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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu119815
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Mulher de 54 anos procura atendimento por apresentar fogachos intensos, há cerca de 8 meses, acompanhados de sudorese noturna e insônia. Refere irritabilidade e queda da libido. Nega sangramentos vaginais. Relata menopausa há 4 anos. Antecedentes: hipertensão arterial controlada com losartana 50 mg/dia. Gesta 2, para 2. Histerectomia total, há 10 anos, por miomatose. Ao exame físico: PA: 142 x 88 mmHg; IMC: 25,8 kg/m2 ; Densitometria óssea normal (T-score -0,4 em coluna lombar); Ultrassonografia pélvica: ausência de útero, ovários atróficos; Mamografia: densidade mamária heterogênea, sem lesões suspeitas (BIRADS 1).Considerando o caso clínico apresentado, qual é a conduta adequada para o tratamento dessa paciente?
  1. AIniciar terapia combinada estrogênio + progestagênio, por via oral.
  2. BPrescrever apenas estrogênio sistêmico, preferencialmente por via transdérmica.
  3. CIniciar tibolona 2,5 mg/dia.
  4. DNão indicar terapia hormonal, pois há risco cardiovascular aumentado. Tratar a osteopenia com antireabsortivos.
  5. EPrescrever apenas fitoterápicos e antidepressivos leves.
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GabaritoB — Prescrever apenas estrogênio sistêmico, preferencialmente por via transdérmica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terapia Hormonal da Menopausa: estrogênio isolado em histerectomizada

Gabarito: letra B. A paciente tem sintomas vasomotores moderados a graves (fogachos intensos, sudorese noturna, insônia) e é histerectomizada (sem útero), o que permite o uso de estrogênio isolado, preferencialmente por via transdérmica, por apresentar perfil de risco mais favorável que a terapia combinada. A conduta correta é prescrever apenas estrogênio sistêmico, conforme as diretrizes de terapia hormonal da menopausa (THM).

A terapia hormonal da menopausa (THM) é o tratamento mais efetivo para sintomas vasomotores moderados a graves, como os fogachos intensos e a sudorese noturna descritos. A decisão entre usar estrogênio isolado ou estrogênio associado a progestagênio depende da presença ou ausência do útero: mulheres com útero intacto necessitam de progestagênio para proteger o endométrio contra hiperplasia e câncer, enquanto mulheres histerectomizadas podem usar estrogênio isolado, que tem perfil de risco mais favorável, inclusive com menor risco de câncer de mama em comparação à terapia combinada.

A via de administração também é relevante: a via transdérmica (adesivo ou gel) é preferida em relação à via oral, especialmente em pacientes com fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial, pois evita o efeito de primeira passagem hepática e reduz o risco de eventos tromboembólicos e de alterações nos marcadores inflamatórios. A paciente em questão tem hipertensão controlada (PA 142x88 mmHg), o que reforça a preferência pela via transdérmica.

A densitometria óssea normal (T-score -0,4) afasta a necessidade de tratamento específico para osteopenia/osteoporose, e a mamografia sem lesões (BI-RADS 1) não contraindica a THM. A paciente está na faixa etária de 54 anos, com menopausa há 4 anos, dentro da "janela de oportunidade" (menos de 10 anos de menopausa e idade inferior a 60 anos), na qual os benefícios da THM superam os riscos, especialmente para o alívio dos sintomas vasomotores.

A alternativa A (terapia combinada) é incorreta porque a paciente não tem útero, tornando desnecessário o uso de progestagênio, que aumentaria os riscos sem benefício adicional. A alternativa C (tibolona) é uma opção para sintomas vasomotores, mas não é a primeira escolha, e seu uso é controverso, com evidências limitadas quanto à proteção óssea e qualidade de vida. A alternativa D (não indicar THM) é incorreta, pois a paciente tem indicação clara de THM para alívio dos sintomas, e a hipertensão controlada não é contraindicação absoluta. A alternativa E (fitoterápicos e antidepressivos) é insuficiente, pois não trata a causa hormonal e tem eficácia inferior à THM para sintomas vasomotores graves.

Guarde a regra de ouro: histerectomizada → estrogênio isolado; útero presente → estrogênio + progestagênio. Essa é a fronteira que separa as alternativas desta questão.

Critério

Estrogênio isolado (B)

Terapia combinada (A)

Tibolona (C)

Não usar THM (D)

Fitoterápicos/antidepressivos (E)

Indicação principal

Sintomas vasomotores em histerectomizada

Sintomas vasomotores com útero intacto

Sintomas vasomotores (2ª linha)

Sem indicação (contraindicação)

Sintomas leves ou contraindicação à THM

Necessidade de progestagênio

Não (sem útero)

Sim (proteção endometrial)

Não (ação mista)

Não

Via preferencial

Transdérmica

Oral ou transdérmica

Oral

Oral

Eficácia para sintomas graves

Alta

Alta

Moderada

Nenhuma

Baixa

Perfil de risco cardiovascular

Favorável (evita 1ª passagem hepática)

Menos favorável (via oral)

Intermediário

Favorável

Adequação ao caso (54 anos, histerectomizada, HAS controlada)

✅ Correta

❌ Incorreta (progestagênio desnecessário)

❌ Incorreta (não é 1ª escolha)

❌ Incorreta (há indicação)

❌ Incorreta (eficácia inferior)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A terapia combinada estrogênio + progestagênio é indicada apenas para mulheres com útero intacto, pois o progestagênio protege o endométrio contra hiperplasia e câncer. Como a paciente é histerectomizada, o uso de progestagênio é desnecessário e aumenta os riscos (ex.: maior risco de câncer de mama) sem benefício adicional. A conduta correta é estrogênio isolado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente tem sintomas vasomotores moderados a graves (fogachos intensos, sudorese noturna, insônia) e é histerectomizada, portanto pode usar estrogênio isolado. A via transdérmica é preferível, especialmente por ter hipertensão controlada, pois evita o efeito de primeira passagem hepática e reduz riscos cardiovasculares. A THM é o tratamento mais efetivo para esses sintomas, e a paciente está na janela de oportunidade (menos de 10 anos de menopausa, idade < 60 anos).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tibolona é um esteroide sintético com atividade estrogênica, progestogênica e androgênica, que pode aliviar sintomas vasomotores, mas não é a primeira escolha. As evidências mostram benefício modesto, com efeitos clinicamente insignificantes na qualidade de vida e proteção óssea, além de aumento de volume uterino e sangramento (embora a paciente não tenha útero). A THM com estrogênio isolado é mais eficaz e tem perfil de risco mais favorável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A paciente tem indicação clara de THM para alívio dos sintomas vasomotores graves. A hipertensão controlada (PA 142x88 mmHg) não é contraindicação absoluta à THM, especialmente por via transdérmica, que tem menor impacto cardiovascular. A densitometria óssea normal (T-score -0,4) não indica osteopenia, portanto não há necessidade de antireabsortivos. A THM não é recomendada para prevenção primária de doença cardiovascular, mas isso não impede seu uso para sintomas vasomotores.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fitoterápicos e antidepressivos (como ISRS) podem ser opções para mulheres que não podem ou não querem usar THM, mas têm eficácia inferior à THM para sintomas vasomotores moderados a graves. A paciente não tem contraindicação à THM, portanto a conduta adequada é a terapia hormonal, que é o tratamento mais efetivo para seus sintomas.

Gabarito: letra B

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