Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu119824
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Gestante de 19 anos, G1P0, comparece à consulta na 30a semana de gestação, referindo boa movimentação fetal, sem sangramento ou dor. Os batimentos cardíacos fetais estão presentes e regulares. A pressão arterial 90 x 60 mmHg, sem edema de membros inferiores.No cartão de pré-natal, constam os seguintes exames anotados:Hemoglobina: 12,2 g/dL Hematocrito: 36% Tipagem sanguínea: O positivo Sorologia para sífilis: não reagente Sorologia para HIV: não reagente HBsAg: não reagente Toxoplasmose IgM: não reagente Toxoplasmose IgG: reagente (alta titulação) Glicemia de jejum: 98 mg/dL Ultrassonografia obstétrica (27s+5d): Feto em apresentação cefálica, peso estimado no p80, líquido amniótico normal, placenta posterior. Com base nas informações do cartão de pré-natal, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta a ser adotada nessa consulta.
AA presença de IgG reagente para toxoplasmose indica infecção recente e necessidade de tratamento com espiramicina.
BA glicemia de jejum indica diabetes gestacional, devendo iniciar o tratamento dietético e acompanhamento multidisciplinar.
CO feto grande para idade gestacional indica macrossomia fetal, e o tratamento imediato é iniciar insulina NPH.
DA anemia observada é fisiológica (hemodiluição) e não interfere no crescimento fetal.
EOs exames estão normais, recomenda-se, portanto, agendar retorno, em 4 semanas, e solicitar o estrepto B, HIV, VDRL e hemograma.
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GabaritoB — A glicemia de jejum indica diabetes gestacional, devendo iniciar o tratamento dietético e acompanhamento multidisciplinar.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pré-natal: interpretação de exames na gestação
Gabarito: letra B. A glicemia de jejum de 98 mg/dL, na 30ª semana, é diagnóstica de diabetes gestacional (≥ 92 mg/dL), exigindo início de tratamento dietético e acompanhamento multidisciplinar — é o que a alternativa B corretamente afirma. As demais alternativas erram ao interpretar IgG reagente como infecção recente, ao tratar o feto p80 como macrossomia, ao chamar de anemia um Hb de 12,2 g/dL e ao considerar todos os exames normais quando a glicemia já está alterada.
O pré-natal é o acompanhamento periódico da gestação, com o objetivo de garantir o bem-estar materno e fetal, prevenindo, diagnosticando e tratando precocemente intercorrências. A interpretação correta dos exames laboratoriais e de imagem é fundamental para a tomada de decisões. Nesta gestante de 19 anos, primigesta, na 30ª semana, a maioria dos exames está dentro dos parâmetros de normalidade para a idade gestacional — mas a glicemia de jejum de 98 mg/dL foge à regra.
O rastreamento de diabetes gestacional é feito com glicemia de jejum no início do pré-natal e, entre 24 e 28 semanas, com o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75g. Segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG), valores de glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL (em qualquer fase da gestação) indicam diabetes gestacional. Como o valor é 98 mg/dL, o diagnóstico já está firmado — não se trata de um valor limítrofe, mas de um valor claramente acima do ponto de corte. A conduta imediata é iniciar o tratamento dietético (orientação nutricional) e o acompanhamento multidisciplinar, com monitorização glicêmica e, se necessário, insulinoterapia.
A toxoplasmose merece atenção especial: o IgG reagente com alta titulação e IgM não reagente indica infecção pregressa (imunidade materna), não infecção recente. O IgG atravessa a placenta (é uma imunoglobulina G, que cruza a barreira placentária por transporte ativo), conferindo proteção ao feto. A espiramicina é indicada apenas na infecção aguda (IgM reagente ou soroconversão), para reduzir a transmissão vertical — não há indicação neste caso.
