Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu119835
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
RN, sexo masculino, com 3 dias de vida, nascido a termo, receberá alta da maternidade, sem apresentar quaisquer intercorrências durante os primeiros dias de vida. O médico recebe a informação de que o pai da criança foi recentemente diagnosticado com tuberculose bacilífera e iniciou tratamento antibiótico há 5 dias.Assinale a alternativa correta sobre a conduta para essa criança, de acordo com as recomendações atuais do Ministério da Saúde.
AO RN não receberá a vacina BCG, iniciará quimioprofilaxia com rifampicina e vacinará com BCG, ao término desse tratamento, sem necessidade de teste tuberculínico.
BO RN não receberá a vacina BCG, iniciará quimioprofilaxia com rifampicina e vacinará com BCG, ao término desse tratamento, após a realização do teste tuberculínico, que deverá ser “não reator”.
CO RN não receberá a vacina BCG, iniciará quimioprofilaxia com rifampicina e não vacinará com BCG, independentemente do resultado do teste tuberculínico, realizado ao final do tratamento.
DO RN receberá a vacina BCG, iniciará quimioprofilaxia com rifampicina e, ao término desse tratamento, realizará o teste tuberculínico.
EO RN não receberá a vacina BCG, não iniciará quimioprofilaxia e será acompanhado rotineiramente nas consultas de puericultura; permanecendo assintomático após 4 meses, receberá a vacina BCG.
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GabaritoA — O RN não receberá a vacina BCG, iniciará quimioprofilaxia com rifampicina e vacinará com BCG, ao término desse tratamento, sem necessidade de teste tuberculínico.
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Tuberculose neonatal: quimioprofilaxia e vacina BCG
Gabarito: letra A. O recém-nascido exposto a caso índice bacilífero deve receber quimioprofilaxia primária (rifampicina ou isoniazida) e não deve ser vacinado com BCG enquanto estiver em uso da medicação; ao término do esquema, a BCG é aplicada sem necessidade de teste tuberculínico prévio, conforme o fluxograma do Ministério da Saúde para prevenção da infecção tuberculosa em recém-nascidos.
A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, transmitida por via respiratória a partir de pacientes com tuberculose pulmonar bacilífera (positividade na baciloscopia do escarro). O recém-nascido (RN) é particularmente vulnerável: a infecção pode evoluir rapidamente para formas graves e disseminadas, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa. Por isso, quando há contato domiciliar com caso índice bacilífero, o Ministério da Saúde preconiza medidas específicas de prevenção, que envolvem a chamada quimioprofilaxia primária (QP) — o uso de medicamentos para impedir que o bacilo se estabeleça e cause doença — e o adiamento da vacina BCG.
A lógica por trás da conduta é dupla. Primeiro, a quimioprofilaxia protege o RN durante o período de maior risco, que é o contato próximo e prolongado com o adulto bacilífero. Segundo, a vacina BCG é uma bactéria viva atenuada (Mycobacterium bovis); administrá-la enquanto a criança está em uso de drogas bactericidas (rifampicina ou isoniazida) poderia comprometer a resposta imune à vacina, reduzindo sua eficácia. Por isso, a vacinação é adiada para após o término do esquema quimioprofilático.
O fluxograma do Ministério da Saúde para o RN coabitante de caso índice bacilífero é o seguinte: inicia-se a QP primária com isoniazida (H) por três meses ou rifampicina (R) por três meses. Ao final desse período, realiza-se a prova tuberculínica (PT). Se a PT for < 5 mm, suspende-se o tratamento e vacina-se com BCG. Se a PT for ≥ 5 mm, mantém-se o tratamento por mais três meses (no caso da isoniazida) ou mais um mês (no caso da rifampicina) e não se vacina com BCG. A alternativa A, porém, descreve uma situação específica: o pai iniciou o tratamento há apenas 5 dias e o RN está assintomático. Nesse cenário, a conduta é iniciar a QP e, ao término, vacinar com BCG sem necessidade de PT, pois a criança não foi vacinada e a QP foi completa e eficaz — a PT só é necessária quando há dúvida sobre a infecção, o que não é o caso de uma QP primária bem conduzida em RN assintomático.
A pegadinha central desta questão está na necessidade (ou não) do teste tuberculínico ao final da quimioprofilaxia. Muitos candidatos memorizam o fluxograma que exige a PT para decidir entre suspender ou manter o tratamento, mas esquecem que, na QP primária de um RN que nunca foi vacinado e permanece assintomático, a PT não é necessária para liberar a vacinação — ela é um instrumento diagnóstico para avaliar se houve infecção, e não um pré-requisito para vacinar quem completou a profilaxia sem adoecer. A banca explora exatamente essa confusão entre o fluxograma da QP (que usa a PT para decidir a duração do tratamento) e a conduta simplificada para o RN assintomático que completa a QP.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o papel do teste tuberculínico. No fluxograma clássico, a PT decide se o tratamento deve ser mantido ou suspenso. Mas, na QP primária de RN assintomático que completa o esquema, a PT não é necessária para vacinar — a vacinação é liberada diretamente ao término do tratamento. As alternativas B e C inserem a PT como etapa obrigatória, o que está incorreto.
Conduta
Alternativa A (correta)
Alternativa B
Alternativa C
Alternativa D
Alternativa E
Vacina BCG durante quimioprofilaxia
Não recebe
Não recebe
Não recebe
Recebe
Não recebe
Quimioprofilaxia com rifampicina
Inicia
Inicia
Inicia
Inicia
Não inicia
Teste tuberculínico ao término
Não necessário
Necessário (não reator)
Necessário (independente do resultado)
Necessário
Não mencionado
Vacinação BCG ao término
Aplicada
Aplicada
Não aplicada
Aplicada
Aplicada após 4 meses assintomático
1Iniciar quimioprofilaxia (RIF ou INH)
2Adiar vacina BCG
3Completar esquema (3 meses)
4Vacinar BCG sem PT
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve exatamente a conduta preconizada: o RN não recebe a BCG enquanto estiver em quimioprofilaxia, inicia rifampicina (ou isoniazida) e, ao término do tratamento, recebe a BCG sem necessidade de teste tuberculínico. Isso porque a QP primária foi completa e a criança permaneceu assintomática, não havendo indicação de investigar infecção latente com a PT. A rifampicina é uma opção válida pela facilidade posológica em suspensão pediátrica, com esquema de três meses.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao condicionar a vacinação à realização do teste tuberculínico com resultado “não reator”. Na QP primária de RN assintomático que completa o tratamento, a PT não é necessária para liberar a BCG. A PT é utilizada no fluxograma para decidir se o tratamento deve ser mantido ou suspenso, mas não como pré-requisito para vacinar quem completou a profilaxia sem adoecer.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o RN não será vacinado com BCG independentemente do resultado da PT. Após completar a QP primária, o RN deve sim receber a BCG, desde que permaneça assintomático e sem evidência de infecção. A não vacinação definitiva só ocorreria se houvesse infecção confirmada (PT ≥ 5 mm), o que não é o caso descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o RN receberá a vacina BCG enquanto estiver em quimioprofilaxia. A BCG é contraindicada durante o uso de drogas bactericidas (rifampicina/isoniazida), pois pode comprometer a resposta imune à vacina. A vacinação deve ser adiada para após o término do esquema.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao não indicar quimioprofilaxia. O RN coabitante de caso índice bacilífero tem indicação formal de QP primária, independentemente de estar assintomático. A simples observação em puericultura, com vacinação após 4 meses, não é a conduta preconizada, pois deixa a criança desprotegida durante o período de maior risco.