Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu119839
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Lactente de 5 meses e 4 dias, nascido a termo com peso de nascimento de 2.790 g, em aleitamento materno exclusivo e sem histórico de fatores de risco para anemia significativo, é trazido à consulta de puericultura. O médico percebe que o bebê está se desenvolvendo bem e tem bom ganho ponderal. Os pais perguntam sobre a necessidade de introdução de novos alimentos ou suplementos, pois acham o seu filho muito “clarinho”.Considerando as diretrizes de prevenção da anemia ferropriva na infância, qual é a conduta mais adequada para esse lactente?
ARecomendar a introdução imediata de papinhas de carne vermelha e feijão, alimentos ricos em ferro, antes de qualquer suplementação.
BSolicitar um hemograma completo para confirmar a presença de anemia antes de iniciar qualquer tipo de suplementação de ferro.
CIniciar a suplementação medicamentosa profilática com ferro elementar na dose de 1 mg/kg/dia, a partir dos 180 dias de vida.
DOrientar a suplementação de ferro apenas a partir dos 12 meses de idade, quando os estoques de ferro do bebê já estarão significativamente esgotados.
EPrescrever sulfato ferroso na dose de 3 mg/kg/dia de ferro elementar, a ser administrado longe das mamadas, por, pelo menos, 6 meses.
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GabaritoC — Iniciar a suplementação medicamentosa profilática com ferro elementar na dose de 1 mg/kg/dia, a partir dos 180 dias de vida.
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Prevenção da anemia ferropriva na infância
Gabarito: letra C. Para lactentes em aleitamento materno exclusivo, sem fatores de risco, a conduta profilática recomendada é iniciar a suplementação medicamentosa com ferro elementar na dose de 1 mg/kg/dia a partir dos 180 dias de vida (6 meses), conforme as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. A alternativa C espelha exatamente essa recomendação, enquanto as demais ou adiam a suplementação, ou usam dose/indicação de tratamento, ou propõem condutas sem respaldo profilático.
A anemia ferropriva é a carência nutricional mais prevalente na infância, e sua prevenção é crucial porque parte dos efeitos da deficiência de ferro — sobretudo no desenvolvimento neuropsicomotor — pode ser irreversível. O lactente entre 6 e 24 meses está no grupo de maior risco, pois o crescimento acelerado aumenta a demanda de ferro, enquanto a dieta ainda é monótona e com baixo aporte do mineral. No caso descrito, o bebê nasceu a termo, com peso adequado (2.790 g, acima do corte de 2.500 g para baixo peso), está em aleitamento materno exclusivo e sem fatores de risco — ou seja, é exatamente o perfil que se beneficia da suplementação profilática universal que o Brasil adota, diferentemente de países como os Estados Unidos, onde não há recomendação de suplementação universal.
A lógica da profilaxia é simples: o leite materno, apesar de ser o alimento ideal, tem baixo teor de ferro, e os estoques do recém-nascido a termo — adquiridos principalmente no terceiro trimestre de gestação — começam a se esgotar por volta do sexto mês de vida. Por isso, a suplementação medicamentosa entra justamente nesse momento, como ponte até que a alimentação complementar rica em ferro (carnes, feijão, vegetais verde-escuros) esteja plenamente estabelecida. A dose profilática (1 mg/kg/dia) é menor que a dose terapêutica (3 a 5 mg/kg/dia), que se reserva para o tratamento da anemia já instalada. Essa distinção entre profilaxia e tratamento é o coração da questão: a banca mistura as duas situações para confundir o candidato.
Outro ponto que merece destaque é o rastreamento. No Brasil, não há recomendação oficial de triagem universal para anemia em crianças assintomáticas; a decisão de solicitar hemograma deve levar em conta a presença de fatores de risco (idade entre 6 e 24 meses, baixo peso ao nascer, desnutrição) e fatores de proteção (aleitamento materno exclusivo até 6 meses, clampeamento oportuno do cordão, dieta rica em ferro). No caso, o lactente não apresenta fatores de risco, então não há indicação de hemograma antes de iniciar a profilaxia — a suplementação é universal e não depende de confirmação laboratorial. A palidez que os pais referem (“muito clarinho”) é um achado subjetivo e inespecífico, que não justifica, por si só, investigação laboratorial nem muda a conduta profilática.
A pegadinha central está na dose e na indicação: a alternativa E traz a dose de 3 mg/kg/dia, que é a dose terapêutica (para tratar anemia), não a profilática. Além disso, a recomendação de administrar “longe das mamadas” é uma orientação para melhorar a absorção do ferro terapêutico, mas não faz parte da conduta profilática padrão descrita na alternativa correta. A alternativa D erra ao adiar a suplementação para 12 meses — nessa idade, os estoques já estão esgotados há tempo, e a janela de maior vulnerabilidade (6 a 24 meses) já estaria parcialmente desprotegida. A alternativa A propõe apenas orientação alimentar, que é complementar, mas não substitui a suplementação medicamentosa profilática. E a alternativa B condiciona a profilaxia a um hemograma, o que contraria a recomendação de suplementação universal sem triagem.