A ultrassonografia mostra feto em apresentação cefálica, peso estimado no p80, líquido amniótico normal e placenta posterior. O percentil 80 está dentro da faixa de normalidade (entre p10 e p90); macrossomia é definida como peso estimado acima do p90 ou > 4.000g. Portanto, não há indicação de insulina NPH — que seria reservada para casos de diabetes gestacional com controle glicêmico inadequado ou fetos com crescimento acelerado.
A hemoglobina de 12,2 g/dL e o hematócrito de 36% são normais na gestação. A anemia na gestação é definida por Hb < 11 g/dL no primeiro e terceiro trimestres (ou < 10,5 g/dL no segundo). A hemodiluição fisiológica ocorre, mas não chega a causar anemia nesses níveis. A afirmativa de que "a anemia observada é fisiológica" parte de premissa falsa — não há anemia.
A conduta correta na 30ª semana, com exames normais (exceto a glicemia), seria agendar retorno em 4 semanas e solicitar os exames do terceiro trimestre (estreptococo B, HIV, VDRL e hemograma) — mas isso somente se a glicemia estivesse normal. Como a glicemia está alterada, a prioridade é o manejo do diabetes gestacional. A alternativa E erra ao afirmar que "os exames estão normais", ignorando a glicemia de 98 mg/dL.
A pegadinha central desta questão é a glicemia de jejum: o valor de 98 mg/dL parece "quase normal" para quem não domina os critérios de diabetes gestacional, mas está acima do ponto de corte de 92 mg/dL. A banca explora exatamente essa falsa sensação de normalidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que 98 mg/dL é um valor normal, quando na gestação o ponto de corte é 92 mg/dL. Decore: glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL = diabetes gestacional, em qualquer fase da gestação. Não caia na tentação de achar que "está quase normal".
PEGA ESSA DICA!
Para questões de pré-natal, monte uma tabela mental com os pontos de corte: glicemia de jejum (≥ 92 mg/dL), anemia (Hb < 11 g/dL no 1º e 3º trimestres), toxoplasmose (IgM reagente = aguda; IgG reagente = pregressa). Isso resolve a maioria das questões de interpretação de exames.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A presença de IgG reagente para toxoplasmose não indica infecção recente — indica infecção pregressa (imunidade). O IgM não reagente confirma que não há infecção aguda. A espiramicina é indicada apenas na infecção aguda (IgM reagente ou soroconversão), para reduzir a transmissão vertical. Neste caso, não há indicação de tratamento.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A glicemia de jejum de 98 mg/dL é diagnóstica de diabetes gestacional (≥ 92 mg/dL). A conduta correta é iniciar tratamento dietético e acompanhamento multidisciplinar, com monitorização glicêmica e, se necessário, insulinoterapia. A alternativa espelha exatamente a conduta recomendada pelas diretrizes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O feto com peso estimado no p80 não é grande para idade gestacional — está dentro da faixa de normalidade (p10–p90). Macrossomia é definida como peso > p90 ou > 4.000g. Não há indicação de insulina NPH, que seria reservada para diabetes gestacional com controle glicêmico inadequado ou crescimento fetal acelerado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hemoglobina de 12,2 g/dL e o hematócrito de 36% não caracterizam anemia na gestação (Hb < 11 g/dL no 1º e 3º trimestres). A hemodiluição fisiológica ocorre, mas não causa anemia nesses níveis. A afirmativa parte de premissa falsa — não há anemia a ser justificada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "os exames estão normais", mas a glicemia de jejum de 98 mg/dL está alterada (≥ 92 mg/dL). Portanto, a conduta de apenas agendar retorno e solicitar exames de rotina é insuficiente — é necessário iniciar o manejo do diabetes gestacional. Os exames do terceiro trimestre (estreptococo B, HIV, VDRL e hemograma) devem ser solicitados, mas não como única conduta.
Gabarito: letra B — a glicemia de jejum de 98 mg/dL indica diabetes gestacional, exigindo tratamento dietético e acompanhamento multidisciplinar.