Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu119829
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Um lactente de 18 meses de idade é levado ao pronto- -socorro com história de febre (39.5 ºC) há 2 dias, tosse produtiva e irritabilidade progressiva. Os pais relatam que ele está menos responsivo e tem aceitado mal a alimentação. Há suspeita clínica de infecção respiratória. Ao exame físico, o paciente apresenta-se taquicárdico (FC 160 bpm), taquipneico (FR 55 ipm), com tempo de enchimento capilar de 4 segundos e pulsos periféricos finos. A pressão arterial média (PAM) é de 35 mmHg. A saturação de oxigênio é de 90% em ar ambiente, e ele está recebendo oxigenoterapia com cateter nasal. A escala de coma de Glasgow (ECGlasgow) é 9. Os exames laboratoriais iniciais mostram lactato sérico de 10 mmol/L e plaquetas de 90.000/µL.Com base nos critérios atuais para a classificação de sepse em Pediatria (Phoenix Sepsis Score), qual é o diagnóstico mais adequado para a situação atual do paciente?
ASepse.
BSíndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS).
CChoque séptico.
DChoque hipovolêmico descompensado.
ESepse grave.
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GabaritoC — Choque séptico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sepse e choque séptico em pediatria: critérios atuais
Gabarito: letra C. O paciente preenche critérios de choque séptico pela presença de disfunção cardiovascular (hipotensão, tempo de enchimento capilar > 2 segundos, pulsos finos) associada a infecção suspeita, mesmo sem necessidade de hipotensão isolada — o que o diferencia da sepse sem disfunção orgânica. A classificação atual (Phoenix Sepsis Score) abandonou o termo "sepse grave", que não existe mais como categoria diagnóstica.
O conceito central aqui é a disfunção orgânica induzida por infecção. A sepse é definida como infecção suspeita ou confirmada associada a disfunção orgânica aguda — no caso, cardiovascular (hipotensão, TEC > 2s, pulsos finos), respiratória (taquipneia, SpO2 90%) e neurológica (Glasgow 9). O choque séptico é o subgrupo mais grave, caracterizado por disfunção cardiovascular que persiste apesar da ressuscitação volêmica adequada, ou que já se apresenta com hipotensão e sinais de hipoperfusão desde o início.
A PAM de 35 mmHg em um lactente de 18 meses é francamente hipotensora — o valor normal para essa faixa etária é bem mais alto (em torno de 50-60 mmHg). O lactato de 10 mmol/L confirma hipoperfusão tecidual significativa (normal < 2 mmol/L). A plaquetopenia (90.000/µL) sugere consumo, comum na sepse grave. A taquicardia (FC 160 bpm), o TEC de 4 segundos e os pulsos periféricos finos são sinais clássicos de choque compensado em evolução para descompensado.
A distinção que importa: sepse = infecção + disfunção orgânica; choque séptico = sepse + disfunção cardiovascular (hipotensão ou necessidade de vasopressor, ou sinais de hipoperfusão). O termo "sepse grave" foi abolido nas classificações atuais (Sepsis-3 e Phoenix) — o que antes era "sepse grave" agora é simplesmente "sepse" com disfunção orgânica, e o choque séptico é o estágio mais avançado. A alternativa E está desatualizada.
A pegadinha da banca está em oferecer "sepse" (letra A) como se o paciente não tivesse disfunção cardiovascular — mas ele tem hipotensão, TEC prolongado e lactato elevado, o que o coloca no espectro do choque. Também tenta confundir com "choque hipovolêmico" (letra D), mas a hipovolemia aqui é secundária à sepse (vasodilatação, extravasamento capilar), não a causa primária — e o diagnóstico sindrômico mais adequado é choque séptico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os termos "sepse", "sepse grave" e "choque séptico". O candidato que memorizou a classificação antiga (SIRS → sepse → sepse grave → choque séptico) pode marcar "sepse grave" (letra E), mas essa categoria foi abolida. O que decide é a presença de disfunção cardiovascular: com hipotensão + TEC > 2s + lactato elevado, o diagnóstico é choque séptico, não apenas sepse.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A sepse é definida como infecção + disfunção orgânica. O paciente tem infecção respiratória suspeita E disfunção cardiovascular (hipotensão, TEC 4s, pulsos finos), respiratória (taquipneia, SpO2 90%) e neurológica (Glasgow 9). Portanto, ele não está apenas com sepse — está com a forma mais grave, o choque séptico. A alternativa subestima a gravidade do quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A SIRS (síndrome da resposta inflamatória sistêmica) é um conceito antigo que exigia 2 ou mais critérios (temperatura, FC, FR, leucócitos) na presença de infecção. O paciente preenche critérios de SIRS (febre, taquicardia, taquipneia), mas isso é apenas o ponto de partida — a presença de disfunção orgânica o eleva para sepse/choque séptico. A SIRS não é um diagnóstico final em paciente com disfunção orgânica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem infecção suspeita (pneumonia) + disfunção cardiovascular (PAM 35 mmHg, TEC 4s, pulsos finos, lactato 10 mmol/L). Pela classificação Phoenix, isso define choque séptico — a forma mais grave de sepse, com hipoperfusão tecidual e hipotensão. A presença de disfunção cardiovascular é o critério que separa choque séptico de sepse simples.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O choque hipovolêmico descompensado é causado por perda de volume (hemorragia, diarreia, queimadura). Aqui, a hipovolemia é secundária à sepse (vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, sequestro de líquido), mas a causa primária é a infecção. O diagnóstico sindrômico correto é choque séptico, não choque hipovolêmico primário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O termo "sepse grave" foi abolido nas classificações atuais (Sepsis-3, Phoenix). O que antes era chamado de "sepse grave" (sepse + disfunção orgânica) agora é simplesmente "sepse". E, neste caso, o paciente tem disfunção cardiovascular, o que o coloca no estágio de choque séptico, não apenas sepse. A alternativa usa terminologia obsoleta e subestima a gravidade.
Gabarito: letra C — choque séptico, pela presença de disfunção cardiovascular (hipotensão, TEC > 2s, lactato elevado) em paciente com infecção suspeita.