Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu119837
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
RN de 12 dias de vida, a termo, nascido de parto vaginal, é levado à consulta de puericultura. A mãe relata que o bebê está “muito amarelinho” desde o 5o dia de vida. O bebê mama exclusivamente no seio materno, com boa pega, suga vigorosamente por 15 a 20 minutos em cada mama, 8 a 10 vezes ao dia, e a mãe não refere dor ou dificuldades na amamentação. Ganhou 400 g em comparação ao peso de nascimento, que foi 3.200 g, tendo chegado ao peso mínimo de 3.050 g no terceiro dia de vida. Molha de 6 a 8 fraldas por dia, com evacuações amareladas, pastosas e abundantes. Ao exame físico, o RN está ativo, alerta, bem hidratado e ictérico (++/4+), sem hepatoesplenomegalia. Exames laboratoriais revelam bilirrubina total de 15 mg/dL (bilirrubina indireta 14 mg/dL), TSH neonatal normal e Coombs direto negativo.Qual é a conduta mais correta para esse lactente?
  1. AIniciar fototerapia imediatamente, monitorando a resposta, e, caso não haja queda significativa da bilirrubina, considerar a interrupção do aleitamento materno.
  2. BOrientar a mãe a aumentar a frequência das mamadas para 12 – 14 vezes ao dia e reavaliar a pega, pois a icterícia tardia em amamentados é sempre um reflexo de aporte lácteo inadequado.
  3. CObservar clinicamente por mais alguns dias ou, excepcionalmente, sugerir à mãe interrupção temporária do aleitamento materno por 24 a 48 horas, mantendo a ordenha para preservar a lactação.
  4. DRecomendar a adição de água glicosada ou chás entre as mamadas para aumentar a diurese e a excreção de bilirrubina, mantendo o aleitamento materno exclusivo.
  5. EInvestigar causas raras de hiperbilirrubinemia não conjugada, como anomalias estruturais do trato biliar ou erros inatos do metabolismo, dada a persistência da icterícia e o nível de bilirrubina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Observar clinicamente por mais alguns dias ou, excepcionalmente, sugerir à mãe interrupção temporária do aleitamento materno por 24 a 48 horas, mantendo a ordenha para preservar a lactação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal tardia em lactente amamentado

Gabarito: letra C. O quadro descrito é compatível com a síndrome de icterícia do leite materno (tardia, após o 5º dia, em RN a termo, saudável, em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso adequado e boa diurese), cuja conduta é observação clínica e, excepcionalmente, suspensão temporária do aleitamento por 24 a 48 horas, mantendo a ordenha para preservar a lactação. A conduta se baseia na fisiologia da hiperbilirrubinemia indireta tardia associada ao leite materno, que não requer fototerapia nesses níveis em um RN de baixo risco.

A icterícia neonatal é um dos temas mais cobrados em pediatria, e a chave para resolver esta questão está em diferenciar as duas entidades associadas ao aleitamento materno: a icterícia por amamentação inadequada (precoce, relacionada à baixa ingesta) e a icterícia do leite materno (tardia, relacionada a fatores do próprio leite). O caso clínico apresentado é um exemplo clássico da segunda, pois o RN tem ganho de peso adequado (400g acima do nascimento), boa diurese (6-8 fraldas/dia), evacuações abundantes e sucção vigorosa — tudo isso afasta a hipótese de baixa ingesta. O nível de bilirrubina total de 15 mg/dL, com predomínio de indireta (14 mg/dL), em um RN a termo, com mais de 72 horas de vida, sem fatores de risco, está abaixo do limiar para fototerapia segundo as curvas da Academia Americana de Pediatria (AAP), o que reforça a conduta conservadora.

A fisiologia da icterícia do leite materno envolve a presença de fatores no leite (como a beta-glucuronidase) que aumentam a reabsorção intestinal de bilirrubina, prolongando a hiperbilirrubinemia indireta. É um diagnóstico de exclusão, feito após afastar causas patológicas (hemólise, infecção, deficiência de G6PD, hipotireoidismo, obstrução biliar). No caso, o TSH neonatal normal e o Coombs direto negativo já afastam hipotireoidismo e doença hemolítica por incompatibilidade ABO/Rh, respectivamente. A ausência de hepatoesplenomegalia e o bom estado geral também afastam causas mais graves. A conduta, portanto, é expectante, com reavaliação clínica e laboratorial, e a suspensão temporária do aleitamento é uma opção diagnóstica e terapêutica que, ao reduzir a bilirrubina em 24-48 horas, confirma o diagnóstico.

