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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu119841
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto - Especialidades: Medicina da Família e Comunidade/Medicina Intensiva/Radiologia e Diagnóstico por Imagem
O médico está revisando os resultados da triagem neonatal de um recém-nascido (RN) que nasceu a termo e está com 10 dias de vida. A mãe é primípara, sem histórico familiar de doenças genéticas conhecidas. O RN está em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal de cerca de 25 g/dia, e o exame físico atual não tem anormalidades. Alguns dos resultados das triagens neonatais biológicas (coleta com 49 horas de vida) e clínicas foram os seguintes:Teste do Pezinho:TSH: 7 mUI/L (valor de corte para RN a termo: < 10 mUI/L)Dosagem de tripsina imunorreativa: valor discretamente aumentado, pelos valores de referênciaTriagem para Hemoglobinopatias: Padrão FA (Hemoglobina F e Hemoglobina A presentes)Teste da Orelhinha com Emissões Otoacústicas Evocadas – falha à direitaTeste do Olhinho – reflexo vermelho ausente em olho direitoConsiderando a urgência e a especificidade de cada achado da triagem neonatal, qual a conduta mais crítica e imediata a ser tomada pelo pediatra para esse RN?
  1. AOs exames das triagens devem ser avaliados com ressalvas e repetidos, particularmente a triagem para o hipotireoidismo congênito, pois foram colhidos fora do período preconizado.
  2. BO resultado do teste de triagem para hemoglobinopatias deve ser confirmado com a eletroforese do sangue colhido por punção venosa, para a definitiva confirmação de anemia falciforme.
  3. CA tripsina imunorreativa (IRT) pode ser repetida, desde que a criança tenha até 30 dias de vida, para avaliação da possibilidade de fibrose cística.
  4. DO teste da orelhinha realizado não é o preconizado na triagem neonatal de RN sem fatores de risco de déficit auditivo, por evidenciar muitas falhas, como observado nesse caso clínico.
  5. EO teste do reflexo vermelho deve ser repetido, com uso de uma lanterna, após 30 dias de vida, pois assimetria do resultado é comum no primeiro mês de vida, por causa do pseudoestrabismo comum do RN.
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GabaritoC — A tripsina imunorreativa (IRT) pode ser repetida, desde que a criança tenha até 30 dias de vida, para avaliação da possibilidade de fibrose cística.

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Triagem neonatal: interpretação e conduta

Gabarito: letra C. A conduta mais crítica e imediata diante de um RN com IRT discretamente aumentada é repetir a dosagem, desde que a criança tenha até 30 dias de vida, para avaliar a possibilidade de fibrose cística — conforme o protocolo do PNTN. Os demais achados (TSH 7 mUI/L, padrão FA, falha na orelhinha e reflexo vermelho ausente) não indicam urgência imediata ou conduta específica como descrito nas alternativas.

A triagem neonatal é um conjunto de exames realizados nos primeiros dias de vida para detectar precocemente doenças graves, mas potencialmente tratáveis, antes que causem danos irreversíveis. No Brasil, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) organiza essa triagem de forma escalonada, incluindo doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita. O objetivo é identificar recém-nascidos em risco, mas é fundamental entender que a triagem não é diagnóstica — resultados alterados exigem confirmação por exames específicos.

No caso apresentado, o RN tem 10 dias de vida, está em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal e exame físico normal. Os resultados das triagens mostram: TSH de 7 mUI/L (normal, pois o corte é < 10 mUI/L), IRT discretamente aumentada, padrão FA (normal, pois indica presença de hemoglobina fetal e adulta, sem hemoglobinas anormais), falha na orelhinha à direita e reflexo vermelho ausente no olho direito. A questão pede a conduta mais crítica e imediata, e a resposta correta é a repetição da IRT para investigar fibrose cística.

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta múltiplos órgãos, principalmente pulmões e pâncreas. A triagem neonatal para FC é feita pela dosagem de tripsinogênio imunorreativo (TIR ou IRT) no sangue do teste do pezinho. Valores elevados de IRT indicam suspeita, mas não confirmam o diagnóstico. O protocolo preconiza que, quando a primeira dosagem é alterada, uma segunda dosagem deve ser realizada obrigatoriamente até os 30 dias de vida. Se ambos os resultados forem elevados, o RN deve ser encaminhado para confirmação diagnóstica, geralmente pelo teste do suor. É importante ressaltar que a IRT pode estar elevada em diversas situações que não indicam FC, como baixo peso ao nascer, hipóxia neonatal, infecções, estresse fisiológico, entre outras — por isso a repetição é essencial para reduzir falsos-positivos.

