Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
vu119831
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Três socorristas do time de resposta rápida (TRR) do hospital estão reanimando uma paciente de 4 anos de idade internada em uma enfermaria, que está em parada cardíaca por assistolia há 4 minutos. A criança já está intubada com uma cânula sem balonete (cuff), e a relação massagem cardíaca e ventilação não está sendo realizada de forma sincronizada. O socorrista da massagem está fazendo uma frequência de 110/min, e o socorrista da ventilação com bolsa valva e reservatório de oxigênio está fazendo 15 a 20 incursões por minuto. O socorrista que está comprimindo o tórax, o faz com uma profundidade de cerca de 5 cm.Qual das orientações é a mais correta para adequar esse atendimento às recomendações mais atuais?
AFazer a massagem cardíaca sincronizada com a ventilação.
BUtilizar uma cânula sem cuff para intubar a criança.
CAumentar a frequência das compressões torácicas.
DAdministrar o mais rapidamente possível uma dose de adrenalina.
EAumentar a profundidade de compressão torácica.
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GabaritoD — Administrar o mais rapidamente possível uma dose de adrenalina.
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Parada Cardiorrespiratória Pediátrica: Assistolia e Prioridades na RCP
Gabarito: letra D. Em uma PCR pediátrica por assistolia, a prioridade após o início imediato da RCP de alta qualidade é a administração precoce de adrenalina, pois é o principal fármaco capaz de promover o retorno da circulação espontânea (RCE) em ritmos não chocáveis. As demais condutas descritas no enunciado (frequência de 110/min, profundidade de 5 cm, uso de cânula sem cuff) estão, em sua maioria, adequadas às recomendações atuais, e a sincronização entre compressão e ventilação não é necessária após a intubação.
A parada cardiorrespiratória (PCR) pediátrica tem como principal etiologia a causa respiratória, evoluindo para assistolia ou atividade elétrica sem pulso (AESP) se não tratada precocemente. O suporte básico de vida (SBV) de alta qualidade é o alicerce do atendimento, com ênfase em compressões torácicas efetivas e ventilações adequadas. As diretrizes atuais, como as da American Heart Association (AHA) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), estabelecem parâmetros claros para a RCP pediátrica.
A frequência de compressões deve ser de 100 a 120 por minuto, e a profundidade deve ser de aproximadamente 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax, o que corresponde a cerca de 5 cm em crianças. No caso apresentado, o socorrista realiza compressões a 110/min com profundidade de 5 cm, ambos os parâmetros dentro do recomendado. A ventilação com bolsa-válvula-máscara (BVM) em paciente intubado deve ser contínua, sem a necessidade de sincronização com as compressões, pois a via aérea avançada permite a ventilação e a compressão simultâneas, sem interrupções.
A relação compressão-ventilação de 15:2 é recomendada para dois ou mais socorristas em crianças, mas após a intubação, essa sincronização deixa de ser necessária. O socorrista que ventila com 15 a 20 incursões por minuto está dentro da faixa recomendada para paciente intubado, que é de 10 a 12 ventilações por minuto em adultos, mas em crianças pode ser um pouco maior, em torno de 20 a 30 por minuto, dependendo da idade. No entanto, a frequência de 15 a 20 por minuto é aceitável e não é o foco da correção.
A principal lacuna no atendimento descrito é a demora na administração de adrenalina. Em ritmos não chocáveis (assistolia e AESP), a adrenalina é a droga de escolha e deve ser administrada o mais precocemente possível, idealmente na primeira checagem de ritmo, após 2 minutos de RCP. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000), por via intravenosa ou intraóssea, a cada 3 a 5 minutos durante a RCP. A administração precoce de adrenalina está associada a maior probabilidade de RCE e melhor prognóstico.
A alternativa A sugere sincronizar a massagem com a ventilação, o que é incorreto após a intubação. A alternativa B sugere usar cânula sem cuff, mas a criança já está intubada com cânula sem cuff, e a recomendação atual permite o uso de cânulas com cuff em crianças, desde que a pressão de insuflação seja mantida abaixo de 20 cmH2O. A alternativa C sugere aumentar a frequência das compressões, mas 110/min já está dentro da faixa ideal de 100 a 120/min. A alternativa E sugere aumentar a profundidade, mas 5 cm já é a profundidade recomendada para crianças.
Portanto, a conduta mais correta é administrar adrenalina o mais rápido possível, pois é a medida que pode reverter a assistolia e aumentar as chances de sobrevivência. As demais alternativas ou já estão adequadas ou não são prioridade no momento.
RCP pediátrica (PCR assistolia): Compressões (Frequência 100–120/min, Profundidade ~1/3 do tórax (~5 cm)); Ventilação (intubado) (Contínua, sem sincronizar, 15–20 incursões/min); Adrenalina (Prioridade em ritmo não chocável, Dose 0,01 mg/kg IV/IO, Repetir a cada 3–5 min)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A sincronização entre compressões e ventilações é necessária apenas quando a via aérea não está protegida (paciente não intubado). Com a criança intubada, as compressões devem ser contínuas, e a ventilação é realizada de forma independente, sem pausas para ventilar. A recomendação de relação 15:2 ou 30:2 aplica-se apenas antes da intubação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A criança já está intubada com cânula sem cuff, e essa conduta não é inadequada. As diretrizes atuais permitem o uso de cânulas com cuff em crianças, desde que a pressão de insuflação seja inferior a 20 cmH2O, mas a cânula sem cuff também é aceitável, especialmente em crianças pequenas. Portanto, não há necessidade de trocar a cânula neste momento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A frequência de compressões torácicas de 110/min está dentro da faixa recomendada de 100 a 120 compressões por minuto. Aumentar a frequência além de 120/min pode reduzir a eficácia das compressões, pois não permite o retorno venoso adequado. Portanto, não é necessário aumentar a frequência.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em PCR por assistolia, a adrenalina é o fármaco de primeira linha e deve ser administrada o mais precocemente possível. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000), por via IV ou IO, a cada 3 a 5 minutos. A administração precoce de adrenalina está associada a maior probabilidade de retorno da circulação espontânea (RCE) e melhor prognóstico. Esta é a conduta prioritária no cenário descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A profundidade de compressão de 5 cm está adequada para uma criança de 4 anos, pois a recomendação é de aproximadamente 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax, que corresponde a cerca de 5 cm. Aumentar a profundidade além do recomendado pode causar lesões, como fraturas de costelas ou lesões de órgãos internos.
Gabarito: letra D — a prioridade é administrar adrenalina precocemente em PCR por assistolia.