A grande pegadinha desta questão é a tentação de tratar a icterícia com fototerapia ou com medidas não baseadas em evidência (água glicosada, chás). A banca explora o conhecimento do limiar de fototerapia e a diferenciação entre as duas síndromes de icterícia associadas ao aleitamento. O candidato que decora apenas o valor de 15 mg/dL como "alto" pode errar, sem considerar a idade do RN (12 dias), o baixo risco e a ausência de indicação de fototerapia nesse contexto. A conduta correta é a mais conservadora, que respeita a fisiologia e evita intervenções desnecessárias.

Guarde a fronteira entre icterícia por amamentação inadequada (precoce, com perda de peso, diurese escassa, sucção débil — trata-se com estímulo à amamentação) e icterícia do leite materno (tardia, com ganho de peso adequado, diurese normal — trata-se com observação e, se necessário, suspensão temporária do aleitamento). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Icterícia neonatal associada ao aleitamento
  • 1Por amamentação inadequada (precoce)
    • Baixa ingesta
    • Perda de peso
    • Diurese escassa
    • Conduta: estímulo à amamentação
  • 2Do leite materno (tardia)
    • Ganho de peso adequado
    • Diurese normal
    • Conduta: observação clínica
    • Excepcional: suspensão temporária 24-48h
      • Manter ordenha
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar fototerapia imediatamente é conduta inadequada, pois o nível de bilirrubina de 15 mg/dL em um RN a termo, com 12 dias de vida, sem fatores de risco, está abaixo do limiar de fototerapia pelas curvas da AAP. Além disso, a alternativa sugere "considerar a interrupção do aleitamento materno" caso não haja queda, o que é uma conduta extrema e desnecessária. A fototerapia é reservada para níveis mais elevados ou para RN de risco (prematuros, hemólise, doença grave). A conduta correta é a observação, não a intervenção imediata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aumentar a frequência das mamadas para 12-14 vezes ao dia e reavaliar a pega é a conduta para a icterícia por amamentação inadequada, que ocorre nos primeiros dias de vida, associada a perda de peso, diurese escassa e sucção débil. No caso, o RN tem ganho de peso adequado (400g), diurese normal (6-8 fraldas), evacuações abundantes e sucção vigorosa, o que afasta a hipótese de baixa ingesta. A afirmativa de que "a icterícia tardia em amamentados é sempre um reflexo de aporte lácteo inadequado" é uma generalização incorreta, pois a icterícia do leite materno ocorre mesmo com amamentação adequada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Observar clinicamente por mais alguns dias é a conduta correta para a icterícia do leite materno, pois o nível de bilirrubina está abaixo do limiar de fototerapia e o RN está clinicamente bem. A suspensão temporária do aleitamento por 24-48 horas, mantendo a ordenha, é uma opção diagnóstica e terapêutica válida: se a bilirrubina cair significativamente após a suspensão, confirma-se o diagnóstico. Essa conduta é excepcional e não deve ser a primeira escolha, mas é aceitável em casos selecionados. A alternativa está correta ao priorizar a observação e, excepcionalmente, a suspensão temporária, preservando a lactação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Recomendar a adição de água glicosada ou chás entre as mamadas é uma conduta contraindicada e sem embasamento científico. A oferta de líquidos além do leite materno pode interferir na sucção, reduzir a ingesta de leite e não tem efeito comprovado na excreção de bilirrubina. A amamentação exclusiva deve ser mantida, e a hidratação adequada já é garantida pelo leite materno. Essa alternativa contraria as recomendações de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Investigar causas raras de hiperbilirrubinemia não conjugada, como anomalias estruturais do trato biliar ou erros inatos do metabolismo, é desnecessário neste caso. A icterícia por obstrução biliar (atresia de vias biliares) cursa com hiperbilirrubinemia direta (conjugada), não indireta, e o RN apresentaria colúria, acolia fecal e hepatoesplenomegalia — achados ausentes no caso. Os erros inatos do metabolismo cursam com outros sinais (vômitos, letargia, hipoglicemia, acidose), também ausentes. O TSH neonatal normal e o Coombs direto negativo já afastam hipotireoidismo e hemólise imunológica. A hipótese mais provável é a icterícia do leite materno, um diagnóstico benigno e comum, que não requer investigação extensa.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu119837