A alternativa C está correta porque reflete exatamente esse protocolo: a IRT pode ser repetida, desde que a criança tenha até 30 dias de vida, para avaliação da possibilidade de fibrose cística. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta que as tornam incorretas. A alternativa A erra ao afirmar que os exames foram colhidos fora do período preconizado — a coleta com 49 horas de vida está dentro do intervalo ideal de 48 a 72 horas. A alternativa B erra ao afirmar que o padrão FA confirma anemia falciforme — o padrão FA é normal, e a confirmação de hemoglobinopatias seria necessária apenas se houvesse hemoglobina anormal (como Hb S). A alternativa D erra ao afirmar que o teste da orelhinha não é o preconizado — as emissões otoacústicas evocadas são o método de triagem auditiva neonatal universal, e a falha em uma orelha exige reteste ou encaminhamento para avaliação audiológica completa. A alternativa E erra ao afirmar que o reflexo vermelho deve ser repetido após 30 dias — a ausência do reflexo vermelho é um sinal de alerta para leucocoria (como catarata congênita ou retinoblastoma) e exige avaliação oftalmológica imediata, não repetição tardia.

A distinção crucial nesta questão é entre os achados que exigem ação imediata e aqueles que podem ser manejados com repetição ou observação. A falha na orelhinha e a ausência do reflexo vermelho são achados que exigem encaminhamento para avaliação especializada, mas não são a conduta mais crítica e imediata no contexto da triagem neonatal biológica. A IRT elevada, por sua vez, tem um protocolo claro de repetição que deve ser seguido dentro do prazo de 30 dias. O TSH normal não requer nenhuma conduta. O padrão FA é normal e não requer confirmação. Portanto, a conduta mais crítica e imediata é a repetição da IRT.

Achado da Triagem

Resultado

Interpretação

Conduta

TSH (Teste do Pezinho)

7 mUI/L (corte < 10)

Normal

Nenhuma

Tripsinogênio imunorreativo (IRT)

Discretamente aumentado

Suspeita de fibrose cística

Repetir IRT até 30 dias de vida

Hemoglobinopatias

Padrão FA

Normal

Nenhuma

Teste da Orelhinha (EOA)

Falha à direita

Alterado

Reteste ou avaliação audiológica completa

Teste do Olhinho (reflexo vermelho)

Ausente em olho direito

Sinal de alerta (leucocoria)

Avaliação oftalmológica imediata

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os exames foram colhidos fora do período preconizado, particularmente a triagem para hipotireoidismo congênito. Isso é falso: a coleta do teste do pezinho deve ser feita entre 48 e 72 horas de vida, e o RN foi coletado com 49 horas, dentro do período ideal. Além disso, o TSH de 7 mUI/L é normal (corte < 10 mUI/L), não havendo necessidade de repetição por esse motivo. O erro está em afirmar que a coleta foi inadequada, quando na verdade está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o padrão FA deve ser confirmado com eletroforese para confirmação de anemia falciforme. O padrão FA é o resultado normal da triagem para hemoglobinopatias, indicando presença de hemoglobina fetal (F) e adulta (A), sem hemoglobinas anormais como a Hb S. Portanto, não há suspeita de anemia falciforme e não há necessidade de confirmação. A eletroforese de hemoglobinas seria indicada apenas se houvesse padrão alterado, como FAS (traço falciforme) ou FS (doença falciforme). O erro está em considerar o padrão FA como alterado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A IRT (tripsinogênio imunorreativo) elevada na triagem neonatal indica suspeita de fibrose cística, mas não confirma o diagnóstico. O protocolo do PNTN preconiza que, quando a primeira dosagem é alterada, uma segunda dosagem deve ser realizada obrigatoriamente até os 30 dias de vida. Se ambos os resultados forem elevados, o RN deve ser encaminhado para confirmação diagnóstica (teste do suor). A alternativa está correta ao afirmar que a IRT pode ser repetida, desde que a criança tenha até 30 dias de vida, para avaliação da possibilidade de fibrose cística. O RN tem 10 dias, portanto está dentro do prazo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o teste da orelhinha realizado (emissões otoacústicas evocadas) não é o preconizado na triagem neonatal de RN sem fatores de risco. Isso é falso: as emissões otoacústicas evocadas são o método de triagem auditiva neonatal universal, recomendado para todos os recém-nascidos, independentemente de fatores de risco. A falha em uma orelha (direita) exige reteste ou encaminhamento para avaliação audiológica completa, mas não invalida o método. O erro está em afirmar que o teste não é o preconizado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o reflexo vermelho deve ser repetido após 30 dias de vida, pois assimetria é comum no primeiro mês por causa do pseudoestrabismo. Isso é falso: a ausência do reflexo vermelho é um sinal de alerta para leucocoria, que pode indicar catarata congênita, retinoblastoma ou outras doenças oculares graves. A conduta correta é encaminhamento imediato para avaliação oftalmológica, não repetição tardia. O pseudoestrabismo não causa ausência do reflexo vermelho. O erro está em postergar a avaliação de um sinal que exige urgência.

Gabarito: letra C — a conduta mais crítica e imediata é repetir a IRT, dentro do prazo de 30 dias, para investigar fibrose cística.

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