Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu119827
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Escolar, sexo feminino, com 7 anos de idade, apresenta queixa de dor de garganta intensa de início súbito há 24 horas. Os pais relatam febre de 39 ºC, dificuldade para engolir e um episódio de vômito. Ela nega tosse, coriza ou conjuntivite. Ao exame físico, observa-se orofaringe hiperemiada com amígdalas aumentadas e com exsudato purulento bilateral. Os linfonodos cervicais anteriores são dolorosos e aumentados à palpação. O restante do exame físico é normal.Com base no quadro clínico apresentado, quais são o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais adequada para essa paciente?
AFaringite viral aguda; prescrever analgésicos e orientar hidratação, com reavaliação se não houver melhora em 3 dias.
BEscarlatina; iniciar amoxicilina imediatamente, dado o risco de complicações graves.
CMononucleose infecciosa; solicitar sorologia para Epstein-Barr vírus e orientar repouso e sintomáticos.
DFaringoamigdalite bacteriana; iniciar amoxicilina com clavulanato empiricamente devido à alta suspeita clínica, sem necessidade de teste diagnóstico.
EFaringoamigdalite estreptocócica; realizar teste rápido para Streptococcus beta-hemolítico do grupo A (SBHGA) e, se positivo, realizar penicilina benzatina ou amoxicilina.
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GabaritoE — Faringoamigdalite estreptocócica; realizar teste rápido para Streptococcus beta-hemolítico do grupo A (SBHGA) e, se positivo, realizar penicilina benzatina ou amoxicilina.
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Faringoamigdalite estreptocócica: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra E. O quadro clínico — início súbito, febre alta, dor de garganta intensa, exsudato purulento bilateral e adenite cervical anterior dolorosa — é altamente sugestivo de faringoamigdalite estreptocócica pelo Streptococcus beta-hemolítico do grupo A (SBHGA). A conduta inicial adequada é confirmar o diagnóstico com teste rápido (ou cultura) e, se positivo, tratar com penicilina benzatina ou amoxicilina, conforme as diretrizes de manejo da faringite estreptocócica.
A faringoamigdalite é uma inflamação da faringe e das amígdalas, e a principal causa bacteriana é o estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes). O diagnóstico clínico é desafiador porque os sintomas se sobrepõem aos das infecções virais, mas alguns achados ajudam a diferenciar. No caso apresentado, a paciente tem início súbito, febre de 39 ºC, exsudato purulento bilateral e linfonodos cervicais anteriores dolorosos — um conjunto de sinais que, em uma criança de 7 anos (idade de pico da infecção estreptocócica), sugere fortemente etiologia bacteriana. A ausência de tosse, coriza e conjuntivite reforça essa hipótese, pois esses sintomas são mais comuns em faringites virais.
A conduta inicial não é iniciar antibiótico empiricamente sem confirmação, mas sim realizar um teste diagnóstico (teste rápido de detecção de antígeno ou cultura de orofaringe). O teste rápido tem alta especificidade, e um resultado positivo confirma o diagnóstico, permitindo o tratamento com antibiótico. O tratamento de escolha é a penicilina (benzatina ou oral) ou amoxicilina, que erradica o estreptococo, alivia os sintomas e, principalmente, previne complicações não supurativas, como a febre reumática aguda e a glomerulonefrite pós-estreptocócica.
A distinção entre faringite viral e bacteriana é o ponto central. A faringite viral costuma ter início gradual, com sintomas respiratórios como tosse, coriza e conjuntivite, e a dor de garganta é moderada. Já a estreptocócica tem início súbito, febre alta, exsudato e adenite cervical. A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr, também pode cursar com dor de garganta e exsudato, mas geralmente há linfadenopatia generalizada, esplenomegalia e fadiga, e o início é mais insidioso. A escarlatina é uma complicação da faringite estreptocócica, caracterizada por exantema, mas o enunciado não descreve rash cutâneo.
A pegadinha desta questão está em duas alternativas: a letra D sugere iniciar amoxicilina com clavulanato empiricamente, sem teste diagnóstico, o que contraria a recomendação de confirmar a etiologia antes de tratar; e a letra B sugere escarlatina, mas não há exantema descrito. A alternativa E é a única que combina o diagnóstico correto com a conduta baseada em evidências: teste rápido e, se positivo, penicilina ou amoxicilina. Guarde a sequência: suspeita clínica → confirmação diagnóstica → tratamento dirigido. É exatamente essa lógica que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O quadro clínico é de início súbito, com febre alta, exsudato purulento bilateral e adenite cervical dolorosa, sem sintomas respiratórios como tosse ou coriza. Esses achados são mais compatíveis com faringite estreptocócica do que com faringite viral. A faringite viral geralmente tem início gradual, dor moderada e sintomas como coriza, tosse e conjuntivite. Além disso, a conduta de apenas sintomáticos e reavaliação em 3 dias não é adequada para uma suspeita tão forte de etiologia bacteriana, pois o tratamento precoce previne complicações como febre reumática.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A escarlatina é uma complicação da faringite estreptocócica, caracterizada por exantema (rash) difuso, língua em framboesa e descamação. O enunciado não descreve nenhum exantema, apenas dor de garganta, febre, exsudato e adenite. Portanto, o diagnóstico de escarlatina não é o mais provável. Embora o tratamento com amoxicilina seja correto para infecção estreptocócica, o diagnóstico está errado, e a conduta de iniciar antibiótico imediatamente sem teste diagnóstico não é a mais adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr, pode apresentar dor de garganta, exsudato e linfadenopatia, mas geralmente há linfadenopatia generalizada, esplenomegalia, fadiga intensa e início mais insidioso. A paciente tem início súbito, febre alta e adenite cervical anterior, sem esplenomegalia descrita. Além disso, a conduta de solicitar sorologia e orientar repouso não é a mais adequada, pois a suspeita clínica de etiologia bacteriana é alta, e o tratamento precoce com antibiótico é importante para prevenir complicações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Embora o diagnóstico de faringoamigdalite bacteriana seja provável, a conduta de iniciar amoxicilina com clavulanato empiricamente, sem teste diagnóstico, não é recomendada. As diretrizes orientam confirmar a infecção por SBHGA com teste rápido ou cultura antes de iniciar antibiótico, para evitar o uso desnecessário de antimicrobianos e reduzir a resistência bacteriana. Além disso, a amoxicilina com clavulanato não é o antibiótico de primeira escolha para faringite estreptocócica; a penicilina ou amoxicilina simples são as opções preferenciais.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O quadro clínico é clássico de faringoamigdalite estreptocócica: início súbito, febre alta, exsudato purulento bilateral e adenite cervical anterior dolorosa, em criança de 7 anos. A conduta inicial adequada é realizar teste rápido para SBHGA (ou cultura de orofaringe) para confirmar o diagnóstico. Se o teste for positivo, o tratamento deve ser iniciado com penicilina benzatina (dose única) ou amoxicilina por 10 dias. Essa abordagem é baseada em evidências e visa erradicar o estreptococo, aliviar os sintomas e prevenir complicações não supurativas, como febre reumática aguda e glomerulonefrite pós-estreptocócica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "suspeita clínica" e "confirmação diagnóstica". A letra D parece correta porque o quadro é claramente bacteriano, mas a conduta correta não é tratar empiricamente — é confirmar com teste rápido e, só então, tratar. Além disso, a letra B tenta confundir com escarlatina, mas não há exantema descrito. Fique atento: em faringite, o tratamento antibiótico só deve ser iniciado após confirmação de SBHGA, exceto em casos de alta probabilidade e impossibilidade de teste, o que não é o caso aqui.