Guarde a fronteira que separa as alternativas: profilaxia (1 mg/kg/dia, a partir de 6 meses, universal) × tratamento (3 a 5 mg/kg/dia, após diagnóstico de anemia). É exatamente nessa linha que a questão se decide.
Situação
Dose de ferro elementar
Quando iniciar
Indicação de hemograma
Profilaxia (prevenção)
1 mg/kg/dia
A partir dos 180 dias (6 meses)
Não é necessária (universal)
Tratamento (anemia já diagnosticada)
3 a 5 mg/kg/dia
Após diagnóstico
Obrigatória para confirmar anemia
Prevenção da anemia ferropriva: Profilaxia (universal) (1 mg/kg/dia, Início aos 6 meses, Sem hemograma prévio); Tratamento (após diagnóstico) (3 a 5 mg/kg/dia, Hemograma confirmatório, Reposição de estoques); Fatores de risco (6 a 24 meses, Baixo peso ao nascer, Desnutrição)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A orientação alimentar é fundamental e deve ser feita, mas não substitui a suplementação medicamentosa profilática. A introdução de alimentos ricos em ferro (carnes, feijão) é recomendada a partir dos 6 meses como parte da alimentação complementar, porém a quantidade de ferro que o lactente consegue ingerir via dieta nessa fase é insuficiente para suprir a demanda do crescimento acelerado. A conduta correta associa a suplementação com ferro medicamentoso à orientação alimentar — uma não exclui a outra. A alternativa erra ao condicionar a conduta apenas à dieta, ignorando a recomendação de profilaxia universal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A solicitação de hemograma não é necessária antes de iniciar a profilaxia. No Brasil, a suplementação profilática de ferro é universal para lactentes a partir dos 6 meses, independentemente de dosagem laboratorial, pois a deficiência de ferro raramente é diagnosticada antes de instalar a anemia, e os efeitos podem ser irreversíveis. O rastreamento com hemograma é reservado para situações com fatores de risco ou suspeita clínica de anemia, o que não é o caso do lactente descrito (a termo, peso adequado, sem fatores de risco). A alternativa confunde a conduta profilática com a investigação diagnóstica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta está correta e espelha a recomendação oficial: iniciar suplementação profilática com ferro elementar na dose de 1 mg/kg/dia a partir dos 180 dias de vida (6 meses). Essa é a conduta padrão para lactentes em aleitamento materno exclusivo, mesmo sem fatores de risco, pois os estoques de ferro do nascimento começam a se esgotar nessa idade. A dose profilática é menor que a terapêutica e deve ser mantida até que a alimentação complementar rica em ferro esteja bem estabelecida (em geral, até os 24 meses). A alternativa acerta tanto a dose quanto o momento de início.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Adiar a suplementação para os 12 meses é um erro grave. A janela de maior vulnerabilidade para anemia ferropriva é justamente entre 6 e 24 meses, quando a demanda de ferro é máxima e os estoques já estão esgotados. Iniciar a profilaxia apenas aos 12 meses deixaria o lactente desprotegido exatamente no período de maior risco, permitindo que a deficiência de ferro se instalasse e pudesse causar danos irreversíveis ao desenvolvimento neuropsicomotor. A recomendação é iniciar aos 6 meses, não aos 12.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dose de 3 mg/kg/dia de ferro elementar é a dose terapêutica, indicada para o tratamento da anemia ferropriva já diagnosticada, e não para profilaxia. A dose profilática é de 1 mg/kg/dia. Além disso, a orientação de administrar “longe das mamadas” é uma recomendação para otimizar a absorção do ferro no contexto terapêutico, mas não integra a conduta profilática padrão descrita na alternativa correta. A alternativa confunde profilaxia com tratamento, trocando a dose e acrescentando uma orientação que não se aplica à prevenção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre profilaxia e tratamento da anemia ferropriva. A alternativa E traz a dose terapêutica (3 mg/kg/dia) como se fosse profilática, e a alternativa B condiciona a prevenção a um exame que não é necessário. Na prova, identifique o contexto: se a criança é assintomática e sem fatores de risco, a conduta é profilática (1 mg/kg/dia a partir de 6 meses); se há anemia diagnosticada, aí sim se usa dose terapêutica (3 a 5 mg/kg/dia). Com esse critério, você elimina as armadilhas de imediato 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental com as duas situações: Profilaxia — 1 mg/kg/dia, a partir dos 6 meses, universal, sem necessidade de exame; Tratamento — 3 a 5 mg/kg/dia, após diagnóstico (hemograma), por 1 a 2 meses para normalizar hemoglobina e 3 a 6 meses para repor estoques. Essa distinção de dose e indicação é o ponto mais cobrado em questões de puericultura sobre anemia ferropriva.