia e disúria externa. Nega febre, dor pélvica ou sangramento. Refere uso recente de antibiótico (amoxicilina, por 7 dias) para sinusite. Ciclo menstrual regular, sem uso de anticoncepcional hormonal. Antecedentes: sem comorbidades, não gestante. Ao exame físico ginecológico: vulva com eritema e edema leves, sem ulcerações; corrimento vaginal amarelado, grumoso, aderido às paredes vaginais; pH vaginal: 4,0 e teste das aminas negativo. Frente a esses dados, qual o diagnóstico provável e a conduta terapêutica adequada?
  1. AVaginite por Trichomonas vaginalis; tratar com metronidazol oral 2 g, em dose única.
  2. BVaginose bacteriana; tratar com metronidazol gel vaginal 0,75%, por 5 dias.
  3. CCandidíase vulvovaginal; tratar com fluconazol 150 mg VO, dose única.
  4. DVaginite mista (candidíase + vaginose); tratar com nistatina vaginal e metronidazol oral.
  5. EVaginite atrófica; tratar com estrogênio tópico diário, por 14 dias.
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GabaritoC — Candidíase vulvovaginal; tratar com fluconazol 150 mg VO, dose única.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Corrimento vaginal: diagnóstico diferencial e conduta

Gabarito: letra C. O quadro é de candidíase vulvovaginal: corrimento amarelado e grumoso aderido às paredes vaginais, prurido intenso, ardor vulvar, pH vaginal preservado (4,0) e teste das aminas negativo, em paciente com uso recente de antibiótico — fator clássico de predisposição. A conduta de primeira linha é fluconazol 150 mg via oral em dose única, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde e a literatura de ginecologia.

O corrimento vaginal é uma das queixas mais frequentes em ginecologia, e o diagnóstico diferencial entre as três principais causas infecciosas — candidíase vulvovaginal, vaginose bacteriana e tricomoníase — se faz pela combinação de características do corrimento, sintomas, pH vaginal e teste das aminas (whiff test). A candidíase é uma infecção endógena, causada principalmente por Candida albicans, que se aproveita de fatores predisponentes como uso recente de antibióticos (que elimina a flora bacteriana protetora, especialmente os lactobacilos), diabetes, imunossupressão e gestação. O quadro clássico é de prurido intenso, ardor vulvar, corrimento branco ou amarelado, grumoso (aspecto de "leite coalhado"), aderido às paredes vaginais, com pH vaginal normal (≤ 4,5) e teste das aminas negativo — exatamente o que a paciente apresenta.

A vaginose bacteriana, por sua vez, é uma infecção polimicrobiana (Gardnerella vaginalis, Mobiluncus, anaeróbios) que cursa com corrimento acinzentado, fino, com odor de peixe, pH vaginal > 4,5 e teste das aminas positivo. A tricomoníase, IST causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, apresenta corrimento amarelo-esverdeado, espumoso, com mau cheiro, pH elevado (5-6) e teste das aminas frequentemente positivo. A vaginite atrófica ocorre por hipoestrogenismo, típica da pós-menopausa, com corrimento escasso, pH elevado e ausência de prurido intenso — não se aplica a uma mulher de 32 anos com ciclo regular.

O tratamento da candidíase vulvovaginal não complicada é feito com antifúngico azólico, sendo o fluconazol 150 mg via oral em dose única a opção preferencial pela comodidade e alta eficácia. Alternativas incluem miconazol, clotrimazol ou nistatina tópicos por 7 dias. É importante lembrar que, na gestação, prefere-se a via tópica. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas a bacterioscopia com preparação a fresco (KOH 10%) pode confirmar a presença de leveduras e pseudo-hifas.

A pegadinha desta questão está em associar o corrimento amarelado à tricomoníase ou à vaginose bacteriana, mas os dados de pH normal e teste das aminas negativo, somados ao prurido intenso e ao uso recente de antibiótico, fecham o diagnóstico de candidíase. Guarde o tripé: pH vaginal, teste das aminas e aspecto do corrimento — é nele que as alternativas se separam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A tricomoníase cursa com corrimento amarelo-esverdeado espumoso, pH vaginal elevado (> 4,5) e teste das aminas frequentemente positivo. Nesta paciente, o pH é 4,0 e o teste das aminas é negativo, o que afasta o diagnóstico. Além disso, o corrimento grumoso e aderido é típico de candidíase, não de tricomoníase. O tratamento com metronidazol 2 g em dose única seria adequado para tricomoníase, mas não para o quadro apresentado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A vaginose bacteriana apresenta corrimento acinzentado, fino, com odor de peixe, pH vaginal > 4,5 e teste das aminas positivo — todos ausentes no caso. O prurido intenso também não é característico da vaginose, que costuma ser oligossintomática. O tratamento com metronidazol gel vaginal 0,75% por 5 dias seria correto para vaginose bacteriana, mas o diagnóstico está errado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Todos os dados convergem para candidíase vulvovaginal: corrimento amarelado e grumoso aderido às paredes vaginais, prurido intenso, ardor vulvar, pH vaginal normal (4,0), teste das aminas negativo e uso recente de antibiótico (fator predisponente clássico). O tratamento de primeira linha é fluconazol 150 mg via oral em dose única, altamente efetivo para candidíase não complicada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não há elementos para vaginite mista. A vaginose bacteriana exigiria pH > 4,5 e teste das aminas positivo, o que não ocorre. O quadro é exclusivamente compatível com candidíase. A associação de nistatina vaginal e metronidazol oral não é indicada sem confirmação de infecção mista, e o metronidazol não trata candidíase.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vaginite atrófica é decorrente de hipoestrogenismo, típica de mulheres na pós-menopausa, com corrimento escasso, pH elevado e ausência de prurido intenso. A paciente tem 32 anos, ciclo menstrual regular e não usa anticoncepcional hormonal — não há hipoestrogenismo. O tratamento com estrogênio tópico seria inadequado e não trataria a infecção fúngica.

Gabarito: letra C

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